Teatro

Melhores peças em cartaz

Veja algumas montagens que valem o ingresso

Por: Veja São Paulo - Atualizado em

Um Bonde Chamado Desejo
'Um Bonde Chamado Desejo': direção de Rafael Gomes (Foto: Jefferson Pancieri)

*A seleção a seguir traz as peças que receberam as melhores cotações pelo crítico Dirceu Alves Jr..

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  • O imperdível drama do canadense Daniel MacIvor volta em curta temporada no Teatro Jaraguá. Sob a direção de Enrique Diaz, a montagem traz uma narrativa em três planos — o presente, o passado e a ficção, no caso, uma peça. Emílio de Mello e Fernando Eiras se revezam em dez personagens. Primeiro, eles são dois homens discutindo como levar um texto ao palco. A seguir, vem o espetáculo, sobre separação e morte. O ciclo se fecha com a exposição das questões pessoais da dupla, que reconstitui uma relação amorosa. Ao servir-se só da iluminação e de duas cadeiras, o diretor busca o mínimo e leva o máximo ao palco, em diálogos repletos de humor, ironia e lirismo. Estreou em 15/1/2010. Até 26/6/2016.
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  • De tempos em tempos, um espetáculo perdura na memória do público como uma experiência vivida. O ano de 2015, na sua exata metade, já desponta com um forte candidato a esse time cada vez mais seleto. Sob a direção de Rafael Gomes, Maria Luisa Mendonça protagoniza o drama de Tennessee Williams (1911-1983) na pele de Blanche Dubois. Enigmática, falida e em estado de permanente delírio, ela é uma professora obrigada a morar de favor na casa da irmã, Stella (a atriz Virginia Buckowski). Por lá, uma batalha repleta de tensão sexual é travada pelo cunhado, Stanley Kowalsky (interpretado por Juliano Cazarré, em substituição a Eduardo Moscovis), que decide investigar o passado renegado por ela. O que se vê no Tucarena é uma leitura arrebatadora e atemporal de uma história escrita em 1947. Seja na trilha sonora, com referências de George Gershwin, Beirut e Amy Winehouse, ou no cenário de André Cortez, que coloca um chiqueiro de madeira, como simbologia do cortiço onde vivem os personagens, circundado por um trilho, a montagem transmite contemporaneidade. Na mesma sintonia, Moscovis foge do estereótipo do brutamonte e constrói um antigalã amargurado pela vida, enquanto Virginia imprime segurança na doçura de Stella e Donizeti Mazonas, como o amigo de Kowalsky, é econômico na medida certa. A base para o sucesso, no entanto, se apoia na visceral representação de Maria Luisa. Em um transe permanente, a atriz descarta ficar limitada ao recorrente glamour e humaniza Blanche, valorizando a cada cena sua solidão e a óbvia sensação do fracasso. Fabrício Licursi, Fernanda Castello Branco e Matheus Martins completam o elenco. Estreou em 5/6/2015. Até 26/6/2016. + Leia entrevista com o diretor Rafael Gomes.
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  • Musical

    Wicked
    VejaSP
    9 avaliações
    Clássico da literatura infantil, O Mágico de Oz instigou o escritor americano Gregory Maguire a criar outra história ambientada na Terra de Oz, que se passa muito antes de Dorothy entrar em cena. Escrito em 1995, Wicked tornou-se um best-seller e virou um musical da Broadway visto por 48 milhões de pessoas antes de estrear por aqui. Fabi Bang interpreta a linda, rica, engraçada e envolvente Glinda, enquanto Myra Ruiz faz a esquisita Elphaba, que nasceu com a pele verde-esmeralda. A amizade da dupla, com direito a rivalidades, desencontros e muitos mal-entendidos por causa do amor do jovem Fiyero (André Loddi e Jonatas Faro revezam-se no papel), conduz a narrativa que termina por desvendar como uma se transforma em bruxa má e a outra em bruxa boazinha, amada pelos habitantes da Cidade das Esmeraldas. Depois de quase três horas de espetáculo, é difícil dizer o que impressiona mais. Os cenários e figurinos são impecáveis, o elenco formado por 34 atores que cantam e dançam (assim como os catorze músicos regidos pela mestrina Vânia Pajares) está afinadíssimo e as músicas não perderam sua graça ao ser vertidas para o português. Mas não há como negar: do início ao fim, os olhos e ouvidos da plateia estão entregues às protagonistas. Cheias de personalidade, e cada qual a seu modo, elas soltam a voz e fazem por merecer os papéis e os aplausos que recebem no fim de toda cena. Recomendado a partir de 6 anos. Estreou em 4/3/2016. Até 31/7/2016. + Saiba mais sobre os bastidores do musical
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  • Tragicomédia

    Fim de Jogo
    VejaSP
    Sem avaliação
    Prestes a completar seis décadas de carreira, o ator Renato Borghi, de 78 anos, convida o público para uma provocação incômoda e coerente com sua trajetória. Ele, que foi um dos fundadores do Teatro Oficina, montou peças engajadas nos anos 70 e descobriu os clássicos na maturidade, transformou a sala de visitas de seu apartamento, na Alameda Santos, em um teatro de bolso no mês de fevereiro. Dirigida por Isabel Teixeira, a tragicomédia Fim de Jogo, de Samuel Beckett (1906-1989), ganha nova temporada, desta vez no Sesc Vila Mariana. A trama, ambientada em uma trincheira pós-apocalíptica, traz o velho Hamm (interpretado por Borghi), cego, paralítico e dependente dos cuidados e da atenção de Clov (papel de Elcio Nogueira Seixas). Jovem e inquieto, este tem uma enfermidade que o impede de ficar sentado e pensa o tempo inteiro em ir embora de vez, abandonando o companheiro à própria sorte. No último ano, Borghi enfrentou problemas de coluna e, por um tempo, locomoveu-se em uma cadeira de rodas. Seixas, de 43, com quem mora no imóvel da Santos, é seu parceiro também nas empreitadas teatrais nos últimos 20 anos e apaga os incêndios do cotidiano. O cenário conserva alguns móveis antigos, estatuetas dos prêmios Molière e Shell, além de imagens do autor William Shakespeare e da cantora Dalva de Oliveira. Como contraponto aos dois protagonistas, os personagens Nell e Nagg, também habitantes do bunker, são representados por retratos de Maria de Castro e Adriano Borghi, pais do veterano ator e já mortos. Em um primeiro momento, o ponto de partida pode levar à melancolia. A dupla de atores, no entanto, ameniza o peso das situações e envolve o espectador, deixando à vontade, inclusive, para algumas risadas. Em um inegável depoimento pessoal, Borghi e Seixas são irônicos com as próprias tragédias de cada dia e convencem o público de que as complicações são convertidas em combustível criativo. Logo, enquanto houver resistência, o jogo não termina. Estreou em 14/1/2016. Até 17/6/2016.
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  • Comédia

    Histeria
    VejaSP
    Sem avaliação
    Jô Soares, com a sabedoria dos grandes diretores, prega uma pertinente cilada no respeitável público, ávido por gargalhadas. Escrita pelo inglês Terry Johnson, Histeria é uma divertida comédia, cheia de piadas e situações inesperadas. Só que por trás de cada cena está um tema pronto para provocar a plateia e, se não for pedir muito, fazê-la pensar um pouco na saída do teatro. Ambientada na Londres de 1938, a trama cria ficção em cima de um fato real. O psicanalista Sigmund Freud (interpretado por Pedro Paulo Rangel) enfrenta um câncer terminal e anda amedrontado com a perseguição nazista aos judeus. Fixa, então, residência na capital inglesa para enfrentar essa dura fase. A pedido de um amigo, ele interrompe o sossego e recebe o pintor espanhol Salvador Dalí (o ator Cassio Scapin), curioso para estabelecer pontes entre o surrealismo e a mente humana. Como se não bastasse, uma aloprada moça (papel de Erica Montanheiro) implora por uma consulta, mas, na verdade, quer decifrar um segredo que envolve sua família. Tudo é observado por um médico judeu (o ator Milton Levy), encarregado da saúde do protagonista. Assuntos densos são embalados como diversão. A intolerância disseminada pela iminente II Guerra Mundial traz à tona a luta feminista e a percepção sobre a depressão. Se Scapin cativa desde a entrada, Erica surpreende ao inserir escracho à dubiedade da personagem e Levy, com menores chances, se faz convincente. O destaque, no entanto, é Rangel, que imprime fragilidade e deboche no seu Freud baseado na delicada visão de Jô. Estreou em 6/5/2016. Até 31/7/2016.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO