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Manifestantes detidos durante ato contra a Copa são liberados

Grupos black blocs depredaram prédios e carros e a polícia usou bombas de gás lacrimogêneo para reprimir; confronto teve 146 pessoas encaminhadas para delegacias

Por: Nataly Costa - Atualizado em

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Os 146 detidos pela Polícia Militar nas manifestações que ocorreram na noite do último sábado (25) durante as comemorações do Aniversário de São Paulo foram liberados já na madrugada deste domingo (26). Ao todo, 128 manifestantes haviam sido encaminhados ao 78º DP, no Jardins, e os outros 18 ao 2º DP, no Bom Retiro. O ato contra a realização da Copa do Mundo no Brasil reuniu cerca de 2,5 mil pessoas, segundo a PM.

Entre os detidos, 12 eram menores, segundo a Secretaria de Segurança Pública. Eles foram fichados por crimes como dano ao patrimônio, porte de drogas, de armas, de explosivos e furto. 

Tumulto

O protesto começou por volta das 17h na Avenida Paulista. Os manifestantes desceram a Avenida Brigadeiro Luís Antônio até o centro, passando pelo Largo São Francisco e Viaduto do Chá. Por volta das 19h30, na frente do Teatro Municipal, onde acontecia uma edição da feira gastronômica Chefs na Rua, o tumulto começou. Black blocs jogaram pedras e bolas de gude nos policiais, que revidaram com bombas de gás lacrimogêneo. Quem frequentava a feirinha e passeava durante o feriado de aniversário da cidade ficou assustado e correu para se proteger nas escadarias do teatro. 

Lojas e agências bancárias das ruas 7 de Abril e Barão de Itapetininga foram quebradas e pichadas. Depois, um pequeno grupo seguiu para a Praça da República e outro, maior, foi em direção à Avenida São Luís. 

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Ato que começou pacífico teve depredação e confronto em frente ao Teatro Municipal, no centro (Foto: Nataly Costa / Veja São Paulo)

Na esquina da São Luis com a Consolação, manifestantes fizeram uma barricada e atearam fogo em uma caçamba para impedir o avanço da polícia. A Tropa de Choque chegou e mais bombas foram atiradas. Já disperso, o protesto subiu a Rua Augusta, onde duas agências bancárias, uma concessionária e um ônibus foram depredados na esquina com a Caio Prado. Um prédio residencial também teve sua entrada quebrada. 

Por volta das 20h, um dos momentos mais tensos da manifestação: um grupo ateou fogo em um colchão nas imediações da Praça Roosevelt e o motorista de um fusca - que passeava com a mulher e a filha e tentava fugir do foco do protesto - passou por cima do colchão. O carro pegou fogo na hora e a família ficou presa por um tempo, até ser resgatada por fotógrafos que registravam a cena. Ninguém se feriu.

Hotel

Ao chegar na altura do número 435 da Augusta, os manifestantes foram encurralados pela PM e pela Tropa de Choque, que cercaram os dois lados da rua. Sem saída, invadiram o saguão do hotel Linson, na Rua Augusta. Policiais entraram no prédio e mais de 50 pessoas saíram de lá para a delegacia. 

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Policiais bloqueiam a entrada do hotel Lindon, na Rua Augusta, invadido por manifestantes (Foto: Nataly Costa / Veja São Paulo)

Início

A manifestação foi marcada pelo Facebook. Mais de 23 000 pessoas confirmaram presença no "Primeiro grande ato em 2014 contra a Copa" no Facebook e 30 delas acamparam no vão do museu desde a noite de sexta-feira.

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Os manifestantes levavam faixas com frases como:"Se não tiver direitos, não vai ter Copa" e "Fifa, go home!". Outras manifestações estavam agendadas em mais 32 cidades do país.

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO