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Pinacoteca exibe mostra do artista cearense Sérvulo Esmeraldo

Seleção reúne 117 pinturas, desenhos, gravuras e objetos produzidos nas últimas seis décadas

Por: Jonas Lopes - Atualizado em

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'Torso do Filho de Ugolino', escultura de acrílico de 1974: inflexão geométrica (Foto: Divulgação)

Nascido em Crato, no Ceará, Sérvulo Esmeraldo, de 82 anos, é um dos principais escultores em atividade no Brasil. Em cartaz na Pinacoteca a partir de sábado (18), uma ampla retrospectiva composta de 117 obras das últimas seis décadas aborda as diferentes fases de uma produção consistente, iniciada nos anos 40. Além dos tridimensionais, a seleção reúne pinturas, desenhos, gravuras e objetos.

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Ainda no início da carreira, o artista teve contato com dois conterrâneos ilustres, os pintores Antonio Bandeira e Aldemir Martins. Em 1951, veio a São Paulo para participar da montagem da primeira edição da Bienal. Alguns anos depois, ganhou uma bolsa do governo da França, e residiu por lá de 1957 a 1978. Chegou inclusive a estudar o brilhante gravador alemão Albrecht Dürer (1471-1528).

A primeira metade de sua trajetória foi dedicada, em especial, à xilogravura, técnica sobre a qual trocou opiniões com os ícones do gênero Lívio Abramo e Oswaldo Goeldi. Entre os trabalhos apresentados na exposição, há um desenho de 1959 com a presença de jangadas marcadas por figuras geométricas. Tal característica viria a determinar a fase seguinte, a mais notável e que o tornou conhecido no país: a das esculturas. Nelas, o cearense aplicou conceitos apreendidos no período europeu, a exemplo da influência da Bauhaus.

As peças, várias delas vazadas, adquiriram força de formas angulares e rigorosamente abstratas, à melhor maneira construtivista. Não por acaso, prestam-se muito bem quando exibidas em espaços públicos — são cerca de quarenta delas espalhadas por Fortaleza. Sérvulo comparece em importantes acervos brasileiros e estrangeiros. No último caso, incluem-se o Gemeentemuseum, em Haia (Holanda), a Fundação Calouste Gulbenkian, de Lisboa, e a Peggy Guggenheim Collection, de Veneza.

Fonte: VEJA SÃO PAULO