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Programas de rádio com auditório atraem plateias

Atrações com público ressurgem graças aos investimentos de sites e emissoras AM e FM

Por: Silas Colombo

Programa Rádio
Mergulho no Escuro: o crítico Zuza Homem de Mello comenta e põe para tocar discos levados pelos espectadores (Foto: Lucas Lima)

No último dia 2, faltava meia hora para o início do programa de rádio Mergulho no Escuro, transmitido pelo site do Itaú Cultural, e nas portas da sede do instituto, na Avenida Paulista, já se acumulavam cerca de oitenta pessoas. Era público suficiente para preencher todas as poltronas reservadas do local. Veiculada ao vivo na primeira terça-feira de cada mês, às 20 horas, a atração teve duas edições por enquanto.

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Duas semanas antes, aglomeração maior se dera no mesmo endereço, com o também mensal Encontros Poéticos, realizado em uma sala com 250 lugares. Exclusivas para a internet, as duas estreias engordaram a lista das atrações de auditório transmitidas por sites ou rádios AM e FM. No total, estão no ar ao menos oito produtos de um gênero que viveu seu auge entre as décadas de 30 e 50, quando artistas como Carmen Miranda eletrizavam o público em apresentações ao vivo na Record, na Gazeta, na América e em várias outras rádios de São Paulo.

Ambos os lançamentos do Itaú Cultural, de entrada gratuita, buscam na interação um tom mais leve para falar de arte. No programa Mergulho, o crítico musical Zuza Homem de Mello sorteia um CD ou vinil entre dezenas de títulos depositados pelos presentes em uma caixa. Cada disco traz a anotação de qual faixa deve ser tocada e comentada por ele. O resultado vai de Pitty a Chico Buarque.

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Para participar do Mergulho no Escuro é preciso retirar ingresso às 19h30 no Itaú Cultural, na Avenida Paulista, 149 (Foto: Lucas Lima)

“Combinei com quatro amigos e todos trouxemos álbuns do grupo Charlie Brown Jr. para homenagear o Chorão”, lembra a estudante Paula Paiva, que participou recentemente de uma transmissão. Em Encontros, ancorado pelo poeta Sérgio Vaz nas terceiras terças de cada mês, às 20 horas, convidados pop, a exemplo do rapper Criolo, leem textos de autores como Carlos Drummond de Andrade. “Apresentamos a literatura para o grande público”, resume Vaz. A audiência ainda é modesta. Por enquanto, nenhum dos novos programas ultrapassou as 1 200 visualizações on-line.

No dial do rádio, o negócio tem alcançado mais repercussão. Há sete anos no ar, Fim de Expediente é feito ao vivo pela CBN no Teatro Eva Herz, às 18 horas de sexta. Soma 55 000 ouvintes por minuto, ante os 40 000 de média da emissora. Na atração, um trio de apresentadores, que inclui o ator Dan Stulbach, comenta as notícias da semana.

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No Divã do Gikovate: o psicoterapeuta Flávio Gikovate comenta questões sobre família, sexo etc (Foto: Lucas Lima)

A mesma estação produz ali o dominical No Divã do Gikovate, comandado pelo psicoterapeuta Flávio Gikovate. Os presentes pedem conselhos sobre conflitos íntimos, como identidade sexual confusa e timidez. “Já me ‘trato’ aqui há dois anos”, afirma a advogada Maria Aparecida Chakarian, para quem é terapêutico falar e escutar as questões alheias. No consultório do profissional, nos Jardins, a sessão de 45 minutos custa 1 400 reais.

No Esporte em Debate, da Bandeirantes FM (segundas, terças e sextas, às 20 horas), uma vez por semana a mesa-redonda acontece em pizzarias da rede 1900, na presença dos frequentadores da casa. “A proximidade humaniza a relação com o ouvinte”, entende o diretor de jornalismo, José Carlos Fantini Carboni.

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Companhia de Amigos é apresentado em bares pelo locutor Galinha, que interage com a clientela nas mesas (Foto: Lucas Lima)

A Nativa FM vai além com o seu Companhia de Amigos, transmitido de bares, com 104 000 pessoas ligadas por minuto. “Trazemos nossos seguidores para beber conosco”, diz o apresentador Carlos D’Annibale, o Galinha, que circula entre a clientela fazendo piadas. A cada semana, seis fãs são sorteados para ocupar uma mesa com quitutes e bebida liberados. Na sexta (5), a vendedora Charlene Santos era uma das escolhidas para a boca-livre. “Escutava a empolgação do Galinha e fiquei com vontade de vir”, contou ela, diante de uma mesa repleta de chopes e petiscos.

Fonte: VEJA SÃO PAULO