Trânsito

MetrôCiclista: sistema de empréstimo criado pelo Metrô paulista

Falta de ciclovias dificulta o uso do novo sistema de aluguel de bicicletas paulistano

Por: Lúcia Monteiro - Atualizado em

Quem estava em Paris em julho do ano passado se lembra do primeiro dia de funcionamento do Vélib (combinação de vélo, bicicleta, com liberté, liberdade). O sistema de aluguel de bicicletas da capital francesa foi lançado num fim de semana e a cidade parou para experimentá-lo. Muitas das então 700 estações em funcionamento ficaram sem bike para os interessados. Era essa experiência que eu tinha em mente quando aceitei o desafio de testar o MetrôCiclista, sistema de empréstimo criado pelo Metrô paulista, inaugurado na semana passada. Eu sabia que só encontraria vinte bicicletas disponíveis em cada uma das quatro estações que fazem parte do programa (Corinthians-Itaquera, Guilhermina-Esperança, Carrão e Sé). Por isso, quando cheguei a Itaquera, às 16h15 de terça (30), estava preparada para esperar bastante. Ledo engano. Fui a primeira usuária do dia. Tampouco houve locações na véspera, disseram-me os funcionários. No fim de semana, a procura havia sido maior: 23 saídas.

Acostumada com o esquema francês de self-service, achei a maior mordomia ser atendida por três moços simpáticos. Por aqui, pode-se optar entre dois modelos: o Sun, com cestinha e câmbio Yamada de dezoito marchas; e o Wave, com espelho retrovisor e câmbio Shimano de 21 marchas. Ambos são bem mais leves que os similares franceses, de 22 quilos (veja o quadro comparativo). Apesar das bicicletas à disposição, não saí pedalando imediatamente. O sistema de computador estava lento. Até colocar minha bolsa na cestinha da Sun foram 29 minutos. Mais ou menos o mesmo tempo que eu havia gasto em Paris para achar um vélo.

Chegar à estação Guilhermina-Esperança foi crepe com mel. Os 6 quilômetros iniciais da ciclovia Caminho Verde, às margens da Radial Leste, estão novinhos (foram inaugurados no fim do mês passado). Pequeno inconveniente: a ciclovia é feita com placas de concreto de cerca de 1 metro de comprimento e a bicicleta trepida a cada junção. Achei desconfortável, mas é porque eu não sabia o que me esperava. Na Vila Matilde, o Caminho Verde termina de repente. O jeito foi seguir pedalando por um trecho em obras, como em uma bicicross. Pensei em colocar a bike no asfalto, mas os ônibus passavam em alta velocidade. Em Paris, ônibus e ciclistas compartilham a mesma faixa. Para não assustarem quem pedala, os motoristas usam uma buzina suave.

O pior foram as inúmeras vezes que tive de atravessar alças de viadutos sobre a Radial Leste, sem nenhuma faixa de pedestre ou sinalização. Era o único jeito de passar da pista da direita para a da esquerda sem correr o risco de ser atropelada. Dezoito quilômetros e muitos solavancos depois, às 18h40 finalmente avistei a Catedral da Sé. Ela nunca me pareceu tão linda. Antes de voltar para casa, enfrentei o lento sistema de computador mais uma vez: quinze minutos para registrar a devolução do capacete e da valente Sun.

Fonte: VEJA SÃO PAULO