CINEMA

"Para Poucos": drama enfoca picante troca de casais

Lançamento francês mostra que a prática ainda é tabu dentro e fora das telas

Por: Miguel Barbieri Jr. - Atualizado em

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O quarteto se entrega a uma brincadeira com farinha: afinidades (Foto: Divulgação)

Rachel (Marina Foïs) trabalha numa loja de bijuterias artesanais em Paris. Certa noite, estende o expediente para receber Vincent (Nicolas Duvauchelle), o rapaz responsável pelo site da empresa. Ambos são casados e têm filhos. Na sequência, há um jantar ao lado de seus respectivos parceiros. Marido de Rachel, Franck (Roschdy Zem) escreve livros sobre terapias corporais. Teri (Elodie Bouchez), esposa de Vincent, é tradutora e, esbelta, mantém o corpo de ginasta olímpica. O vinho traz relaxamento e, numa oportunidade a sós, Franck beija e acaricia Teri. Diretor de “À Flor da Pele” (2005), só lançado em DVD, o francês Antony Cordier não precisa de mais do que quinze minutos para jogar limpo com o espectador e estabelecer o tema de seu segundo longa-metragem. O drama “Para Poucos” mostra uma picante troca de casais.

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Se os triângulos amorosos tornaram-se lugar-comum no cinema, a prática do suingue continua tabu. O título vem, portanto, a calhar. Será preciso encarar de cabeça aberta a polêmica abordagem proposta por um filme singular e, realmente, para plateias seletas — sua estreia ocorre apenas no Espaço Unibanco. Também roteirista, Cordier foge de qualquer traço moralista e exibe situações em que a liberdade e o prazer estão em primeiro lugar. Os personagens não se impõem regras, mas possuem certo pudor na infidelidade. Por exemplo, jamais gostam de ser vistos pelo(a) companheiro(a) na cama com o(a) amante.

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Além do sexo, existe uma afinidade de amigos no quadrângulo. Eles chegam a viajar juntos e se divertem como crianças numa bela cena sujos de farinha. Mas será possível um relacionamento a quatro dar certo, sobretudo quando a afetividade começa a invadir os sentimentos? A fita, estrelada por elenco enxuto e eficiente, demonstra a relevância e a maturidade para tratar de assuntos ousados do cinema europeu de hoje, tão mais comportado do que em décadas passadas.

Fonte: VEJA SÃO PAULO