Cinema

O tempo que resta: Hanami

Velhice, solidão, vida e morte são temas do comovente drama Hanami — Cerejeiras em Flor

Por: Miguel Barbieri Jr. - Atualizado em

O tempo que resta: Hanami
O tempo que resta: Hanami (Foto: Divulgacao)

Há filmes marcantes e outros que passam. A maioria deles é feita para entreter, mas alguns são especiais, responsáveis por tocar, além dos olhos, a alma e o coração. Caso, por exemplo, do drama Hanami — Cerejeiras em Flor, um dos melhores títulos de uma safra de fi tas escoradas em ação, violência e efeitos especiais. Em pré-estreia neste sábado (19) em duas salas, o longa-metragem dirigido pela alemã Doris Dörrie deve chegar aos cinemas na sexta (25). Eis um belo e comovente presente de Natal.

A trama começa de forma bastante dramática. Trudi (a magnífi ca Hannelore Elsner) recebe uma estarrecedora notícia: seu marido, Rudi (Elmar Wepper), tem pouco tempo de vida. Aconselhada pelos médicos, ela o convence a sair da Bavária, onde moram num vilarejo, e espairecer numa visita aos fi lhos em Berlim. Omite dele o trágico destino. O sessentão Rudi, sistemático e de poucas palavras, ainda dá conta de seu emprego burocrático e não abre mão do cotidiano pacato, simples, regrado. Na capital alemã, o reencontro com Karolin, lésbica, e Klaus, casado e pai de duas crianças, será marcado por passagens embaraçosas, desconfortantes e de uma vivacidade ímpar.

Não convém ir além na história — aos quarenta minutos, ela dá uma guinada impactante e surpreendente. Pode-se dizer, contudo, que Rudi, numa temporada em Tóquio para morar com o caçula Karl (Maximilian Brückner), redescobrirá o prazer das pequenas coisas ao lado de uma jovem dançarina de butô (papel de Aya Irizuki). A diretora obteve certo sucesso por aqui nos anos 80 devido à comédia Homens. Aos 54 anos, mostra maturidade para falar, sem meias palavras, de velhice, solidão e morte. Embora o tema pareça deprimente, seu tratamento ganha certa leveza, seja em passagens bem-humoradas, seja na despretensão que só os realizadores experientes adquirem.

Hanami — Cerejeiras em Flor, de Doris Dörrie (Kirschblüten — Hanami, Alemanha/França, 2008, 127min). Pré-estreia nas salas Bourbon Espaço Unibanco 6 e Reserva Cultural 1. Estreia prometida para sexta (25).

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO