Passeio

Museu da Cidade: você já foi, mas provavelmente não sabe

Do Solar da Marquesa, no Centro, à Casa do Bandeirante, no Tatuapé, (re)descubra a instituição espalhada pelas cinco regiões da capital

Por: Julia Flamingo

Casa da imagem
Casa da Imagem: um dos palacetes mais bem conservados da cidade, data de 1889 (Foto: Divulgação)

É possível que você nunca tenha ouvido falar no Museu da Cidade, mas como todo bom paulistano, você já o conhece. Talvez tenha sido levado em um passeio da escola, visitado sem querer ou ido até ele sem ligar o nome ao local. Na verdade, o museu não é composto por um, mas por treze museus: do Solar da Marquesa, no centro, até a Casa do Bandeirante, no Butantã, está espalhado pelas cinco regiões da cidade.

Em comum, todas as casas são construções tombadas - ou seja, com grande relevância histórica e devem ser preservadas como um bem cultural do Estado (o que não quer dizer que todas estejam, efetivamente, bem conservadas). Além disso, elas são ligadas à Secretaria Municipal da Cultura e apresentam exposições de arte contemporânea, história, fotografia e objetos. A instituição passou a existir, efetivamente, em 2010. Porém, o projeto de sua criação existe desde 1936.

Saiba quais são cada uma das casas e as curiosidades sobre suas construções:

Mapa Museu da Cidade
(Foto: Veja São Paulo)

1) Solar da Marquesa

Solar da Marquesa de Santos
Solar da Marquesa de Santos: sede do Museu da Cidade abriga uma equipe de cerca de trinta pessoas (Foto: Divulgação)

Amante de Dom Pedro I, Domitila de Castro Canto e Melo, a marquesa de Santos morou no palacete entre 1834 e 1867. Ela fez deste elegante palacete um ponto de festanças e banquetes que não acabavam mais. Hoje, o espaço abriga o escritório do Museu da Cidade (onde trabalham cerca de trinta pessoas), no centro, e é, sem dúvidas, uma das casas antigas mais charmosas da cidade. Por lá passam mostras que vão desde a apresentação do acervo da marquesa até obras de arte contemprânea, como é o caso da exposição em cartaz, A medida do Tempo das Coisas, de Daniel Malva.

2) Beco do Pinto

Ali do ladinho, entre o Solar da Marquesa e a Casa da Imagem, fica o beco que ligava a antiga Rua do Carmo (hoje Roberto Simonsen) ao rio Tamanduateí. Há quem diga que era o caminho que os criados dos palacetes usavam para jogar fora dejetos dos banheiros - afinal, ainda não existia a privada.

3) Casa da Imagem

A mais bonita e bem conservada de todas as construções do Museu da Cidade, a casa atual é datada de cerca de 1889 e chamada também de Casa Número 1, numeração que recebeu ná época de sua fundação. A combinação entre o pé-direto alto, o piso de madeira e as paredes finamente decoradas fazem transportar para o século XIX. Até o final do mês de março, o palacete apresenta a exposição Por Debaixo do Pano, da fotógrafa Nair Benedicto.

4) Casa do Tatuapé

Casa do Tatuapé
Mais antiga construção pertencente à intituição (Foto: Divulgação)

Este é o exemplar mais antigo do Museu da Cidade: num inventário de 1698, consta a construção de um imóvel na região. No início do século XX virou residência de imigrantes e há alguns anos, na década de 1980, foi restaurada e aberta à visitação. Hoje, a construção de taipa de pilão tem seis cômodos e dois sótãos.

5) Monumento à Independência

Estranho pensar que o monumento também integra este time, mas, vá lá, ao menos tem alguém se preocupando pela sua conservação. A escultura foi criada em 1922, para comemorar o centenário da proclamação da independêcia. As últimas notícias que tivemos dele foi a abertura da cripta em que foram enterrados os restos mortais de Dom Pedro I, da Imperatriz Leopoldina e de Dona Amélia, segunda imperatriz do Brasil.

6) Casa do Grito

Casa do Grito
Casebre foi reformado de maneira que se parecesse com a casa retratada no quadro Independência ou Morte (Foto: Divulgação)

Este nome estranho, que remete à uma casa assombrada, tem ligação com o grito de independência retratado no quadro Independência ou Morte, de Pedro Américo. Na pintura, aparece um casebre parecido com esse, porém, como o registro mais antigo é de 1844, percebe-se que o movimento foi o contrário. No restauro da construção para as comemorações do IV Centenário, a casa localizada no Ipiranga passou a incluir elementos parecidos com a casinha retratada no quadro.

7) Sítio da Ressaca

Localizada no bairro do Jabaquara, o casebre branco com telhado de tijolos (alguns ainda originais) é uma construção de 1719: imagine o que tinha nessa época naquelas regiões - absolutamente nada! Era a sede de um sítio, cujo último proprietário chamava-se Antonio Cantarella, responsável pela urbanização da região, que transformou o lugar em chácara e realizou seu loteamento em 1969.

8) Casa Modernista

Casa Modernista
Primeira construção modernista do Brasil fica na Vila Mariana (Foto: Sylvia Masini)

O arquiteto de origem russa, Gregori Warchavchik criou este projeto para a primeira casa modernista do país. Construída em 1928, a casa é testemunho do intenso processo de urbanização e industrialização que ocorria na cidade na época. Foi Warchavchik a primeira pessoa a criar um braço do movimento modernista, criado em 1922, para a arquitetura. Destituída de qualquer ornamentação, a obra era tão impactante para a época que, para conseguir obter aprovação junto à prefeitura, Warchavchik apresentou uma fachada toda ornamentada, e quando concluiu a obra, alegou falta de recursos para completá-la.

9) Capela do Morumbi

Capela do Morumbi
Feita de taipa de pilão, a igrejinha recebe instalações de arte contemporânea (Foto: Divulgação)

A localização desta capelinha em plena Avenida Morumbi dificulta o acesso de quem chega de carro: estacione na via ao lado, Rua General Almério de Moura, 200, em frente à Casa de Vidro. Aproveite também para visitar este casa, que foi a residência da arquiteta Ítalo-brasileira Lina Bo Bardi. Depois da visita, ao chegar na igreja, você vai entender porque é um bem tombado: foi construída, também, por Gregori Warchavchik, em 1949, sobre ruínas de taipa de pilão do século XIX. Ela recebe diversas instalações de artistas contemporâneos, o que faz ser muito interessante observar a harmonia entre a antiga construção e intervenções atuais.

10) Casa do Sertanista

Atenção: a casa, localizada no Caxingui, está fechada para visitas por tempo indeterminado. Mas, a construção segue as mesmas características do Sítio da Ressaca, com arquitetura típica das casas bandeiristas.

11) Casa do Bandeirante

Construída, provavelmente, no final do século XVIII, a casa foi notada primeiramente por Mário de Andrade, na década de 1930: foi ele um dos primeiros a dizer que São Paulo e suas construções históricas mereciam um Museu da Cidade. Pena que ele não viveu para ver - sua ideia so saiu do papel quase 90 anos depois.

12) Sítio Morrinhos

Sítio Morrinhos
Localizado no jardim São Bento, o Sítio é a sede do Centro de Arqueologia de São Paulo (Foto: Divulgação)

O Sítio é um complexo composto por uma sede, construída no início do século XVIII, e por diversas construções anexas datadas da segunda metade do século XIX e início do século XX. Em 1902, o local foi levado a leilão e adquirido pelo Mosteiro São Bento. Era utilizado como chácara de descanso de seus membros durante os finais de semana. Repleto de jardins e árvores parece, mesmo, com um retiro espiritual. Hoje, abriga a sede do Centro de Arqueologia de São Paulo. A mostra Escavando o passado – arqueologia na cidade de São Paulo reúne materiais recolhidos em pesquisas arqueológicas realizadas em diversas regiões da cidade.

13) Chácara Lane

Chácara Lane
Chácara Lane, em plena rua da Consolação, fica ao lado da Universidade Mackenzie (Foto: Nelson Kon)

Esta casa amarelada passou a fazer parte do time do Museu da Cidade no último mês. Localizada em plena Rua da Consolação, ela remonta as origens da Universidade Mackenzie. Depois de sediar o Gabinete do Desenho, o casarão passou os três últimos anos fechado e agora é inaugurado com a exposição Guerra do Tempo da artista Marilá Dardot.

Fonte: VEJA SÃO PAULO