Mobilidade

Buraco, lixo e até barraca de pastel são obstáculos para ciclovias

Percorremos os mais de 200 quilômetros das vias exclusivas para bicicletas na capital. Confira os destaques negativos e positivos em quesitos como segurança e conservação

Por: Felipe Neves e Juliene Moretti

A reportagem de VEJA SÃO PAULO percorreu os mais de 200 quilômetros de ciclovias espalhados pela cidade. Confira os destaques negativos e positivos em sete quesitos:

CONSERVAÇÃO

A maior parte das vias apresenta falhas na aplicação (ou manutenção) da tinta vermelha, que desaparece ao longo dos trajetos. É o caso, por exemplo, da VilaAndrade/Vila Sônia, cuja coloração sumiu em diversos pontos apenas um mês após sua inauguração, em dezembro passado. No Parque Ecológico do Tietê, o usuário é obrigado a sair da pista para desviar da mata que invadiu a faixa e ainda encontra sinalização danificada. Entre as de melhor estado incluem-se a Faria Lima, de 2012,e a Abel Ferreira, no Tatuapé, de agosto passado, com pintura e placas intactas.

Destaque negativo: Pq. Ecológico do Tietê Destaque positivo: Abel Ferreira

ciclovia afonso de sampaio
Avenida Afonso de Sampaio e Sousa, em Itaquera: degrau inusitado (Foto: Felipe Neves)

 

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DESNÍVEIS

Em determinadas regiões, as imperfeiçõesda pista obrigam o ciclista a diminuir avelocidade e dobrar a atenção. No trecho 2 da Escola Politécnica, essas irregularidades formam depressões acentuadas em pelo menos dois lugares. No Parque do Carmo, na Zona Leste, uma elevação chega a criar uma inusitada rampa bem no meio de uma das faixas. Outra que exige cuidados nessa mesma região é a Adutora Rio Claro, com sequências de falhas em meio a ladeiras íngremes.

Destaque negativo: Adutora Rio Claro Destaque positivo: Faria Lima

 

FLUIDEZ

É possível manter bom ritmo na maioria das rotas, mesmo em trajetos com muitos semáforos, como a Liberdade/Vergueiro. O fluxo só é interrompido nas vias com excesso de cruzamentos, como a JardimHelena/São Miguel, na Zona Leste. No trecho 1 da Chácara Santo Antônio, na Zona Sul, um caso similar, é necessário descer da bicicleta para fazer as travessias. Com as obras do monotrilho, o usuário precisa galgar escadarias ao chegar às pontes João Dias e Cidade Jardim para acessar a margem oeste do Rio Pinheiros.

Destaque negativo: Jd. Helena/São Miguel Destaque positivo: Radial Leste

 

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ciclovia cambuci
Rua Teodureto Souto, no Cambuci: pastel no meio da ciclovia toda quinta-feira (Foto: Felipe Neves)

OBSTÁCULOS

Apesar das faixas segregadas, os carros continuam interrompendo o caminho das bicicletas. Em trechos da Jaguaré e da Jabaquara, os automóveis invadem a área exclusiva dos ciclistas com frequência para realizar conversões em cruzamentos. Mas um desses absurdos mais curiosos é o registrado no Cambuci, onde as barracasde uma feira livre instalam-se toda quinta-feira sobre a ciclovia da Rua Teodureto Souto. Um raro exemplode boa prática para evitar acidentes ocorreno trecho 1 da Escola Politécnica, na ZonaOeste, onde a prefeitura demarcou os postes e as árvores com faixas brancas.

Destaque negativo: Cambuci Destaque positivo: Escola Politécnica 1

 

ciclovia anhaia mello
Avenida Professor Luiz Ignácio de Anhaia Mello, na Vila Prudente: asfalto destroçado (Foto: Felipe Neves)

PAVIMENTAÇÃO

O problema mais recorrente é o asfalto rachado e com buracos (no alto, fotono Monotrilho, na Zona Leste). Como a maioria das rotas só foi pintada e sinalizada, sem ter sido recapeada, o ciclistaé forçado a encarar as trepidações originais das ruas, usualmente péssimas. Em uma situação frequente, a camada mais recentede asfalto termina antes da calçada, o que forma canaletas perto do meio-fio e aumenta bastante o risco de queda. No Parque do Carmo, além das rachaduras, os remendos prejudicam o circuito.

Destaque negativo: Parque do Carmo Destaque positivo: Rio Pinheiros

 

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ciclovia eliseu de almeida
Avenida Eliseu de Almeida: uma das rotas mais seguras (Foto: Fernando Moraes)

SEGURANÇA

Disputar espaço com pedestres, pedalar próximo a carros ou desviar para o meioda rua por causa de veículos estacionados, como no Jaguaré. Esses são alguns dos desafios comuns em nossas ciclovias. Na do Jabaquara, na Zona Sul, é obrigatório pedalar bem próximo à calçada, por causa da sensação de insegurança provocada pela alta velocidade dos automóveis que trafegam rente à faixa. Alguns centímetros para o lado podem significar um choque contra um retrovisor. Em vias do centro, a circulação ocorre em meio aos pedestres, como na Praça da Sé ou na calçada da Avenida São Luís. Nessa situação, torna-se indispensável o uso de uma campainha na bicicleta para chamar a atenção dos transeuntes.

Destaque negativo: Centro Etapa 5 Destaque positivo: Eliseu de Almeida

 

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UTILIDADE

As ciclovias podem ser o caminho maisrápido para se movimentar pela capital.É o caso da Faria Lima, que liga Pinheirosao Itaim, e da Vila Andrade/Vila Sônia,ambas na Zona Oeste e em ruas geralmente congestionadas. Não é o que ocorre na de Mirandópolis, na Zona Sul. Com apenas 200 metros de extensão, ela acompanha um quarteirão da Rua Guapiaçu até a Avenida José Maria Whitaker. Na de Santa Luiza deMarillac, na Zona Norte, os 700 metros  de pista apenas circundam o parque da região.Ou seja, liga nada a lugar nenhum.

Destaque negativo: Mirandópolis Destaque positivo: Vila Andrade/Vila Sônia

Fonte: VEJA SÃO PAULO