Teatro

Quatro musicais com sucessos de Cássia Eller, Cazuza e Rita Lee

Se Eu Fosse Você, o Musical também faz parte da lista

Por: VEJA SÃO PAULO

Rita Lee Mora ao Lado
Mel Lisboa na pele da rainha do rock (Foto: Priscila Prade)

Confira quatro musicais que trazem sucessos gravados por Cássia Eller, Cazuza e Rita Lee:

  • Cássia Rejane Eller (1962-2001) era de uma timidez sem tamanho. Monossilábica, ela mal mirava os olhos do interlocutor e, nas entrevistas, em nada lembrava a cantora de voz potente e postura agressiva no palco. Com produtores sedentos de transformar ídolos em tema de musicais, não tardou para a artista, morta aos 39 anos, virar objeto de um. Os diretores João Fonseca e Vinícius Arneiro, no entanto, conseguiram uma proeza entre os similares do gênero. Vivida pela estreante Tacy de Campos, Cássia tem seu jeito e sua alma presentes ali. O espectador se vê diante de uma montagem simples, com estrutura de show, longe dos padrões grandiosos da Broadway e fiel à trajetória da protagonista. A dramaturga Patrícia Andrade traz à tona o acanhamento juvenil, que se tornou um empecilho na vida adulta da roqueira e pode ter ajudado a levá-la para as drogas. Para isso, a atuação de Tacy é importante. Ela repassa 38 canções em solos ou apoiada por outros seis atores-cantores. Em algumas cenas fica visível sua insegurança diante de um papel tão exigente. Mas, como se trata de Cássia, a inexperiência de Tacy ganha ares de introspecção e convence o público. Com Eline Porto, Emerson Espíndola, Jandir Ferrari e outros. Estreou em 19/9/2014. Até 25/9/2016. Proximidade: o espetáculo tem direção musical de Lan Lan, que foi percussionista da banda de Cássia Eller.
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  • Emílio Dantas protagoniza Cazuza — Pro Dia Nascer Feliz, o Musical. Com direção de João Fonseca, a peça faz sessão gratuita no Memorial da América Latina na sexta (26/6/2015), às 20h, e traz a vida e sucessos do ídolo, morto em 1990 em decorrência da aids.
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  • Em meio a tantos expoentes do gênero, o musical Rita Lee Mora ao Lado pode ser encarado como um primo pobre. Afinal, conta com cenários despojados, coreografias simples e um elenco algumas vezes carente de técnica. Sua qualidade, no entanto, é justamente saber o próprio tamanho e se limitar a homenagear a cantora sem exagerada pretensão. Adaptada do livro Rita Lee Mora ao Lado — Uma Biografia Alucinada da Rainha do Rock, de Henrique Bartsch, a montagem traz uma carismática Mel Lisboa no papel principal. A atriz tem poucas cenas em que lhe são exigidos recursos dramáticos profundos, mas carrega uma energia e uma irreverência próximas às da estrela. Em uma fusão de ficção e realidade, a trama mostra Rita da infância aos dias de hoje, por meio das confusões de Bárbara Farniente (vivida pela ótima Carol Portes, figura fundamental para o resultado), uma vizinha que acompanhou de perto a vida da família da artista. Construída pelos diretores Débora Dubois e Márcio Macena, além de Paulo Rogério Lopes, a dramaturgia enfileira esquetes e vários deles soam dispensáveis. Enquanto as intervenções de João Gilberto (Nelson Oliveira) e Ney Matogrosso (Fabiano Augusto), contribuem para narrar a história, os números de Caetano Veloso (Antonio Vanfill) e Gal Costa (Yael Pecarovich) só esticam a duração. Apoiada por seis músicos, Mel anima a plateia com Agora Só Falta Você, Saúde, Jardins da Babilônia e Ando Meio Desligado, entre outros sucessos, e é isso o que interessa. Em nome da festa, o público se rende, e o teatro se faz pela devoção a Rita Lee, especialmente quando Mel interpreta Coisas da Vida. Com Rafael Maia (como Roberto de Carvalho), Samuel de Assis, Débora Reis, César Figueiredo e outros. Estreou em 4/4/2014. Até 24/4/2016.
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  • Os dois filmes protagonizados por Glória Pires e Tony Ramos foram sucesso de bilheteria — somaram mais de 9 milhões de espectadores no cinema. A história, inegavelmente, funciona. Com adaptação de Flávio Marinho e encenação de Alonso Barros, o roteiro levado às telas por Daniel Filho chegou aos palcos. Se Eu Fosse Você, o Musical tem trama similar à do primeiro longa. Em plena crise conjugal, Helena (Claudia Netto) e Claudio (Nelson Freitas) decidem se separar e, de repente, se veem em meio a uma inusitada troca de corpos. Ela virou homem e, agora, Claudio é a mulher da relação. A dupla surpreende ao dar plena conta do recado em atuações divertidas, quase no limite da caricatura, mas dentro do tom cômico. Vinte e dois atores completam o elenco, entre eles Fafy Siqueira, no papel da mãe de Helena. No entanto, a montagem sofre de um problema crucial. A trilha sonora, formada por irresistíveis sucessos de Rita Lee, não foi composta para o espetáculo e raras músicas fazem algum sentido na dramaturgia. Você vai ouvir Miss Brasil 2000, Esse Tal de Rock’n Roll, Doce Vampiro e Amor e Sexo, todas bem interpretadas, principalmente por Claudia Netto, mas sem função alguma na trama. E, em um musical, as canções servem para embasar a história, certo? Estreou em 14/8/2014. Até 14/12/2014.
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Fonte: VEJA RIO