Arte urbana

Grafiteiro faz sucesso ao pintar Mona Lisa dançarina nos muros de São Paulo

Professor de artes da rede pública de ensino adaptou musa de Da Vinci para fazer crítica a subcelebridades

Por: Felipe Neves - Atualizado em

monalisafunk3
Mona foi desenhada em banca em Santa Cecília (Foto: Reprodução/Facebook)

O grafiteiro e professor de artes Tiago Angelo Ramos da Silva nunca foi ao Louvre. Nem precisava. Conheceu a mais ilustre obra do assombroso museu parisiense, a Mona Lisa, de Leonardo da Vinci,  como grande parte do mundo: por meio de reproduções. E foi com uma delas que ele começou a fazer sucesso pelas ruas de São Paulo.

Grafite idêntico a Hugo Chávez causa polêmica na internet

Tiago, ou Tars, como resolveu ser chamado após inventar um acrônimo com suas iniciais, adaptou o rosto e o sorriso enigmáticos da Gioconda ao corpo de uma dançarina de vestido curto, coxas largas e salto alto. Em 2012, ele espalhou a figura pelas muros de Poá, cidade na Grande São Paulo onde vive e trabalha. O sucesso da figura foi imediato. Em pouco tempo, a imagem começou a se proliferar nas redes sociais. Não raro havia postagens de pedestres posando ao lado da obra-prima de Tars.

monalisafunk2
Desenho reproduzido no centro de São Paulo (Foto: Reprodução/Facebook)

A pose da Mona Lisa de Tars remete rapidamente a uma dançarina de funk. E foi assim que ela acabou sendo espalhada no Instagram, após ganhar as hashtags #monadofunk e #Monalisafunkeira. Apesar da fama, o autor nega que essa tenha sido a sua intenção.

"As pessoas interpretaram o desenho de outra forma. Ela não é necessariamente uma funkeira, mas, sim, uma representação dessa arte,  que glamouriza e chama de artista qualquer um que vá rebolar na TV. É uma crítica que eu faço a essas subcelebridades", afirma Tars. "Para chamar a atenção a esse tema, adaptei o rosto do quadro mais famoso do mundo a esse estereótipo comum em nossa sociedade."

Conheça Enivo, um dos grafiteiros mais atuantes da cidade

Funkeira ou não, o fato é que a Mona Lisa dançarina deixou as ruas de Poá e ganhou os muros da capital. Sozinho, o grafiteiro leva na bolsa o stencil que utiliza para reproduzir a imagem, o que já fez em quase todas as regiões da cidade. De São Miguel Paulista, na Zona Leste, ao Ibirapuera, na Zona Sul, passando pelo centro, inclusive em locais como a Praça da Sé e a Praça das Artes, Tars deixa sua marca.

Monalisa Funk
A Monalisa de Tars: grafiteiro uniu obra de Da Vinci com dançarinas (Foto: Reprodução/Facebook)

Professor do ensino médio na rede estadual, ele aproveita o know-how que possui para mostrar aos alunos o valor da arte de rua. “Sempre quando abordo o grafite eu ensino como é feito o stencil, como se desenha. Deixo eles tentarem. Também faço trabalhos comunitários pintando muros de escolas e realizando oficinas de grafite na periferia”.

Eduardo Kobra ganha projeção internacional com painéis no exterior

Mesmo distante do reforçado sistema de segurança que protege a obra de Da Vinci, a Mona Lisa está segura com Tars. Pixadores que costumam “atropelar” grafiteiros, pintando por cima de desenhos para marcar território, ainda não apareceram. “Em São Paulo, o pessoal tem respeitado bastante. O que é bom, pois vou continuar a espalhar a imagem por aí”. 

Fonte: VEJA SÃO PAULO