Comida

Panetones: vai encarar?

De peito de peru a licor Baileys, o panetone ganha versões diferentes — e inusitadas — nas lojas paulistanas. Nem sempre dá certo

Por: Giovana Romani - Atualizado em

Panetone da Nestlé
Prestígio, da Nestlé (10,99 reais, 500 gramas): a melhor relação custo-benefício (Foto: FERNANDO MORAES)

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Atualmente, é preciso muita atenção ao escolher um panetone nas gôndolas dos supermercados ou nas prateleiras das docerias e padarias. Os desavisados correm o risco de levar para casa um bolo recheado de peito de peru, creme de licor Baileys ou limão. As tradicionais receitas com frutas cristalizadas ou gotas de chocolate agora dividem espaço com versões mais, digamos, ousadas. Nem todas funcionam, que fique bem claro. O editor de gastronomia de VEJA SÃO PAULO, Arnaldo Lorençato, e a repórter de Comidinhas, Helena Galante, provaram dez tipos de nove marcas para determinar quais dessas combinações dão água na boca. Eles analisaram a aparência, a textura, a umidade da massa e o equilíbrio. À venda na Speranza Gastronomia, em Moema, a versão de marrom-glacê da italiana Bonifanti foi uma das que mais agradaram. Trata-se de um panetone gourmet, úmido, aerado e doce na medida. Em uma bonita embalagem branca e dourada, o doce de 1 quilo custa caros 107 reais.

Recém-lançado pela Ofner, o de gianduia (52,90 reais, 1 quilo) se revelou uma boa pedida. Com recheio em quantidade adequada, deve conquistar os mais variados paladares. Já o chocotone de creme de licor Baileys, da La Vie en Douce, nos Jardins, tem recheio em excesso. Resultado: a massa acaba desaparecendo por causa de tanto creme. Dona da loja, a chef Carole Crema criou outras novidades, como um chocotone de paçoca e outro feito com praliné de avelã belga, massa folhada crocante e gianduia. Todos pesam 1,2 quilo. Se os sabores são dulcíssimos, os preços estão um tanto salgados: variam de 70 a 110 reais.

A padaria Benjamin Abrahão, com unidades em Higienópolis e nos Jardins, oferece dezessete tipos, entre doces e salgados. É a campeã no quesito variedade. Os dois lançamentos deste Natal seguem a linha natureba: banana com granola (25 reais o quilo) e peito de peru com queijo branco e massa multigrãos (40 reais o quilo). “Nossos clientes vinham pedindo opções mais leves”, conta o chef Felipe Benjamin Abrahão. Pedaços da fruta fizeram falta na versão de banana, que lembra um bolo. Com textura interessante, o salgado peca pela ausência de sabor. “É um pão com cara de café da manhã”, descreve Lorençato. Se esse lembra desjejum, o de parmesão com alecrim (28 reais, 600 gramas), da banqueteira Carla Elage, cuja rotisseria fica no Jardim Guedala, pode funcionar em um lanche da tarde.

Carregado de açúcar, o panetone de bicho de pé da Amor aos Pedaços (42 reais, 750 gramas) faz os fãs do gênero se lambuzar — literalmente. “É para comer de garfo e faca, com um copo de água do lado”, alerta Helena. O panetone Prestígio, lançamento da Nestlé encontrado em supermercados, foi o que apresentou o melhor custo-benefício. É gostoso e tem preço médio de 10,99 reais (500 gramas). O mesmo não se pode dizer das opções de maracujá (14,90 reais, 500 gramas) e limão (19,70 reais, 500 gramas), fabricados respectivamente pelas padarias Villa Bahia, em Higienópolis, e Bella Paulista, em Cerqueira César. Apesar do preço razoável, decepcionaram. Além de a aparência não ajudar, o primeiro apresenta excesso de essência de maracujá. “No de limão, a cobertura estava amarga e o creme do recheio, azedo”, afirma Lorençato. De panetone mesmo, algumas dessas invencionices têm só o formato e o modo de embalar.

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO