Arte

4 000 moscas fazem parte de uma das obras da 32ª Bienal

No trabalho assinado pelo francês Pierre Huyghe, os insetos ficam em uma sala aberta para os visitantes

Por: Julia Flamingo

Pierre Huyghe_32a Bienal
Centenas de moscas são mantidas em um ambiente com vista para o parque (Foto: Leo Eloy/Estúdio Garagem/ Fundação Bienal de São Paulo)

Você tem coragem de entrar em uma sala com milhares de moscas pairando pelo ar? E se o intuito for passar por uma experiência artística? Essa é a proposta do artista francês Pierre Huyghe para a 32ª Bienal, inaugurada na última semana, no Parque do Ibirapuera.

Huyghe pediu que os produtores da Bienal comprassem 4 000 moscas para que a obra seja mantida até o final da exposição, em dezembro. Na versão original de De-Extinction, os insetos são mosquitos. Mas com o problema da zika por aqui, os produtores da mostra convenceram o artista a fazer essa troca.

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Câmeras captam imagens microscópicas de uma resina fóssil (Foto: Pedro Ivo Trasferetti / Fundação Bienal de São Paulo)

E quem comericaliza mosca? Pois é, encontrar uma empresa com esse serviço foi o grande desafio da equipe. Ele localizaram a Bug Agentes Biológicos, de Piracicaba, que usa os exemplares de nome Black Soldier Fly, parecida com uma vespa, para controlar pragas em plantações. Os bichinhos não picam e ficam bem quietinhos, grudados nos vidros da sala na Bienal.

Para conseguir as moscas menores - aquelas que vivem aparecendo dentro de casa -, a solução foi uma empresa de produtos de limpeza. A Ecolyzer, que usa as espécies para testar produtos como repelentes, disponibilizou 2 000 moscas domésticas. Essas são mais inquietas e conseguem até dar um jeito de atravessar a cortina de ar, na entrada da sala do espaço.

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Localizada no segundo piso da Bienal, a obra De-Extinction estuda as relações entre os seres vivos (Foto: Pedro Ivo Trasferetti / Fundação Bienal de São Paulo)

Em questão de alimentação, as grandes só tomam água e as pequenas mantêm a energia com uma mistura de leite ninho (!), água e aveia. Vivem entre 25 e 30 dias.

Huyghe é um dos únicos nomes internacionalmente conhecidos convidados para a Bienal (o outro é o belga Francis Alÿs). Suas obras aparecem na forma de vídeos e instalações que se assemelham a laboratórios: a ideia é estudar as diversas maneiras de viver e as relações e interações entre os diversos seres.

Além do viveiro dos insetos, a obra traz um vídeo, em que câmeras captaram imagens microscópicas de uma resina fóssil. Formas imprecisas, de um colorido bonito e cheio de texturas, aparecem nas imagens, até que se perceba os mosquitos, imobilizados ali por sabe lá quantos milhares (ou milhões) de anos. Ele junta biologia, arquelogia e arte - e é genial.

Fonte: VEJA SÃO PAULO