Teatro

Melhores peças em cartaz

Veja algumas montagens que valem o ingresso

Por: Veja São Paulo - Atualizado em

Consertando Frank
Consertando Frank (Foto: Heloísa Bortz)

A seleção a seguir traz as peças que receberam as melhores cotações pelo crítico Dirceu Alves Jr..

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  • De tempos em tempos, um espetáculo perdura na memória do público como uma experiência vivida. O ano de 2015, na sua exata metade, já desponta com um forte candidato a esse time cada vez mais seleto. Sob a direção de Rafael Gomes, Maria Luisa Mendonça protagoniza o drama de Tennessee Williams (1911-1983) na pele de Blanche Dubois. Enigmática, falida e em estado de permanente delírio, ela é uma professora obrigada a morar de favor na casa da irmã, Stella (a atriz Virginia Buckowski). Por lá, uma batalha repleta de tensão sexual é travada pelo cunhado, Stanley Kowalsky (interpretado por Eduardo Moscovis), que decide investigar o passado renegado por ela. O que se vê no Tucarena é uma leitura arrebatadora e atemporal de uma história escrita em 1947. Seja na trilha sonora, com referências de George Gershwin, Beirut e Amy Winehouse, ou no cenário de André Cortez, que coloca um chiqueiro de madeira, como simbologia do cortiço onde vivem os personagens, circundado por um trilho, a montagem transmite contemporaneidade. Na mesma sintonia, Moscovis foge do estereótipo do brutamonte e constrói um antigalã amargurado pela vida, enquanto Virginia imprime segurança na doçura de Stella e Donizeti Mazonas, como o amigo de Kowalsky, é econômico na medida certa. A base para o sucesso, no entanto, se apoia na visceral representação de Maria Luisa. Em um transe permanente, a atriz descarta ficar limitada ao recorrente glamour e humaniza Blanche, valorizando a cada cena sua solidão e a óbvia sensação do fracasso. Fabrício Licursi, Fernanda Castello Branco e Matheus Martins completam o elenco. Estreou em 5/6/2015. Até 27/03/2016. + Leia entrevista com o diretor Rafael Gomes.
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  • No fim de outubro de 2012, a montagem da Velha Companhia estreou de mansinho no Instituto Cultural Capobianco. Fez-se, então, um boca a boca em torno do drama épico escrito e dirigido por Kiko Marques. Algo compreensível não apenas por sua história arrebatadora, que enfoca três gerações de uma família, mas também pela forma como a encenação simples reproduz a trama ambientada na Ilha Grande, no litoral fluminense. No fim da década de 20, a garotinha Magnólia (a atriz Virgínia Buckowski) conhece um rapaz crescido (o ator Marcelo Marothy), e os dois se apaixonam. A Revolução de 30 e o Estado Novo afastam a possibilidade de um reencontro, e ela se casa com outro. Quem traz essa história à tona — e suas consequências trágicas — é o ator Walter Portella, na pele de um narrador que representa um barco. Efeitos especiais ou recursos sofisticados são dispensados. Em cena estão dois músicos e doze atores, entre eles entre eles Alejandra Sampaio, Marcelo Diaz, Marcelo Laham, Maurício de Barros, Patrícia Gordo e o autor e também diretor. Estreou em 29/10/2012. Até 15/2/2016.
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  • Bom mesmo é o teatro capaz de espelhar na ficção elementos da realidade sem maiores esforços. Escrito em 2001 pelo americano Ken Hanes, o drama dirigido por Marco Antônio Pâmio parece ter saltado dos recentes noticiários para promover um amplo debate de ideias. Chico Carvalho interpreta o jornalista Frank Johnston, acostumado a abordar temas frívolos em suas reportagens. Persuadido pelo namorado, o psicólogo Jonathan (papel de Rubens Caribé), ele disfarça-se de paciente a fim de denunciar um psicoterapeuta (representado por Henrique Schafer) que teria desenvolvido um método de reversão da homossexualidade. Não demora a perceber que em tudo há dois pesos e duas medidas e, muitas vezes, ele mesmo é vítima de manipulação em sua rotina pessoal. Se, à primeira vista, a sinopse sugere um prato cheio para despertar polêmicas ou levantar bandeiras, a montagem resulta em um painel abrangente sobre o comportamento humano. A falada “cura gay” é só uma entre tantas questões retratadas pelo bom trio de atores. Vigoroso, Carvalho transforma-se gradualmente, de acordo com as perturbações dos personagens. Caribé alterna carisma e dissimulação, enquanto Schafer defende com tal empenho o personagem mais difícil do texto que chega a convencer o público de suas motivações. Estreou em 7/3/2015. Até 13/3/2016.
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  • Cultuado no meio teatral, o dramaturgo e roteirista americano Tracy Letts tem a obra divulgada no Brasil muito mais pelo cinema. Os dramas Álbum de Família, protagonizado por Meryl Streep e Julia Roberts, e Killer Joe – Matador de Aluguel, com Matthew McConaughey, são adaptações de densas peças de sua autoria. Escrito em 1991, o original desse último filme ganha a primeira encenação brasileira em uma eletrizante e vigorosa montagem dirigida por Mário Bortolotto. Perseguido por traficantes, um jovem (papel de Gabriel Pinheiro) elabora um plano para salvar a própria pele e envolve a família na jogada. Para isso, ele contrata um matador de aluguel (Carlos Carcarah), que se encanta com a irmã do rapaz (Ana Hartmann, que se reveza com Gabriella Spaciari) e passa a conviver com o pai (o ator Fernão Lacerda) e a madrasta deles (Aline Abovsky). Fracassados por natureza e sem chance de redenção, os personagens de Letts se adaptam perfeitamente ao universo de Bortolotto, que não economiza no realismo e extrai surpreendentes interpretações do elenco. Trata-se de uma história destinada a quem tem estômago forte, levada ao palco com similar intensidade. Estreou em 13/6/2014. Até 10/3/2016.
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  • Tragicomédia

    Fim de Jogo
    VejaSP
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    Prestes a completar seis décadas de carreira, o ator Renato Borghi, de 78 anos, convida o público para uma provocação incômoda e coerente com sua trajetória. Ele, que foi um dos fundadores do Teatro Oficina, montou peças engajadas nos anos 70 e descobriu os clássicos na maturidade, transforma a sala de visitas de seu apartamento, na Alameda Santos, em um teatro de bolso. Dirigida por Isabel Teixeira, a tragicomédia Fim de Jogo, de Samuel Beckett (1906-1989), é apresentada para trinta espectadores, que saem da sede do Itaú Cultural e são encaminhados até o local pela produção. Poderia ser apenas mais um espaço cênico alternativo na cidade não fosse o diálogo entre a peça e o momento pessoal de Borghi. A trama, ambientada em uma trincheira pós-apocalíptica, traz o velho Hamm (interpretado por Borghi), cego, paralítico e dependente dos cuidados e da atenção de Clov (papel de Elcio Nogueira Seixas). Jovem e inquieto, este tem uma enfermidade que o impede de ficar sentado e pensa o tempo inteiro em ir embora de vez, abandonando o companheiro à própria sorte. No último ano, Borghi enfrentou problemas de coluna e, por um tempo, locomoveu-se em uma cadeira de rodas. Seixas, de 43, com quem mora no imóvel da Santos, é seu parceiro também nas empreitadas teatrais nos últimos 20 anos e apaga os incêndios do cotidiano. O cenário conserva alguns móveis antigos, estatuetas dos prêmios Molière e Shell, além de imagens do autor William Shakespeare e da cantora Dalva de Oliveira. Como contraponto aos dois protagonistas, os personagens Nell e Nagg, também habitantes do bunker, são representados por retratos de Maria de Castro e Adriano Borghi, pais do veterano ator e já mortos. Em um primeiro momento, o ponto de partida pode levar à melancolia. A dupla de atores, no entanto, ameniza o peso das situações e envolve o espectador, deixando à vontade, inclusive, para algumas risadas. Em um inegável depoimento pessoal, Borghi e Seixas são irônicos com as próprias tragédias de cada dia e convencem o público de que as complicações são convertidas em combustível criativo. Logo, enquanto houver resistência, o jogo não termina. Estreou em 14/1/2016. Até 28/2/2016.
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  • Sediado na Vila Maria Zélia, o Grupo XIX de Teatro retoma o diálogo com a arquitetura da antiga vila operária do Belém. O novo espetáculo, Teorema 21, é encenado nas ruínas da escola, hoje desativada, onde estudavam os filhos dos moradores no começo do século passado. A degradação da instituição colabora para fortalecer a metáfora da adaptação criada por Alexandre Dal Farra em torno da obra homônima do cineasta italiano Pier Paolo Pasolini (1922-1975) dirigida por Luiz Fernando Marques. Se a ambientação remete ainda às arenas das tragédias gregas, o ótimo elenco adota um realismo extremo para mostrar a derrocada moral sem freios de uma família burguesa. No drama, um casal (interpretado por Ronaldo Serruya e Juliana Sanches) volta com os filhos (vividos por Bruna Betito e Paulo Celestino) e a empregada (a atriz Janaina Leite) ao seu antigo lar e nada parece surpreender a rotina. A chegada de um estranho (o ator Rodolfo Amorim), que seduz um a um dos moradores, gera um atrito irremediável nessas relações. O clima de tensão não dá trégua ao espectador, assim como a crueza das cenas de violência e sexo. Em registros calculados, os atores dosam cada uma dessas intensões, evoluindo da apatia para a perplexidade até chegar algumas vezes ao desespero. Mesmo que os artistas transitem em torno do público, acomodado em banquinhos no cenário, o diretor Luiz Fernando Marques teve o cuidado para que não haja uma interação maior. A mensagem já é forte e pesada o suficiente para se exigir mais do espectador. Estreou em 22/1/2016. Até 5/3/2016.
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  • Personagem cobiçada por muitas intérpretes, Blanche Dubois é a protagonista de Um Bonde Chamado Desejo (1947) — e já foi representada no Brasil por Eva Wilma, Tereza Rachel e Leona Cavalli, entre outras. A peça do americano Tennessee Williams (1911-1983) e a devoção por Blanche inspiraram o autor Jarbas Capusso Filho a criar este bem-sucedido drama. Estela (Inês Aranha, em atuação intensa) é uma atriz frustrada por ter perdido o papel dos seus sonhos que vive trancada em casa e afogada na bebida. Ela disfarça o ostracismo através da imaginação fértil e contrata um michê (Daniel Morozetti) para ouvir seus delírios. O rapaz não tarda a também expor fragilidades e tem início um jogo de realidade e ficção sem limites claros. Sob a direção de Renato Andrade, Inês e Morozetti fazem um dueto afinado e conquistam a intimista plateia em um triunfo da simplicidade e da boa dramaturgia. Estreou em 4/7/2014. Até 28/2/2016.
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  • Tragédia

    Otelo
    VejaSP
    2 avaliações
    Teatro é arte, mas também dá muito trabalho e, às vezes, pouco retorno. Então, não é raro ver atores em cena guiados pelo piloto automático e tão espontâneos quanto um robô. Concebida e dirigida por Debora Dubois, a encenação da tragédia de William Shakespeare sobre o ciúme chama atenção justamente pelo contrário. O elenco de nove atores se entrega a essa história com uma energia capaz de contagiar a plateia – e essa garra é perceptível na forma como cada um dá o texto da fluente tradução de Maria Silvia Betti. Na trama, o general Otelo (interpretado por Samuel de Assis) torna-se alvo da inveja de Iago (representado por Rafael Maia, principal destaque do grupo), preterido no cargo de tenente em favor de Miguel Cássio (o ator Cesar Figueiredo). Revoltado e sem escrúpulos, Iago constrói uma teia de intrigas que leva o personagem-título a acreditar que sua mulher, a doce Desdêmona (vivida por Mel Lisboa), é uma adúltera e pode estar envolvida com Miguel Cássio. Concretizado através de 27.000 reais captados em um site financiamento coletivo, o espetáculo volta ao cartaz no Teatro Faap na quarta (20/01/2016) depois de duas bem-sucedidas temporadas na cidade. Com Ricardo Monastero, Glaucia da Fonseca, Yael Pecarovich, Antonio Ranieri e Marcio Guimarães. Estreou em 11/8/2015. Até 25/2/2016.
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  • Lançado discretamente no começo de novembro, na pequena Sala Piscina do Viga Espaço Cênico, o drama de suspense Roleta-Russa se tornou uma das melhores surpresas do fim de 2015. O diretor César Baptista criou uma versão teatral do romance Suicidas, de Raphael Montes, e o resultado é uma vigorosa montagem, que ganha nova temporada, em janeiro, no Espaço Parlapatões. Capaz de prender a atenção do público, a trama enfoca nove universitários, sem maiores problemas pessoais ou financeiros, reunidos em uma casa de campo para um final de semana. Por lá, eles se provocam, usam drogas, dedilham instrumentos musicais e apelam para uma brincadeira com uma arma de fogo. As regras do jogo podem levar a um suicídio coletivo que, em um primeiro momento, todos tinham consciência. Como adaptador, Baptista mostrou um entendimento incomum das diferentes linguagens. Ele transporta a história para o palco com recursos narrativos que facilitam a compreensão do público. O uso de áudios, por exemplo, explica a ação e embaralha propositadamente a noção de tempo. O clima de tensão, tão difícil de ser mantido, também se sustenta ao longo de duas horas graças ao vigoroso time de atores, entre eles Helio Souto, Dan Rosseto, Diogo Pasquim e Felipe Palhares. Se o numeroso elenco de nove artistas não chega a ser uniforme na dramaticidade, pelo menos todos mostram garra para contar uma história e, na maioria das vezes, isso faz a diferença para alcançar um objetivo. Estreou em 7/11/2015. Até 26/2/2016.
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  • Monólogo dramático

    O Testamento de Maria
    VejaSP
    1 avaliação
    Parece óbvio, mas não custa ressaltar. Na montagem de um solo, mais importante que a concepção do diretor é a embocadura emprestada pelo intérprete ao personagem. Atriz de peculiar força cênica, Denise Weinberg funde sem trégua sua marcante personalidade a da emblemática figura central do monólogo dramático O Testamento de Maria. Grande atrevimento, afinal, trata-se da mais famosa de todas as que atendem por esse nome, a mãe de Jesus. Ela surge consumida pela angústia e com dificuldade para entender as opções feitas pelo filho recém-crucificado. Escrito pelo irlandês Colm Tóibin com base em seu romance homônimo, o texto despertou polêmica na Broadway e ganha encenação brasileira sob o comando de Ron Daniels. O cenário mínimo traz apenas uma cadeira. Logo após a morte do filho, Maria está exilada em Éfeso porque, dizem, também corre risco de vida, e destrata os discípulos que insistem em visitá-la. Em sua visão, são todos maus elementos que contribuíram para o fim trágico do rebento. O percussionista Gregory Slivar, presente no palco, pontua as falas da intérprete, conferindo uma atmosfera típica das tragédias. Conduzida por Daniels, Denise humaniza tanto a personagem que praticamente abre mão da emoção. Na dor de sua Maria impera a revolta, como a de qualquer mãe em situação semelhante, e o público precisa compreendê-la com a razão para, enfim, se deixar levar por um sentimento de comoção. Estreou em 7/1/2016. Até 13/2/2016.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO