Teatro

'Mulheres que Bebem Vodka' traça retrato desolador da alma feminina

Tragicomédia reúne diferentes gerações de mulheres que trocam a Polônia pelo México em busca de uma nova vida

Por: Dirceu Alves Jr. - Atualizado em

Mulheres que Bebem Vodka
Patrícia Gasppar, Selma Egrei, Martha Nowill e Maria Manoella estão no elenco de Mulheres que Bebem Vodka (Foto: Edson Kumasaka)

Escrita pelo dramaturgo mexicano Victor Hugo Ráscon Banda, a tragicomédia Mulheres que Bebem Vodka é parente próxima da comédia ‘Casting’, do russo Aleksandr Galin, que volta ao cartaz nesta semana. Enquanto ‘Casting’ constrói a realidade dos órfãos do comunismo, ‘Mulheres’ usa a questão social — aqui a imigração e o desajuste político — apenas como ponto de partida. Embora presente em toda a trama, o tema é uma ponte para o autor se aprofundar na intimidade de cinco personagens.

São mulheres de diferentes gerações saídas da Polônia para fazer a vida no México. Velhas conhecidas e de relações obscuras, a produtora Ewa (Selma Egrei) e a jornalista Joanna (Patrícia Gasppar) se reencontram para selecionar as atrizes de um filme. Martha Nowill e Maria Manoella interpretam as duas candidatas, de formações diferentes e contraditórias. Também sonha com o estrelato a empregada de Ewa, interpretada por Regina França. Encenada de forma simples por Lígia Cortez, a peça monta um retrato desolador da alma feminina. A diretora concentrou forças nas interpretações. Martha Nowill e Maria Manoella estão divertidas, próximas da caricatura. A melhor do elenco, Selma Egrei vive uma ex-beldade símbolo sexual, hoje decadente e pessimista, que se vê diante de jovens despreparadas e, talvez, com um futuro ainda mais trágico que o seu.

AVALIAÇÃO ✪✪✪ 

Fonte: VEJA SÃO PAULO