Música

Confira a cobertura do segundo dia de Lollapalooza

Os principais shows, clima dos bastidores e muito mais

Por: Redação VEJASÃOPAULO.COM - Atualizado em

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O segundo dia do Lollapalooza, um dos principais festivais de música que ocorrem na cidade, começou tranquilo, sem fila na retirada dos ingressos e com um número maior de PMs ao redor do  Jockey Club. Quem tentou comprar tíquetes na hora, também conseguiu sem grandes problemas.

A organização do evento contornou as esperas na bilheteria e tendas alimentação ocorridas no primeiro dia. Neste sábado (30), que teve público estimado de 55 mil pessoas (4 mil a mais que a noite anterior), a lama já tinha diminuído bastante e o sol apareceu com força. Houve, entretanto, algumas falhas técnicas: o som embolado prejudicou os shows do Alabama Shakes e de Gary Clark Jr., no palco Alternativo, e do The Black Keys, no Cidade Jardim. Neste segundo espaço, aliás, as grades sem sinalização se tornaram obstáculos perigosos para os frequentadores.

As "faltas", entretanto, não acabaram com a felicidade dos visitantes. Apresentações memoráveis - como as da banda Queens of the Stone Age e do rapper Nas, tomaram os gramados em noite de frio contornável.

O cantor e produtor americano Toro Y Moi, que abriu o dia na arena principal, deixou no passado as más lembranças de sua última performance na capital, no Planeta Terra de 2010. Alabama Shakes também foi uma das boas surpresas do festival. E o Franz Ferdinand deixou gostinho de quero mais.

Confira abaixo a cobertura dos principais shows do sábado (30):

 

  • THE BLACK KEYS – 21h30 às 22h50 (palco Cidade Jardim)

Depois dos shows do guitarrista Gary Clark Jr. e da banda Alabama Shakes, nada mais coerente que fechar o segundo dia de Lollapalooza com uma banda que também vai buscar inspiração no blues rock, ainda que com uma pegada de garagem. O primeiro show brasileiro da dupla Dan Auerbach (voz e guitarra – por quem as meninas suspiram) e Patrick Carney (o nerd da bateria), que no palco são acompanhados por mais dois músicos, teria impressionado ainda mais se o som do palco Cidade Jardim não estivesse tão abafado (em alguns momentos, era impossível ouvir o som dos pratos da bateria e, ao mesmo tempo, os graves poderosos do palco Perry – onde tocava Steve Aoki – invadiam o ambiente, confundindo o show dos rapazes). O público, por diversas vezes, implorou aos gritos “u-u! aumenta o som”.

Na segunda metade da apresentação, marcada por faixas mais longas e morosas, uma parte da plateia preferiu abandonar o Jockey um pouco mais cedo, vencida pelo cansaço e pela lama. Apesar das expectativas altíssimas criadas pelo duo, que despontou em grandes festivais com os discos recentes Brothers (2010) e El Camino (2011), só os fãs devem ter considerado este o grande show da noite – o Queens of the Stone Age, por exemplo, preparou um repertório mais enxuto e potente. Difícil ignorar, contudo, o empenho de Dan e Patrick. Eles suaram, conversaram, agradeceram, se esforçaram. O resultado apareceu principalmente no finalzinho da apresentação, antes do bis, quando os americanos de Ohio apelaram para as incendiárias – e já conhecidas por aqui - Tighten Up e Lonely Boy. (Mayra Maldjian, Milena Emilião e Tiago Faria)

Lollapalooza 2013 - Sábado - Cirolo (Raul Aragão-Divulgação)
Criolo, uma das últimas apresentações do 2º dia do Lollapalooza 2013 (Foto: Raul Aragão/Divulgação)
  • Criolo - 20h05 às 21h20 (palco Alternativo)

Em show sem novidades, o cantor e rapper paulistano arrebanhou o público recém-saído do Queens of the Stone Age, no palco Cidade Jardim, e Nas, na tenda Perry. Dez minutos antes do previsto, surgiu à frente de sua banda entoando Mariô. Cantou durante cerca de uma hora faixas de seu segundo disco, o celebrado Nó na Orelha (2011), entre elas Não Existe Amor em SP, Lion Man e Grajauex. Bastante alto, o som estava com uma qualidade bem melhor do que a das apresentações anteriores. Sem grandes intervenções, Criolo gritou "Fora, Feliciano" e mandou mensagens de amor e paz. Saiu, como sempre, ovacionado. (Mayra Maldjian)

Lollapalooza 2013 - Sábado - Queens of the Stone Age (4) (Dave Mead-Divulgação)
Josh Homme, à frente do Queens of the Stone Age, no 2º dia do Lollapalooza2013 (Foto: Dave Mead/Divulgação)

 

  • QUEENS OF THE STONE AGE - 18h45 - 19h50 (palco Cidade Jardim)

Um dos shows mais esperados do segundo dia de Lollapalooza foi marcado por um contraste curioso: para cada hit sombrio do Queens of the Stone Age, o público ganhou um comentário divertido e alegre do vocalista Josh Homme, candidato a Mr. Simpatia da edição do festival. "Hoje vamos nos divertir", ele avisou, no comecinho da apresentação. Missão cumprida. Não decepcionou quem esperava ouvir algumas das músicas mais conhecidas da banda americana, como The Lost Art of Keeping a Secret e No One Knows, que abriram o repertório. A única surpresa foi a nova My God is the Sun, que entrará no disco ...Like Clockwork. Homme interpretou a inédita como quem pede desculpas por fugir um pouquinho do script. Em vez de assombrar a plateia (como fez o Flaming Lips, na noite de sexta), um dos mentores do "stoner rock", um dos subgêneros mais densos do rock alternativo do fim dos anos 90, se comportou como um gentleman. "Hoje a noite está linda. Conheça alguém, se apaixone", disse. Não parecia combinar com o espírito soturno de faixas como Sick, Sick, Sick, mas quem reclamaria de um anfitrião tão boa-praça? (Tiago Faria)

Lollapalooza 2013 - Sábado - Nas (3) (Victor Nomoto-Divulgação)
Nas abriu o coração no 2º dia do Lollapalooza e dedicou uma música à ex-mulher, a também cantora, Kelis (Foto: Victor Nomoto/Divulgação)

 

  • NAS – 18h30 às 19h30  (palco Perry)

Uma hora foi pouco para Nas. Saudado aos gritos pelo público após um mini set de seu DJ, o rapper do Queens tentou equilibrar músicas de seu último disco, Life is Good, do ano passado, com os aclamados hinos de Illmatic, álbum de estreia lançado em 1994. Deu certo, mas os fãs queriam mais. Acompanhado de um baterista versátil (ele também cantava e fazia dobras), Nas metralhou a plateia com It Ain´t Hard to Tell, Life is a Bitch e If I Ruled the World (com o indispensável refrão de Lauryn Hill). “Cadê o povo do hip-hop?”, gritou. Estavam todos lá, emocionados. Hate Me Now, do disco I Am... (1999), Made You Look, de God´s Son (2002) e One Mic, de Stillmatic (2001), tudo cantado a plenos pulmões. A devoção dos fãs emocionou um dos maiores rappers do mundo. “São Paulo, eu te amo” soou bastante sincero. E por falar em sincero, Nas se abriu e dedicou Bye Baby, do último álbum, a sua ex-mulher, a cantora de r&b Kelis. O tempo esgotou-se, ele também queria mais. (Mayra Maldjian)

Lollapalooza 2013 - Sábado - Franz Ferdinand (2)(Ivan Pacheco-Veja
O vocalista do Franz Ferdinand, Alex Kapranos: altos e baixos no show de hoje (Foto: Ivan Pacheco/Veja.com)

 

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  • FRANZ FERDINAND - 17h30 às 18h45 (palco Butantã)      

O sol gostoso que brilhava no Two Doors Cinema Club começou a se esconder atrás das primeiras nuvens que vieram para ficar. Ansiosos, os fãs precisaram esperar um minuto a mais do que o marcado para ouvir os primeiros acordes de No You Girls. Daí para a frente, uma novidade era intercalada com algum sucesso, entre eles, Michael, Matinee e Do You Want. As músicas novas serviram para aumentar a expectativa sobre o próximo álbum dos escoceses (que deve ser tão dançante quanto os anteriores), mas esfriaram um pouco o show. No fim, a já conhecida reunião entorno da bateria para uma festa percursional, e uma versão diferente para I Can't Stop Feeling. Com This Fire, o público pulou, cantou, enlouqueceu. Mas ficou com um gostinho de quero mais -- o fogo não queimou tanto assim pela cidade. (Milena Emilião)

Lollapalooza 2013 - Sábado - Alabama Shakes (8)
Brittany Howard, do Alabama Shakes: boa surpresa do festival (Foto: Ivan Pacheco/Veja.com)
  • ALABAMA SHAKES - 17h30 às 18h30 (palco Alternativo)

O primeiro e único disco do quarteto americano, Boys & Girls, de 2012, tem apenas 36 minutos de duração. Parece muito pouco, mas no palco a banda consegue engrandecer cada uma dessas faixas com um tempero infalível: o vozeirão da carismática Brittany Howard, que não veio ao Lollapalooza a passeio. De óculos fundo-de-garrafa, cabelo escovado e empunhando uma guitarra, ela não economizou firulas vocais para transfomar músicas como Hold On e Be Mine em celebrações com um quê gospel. Tomou o palco de tal forma que ofuscou a sua banda. Pudera. Está correto quem nota que a sonoridade do grupo carece de marcas mais fortes - eles fazem apenas mais uma releitura sem muitas novidades do blues-rock dos anos 70. Mas, no gogó, em uma performance por vezes emocionante, Brittany fisgou uma plateia que poderia ter debandado para o show do Franz Ferdinand, repleto de hits, ali no palco ao lado. Um das revelações mais elogiadas de 2012, o Alabama Shakes já entra na lista das boas surpresas do Lollapalooza. (Tiago Faria)

Lollapalooza 2013 - Sábado - Two Door Cinema Club (3)-  (Fernando Schlaepfer-Divulgação)
Two Door Cinema Club: o rock de bandas como The Killers e Franz Ferdinand não acabou (Foto: Fernando Schlaepfer/Divulgação)
  • TWO DOOR CINEMA CLUB - 16h30 às 17h30 (palco Cidade Jardim)

O trio irlandês é uma máquina de animar festinhas de rock. A fórmula da banda, que prevê hits curtinhos e potentes, de no máximo 4 minutos, combina à perfeição com as pistas dos inferninhos mais abafados. No Lollapalooza, eles mostraram que esse esquema muito simples (e eficiente, quase sempre) também pode funcionar em espaços mais amplos - basta aumentar a velocidade e o peso de faixas com pinta de hit. O público respondeu com euforia a músicas que, entre o pós-punk e o pop, convidam até o moderninho mais aborrecido a cair na gandaia. O tempo ensolarado - que deixou o vocalista ruivo Alex Trimble com look de pimentão -, combinou com a atmosfera despretensiosa do grupo. Apesar de nada originais, eles defendem com energia faixas agradáveis como Sleep Alone e Next Year. Lembra daquela geração que, no início dos anos 2000, rebolava ao som de Franz Ferdinand, The Killers, Kaiser Chiefs e The Hives (todas escaladas para o Lolla deste ano)? O Two Door Cinema Club prova que aquela festa ainda não terminou. (Tiago Faria)

Lollapalooza 2013 - Sábado - Gary Clark Jr
Cary Clark Jr., uma das revelações deste ano (Foto: Raul Aragão/Divulgação)

 

  • GARY CLARK JR.  – 15h30 às 16h30 (palco Alternativo)

Aposta do festival, Gary Clark Jr. correspondeu, e muito, às expectativas. E nem precisou de muito esforço. Virtuose da guitarra, o músico de Austin, Texas, posicionou-se à frente do palco pontualmente às 15h30 e deu início a um solo de cerca de dez minutos. Foi recebido calorosamente, como um velho conhecido do público. O sol castigava, mas ninguém arredou o pé dali. Tranquilo e confiante, “o próximo Hendrix” ou “o salvador do blues”, como ficou conhecido ao redor do mundo, tocou baladas, rockabilly e levantou a plateia com um cover de (I Can´t Get No) Satisfaction, tudo amarrado numa aura coerentemente cool. O blues rock, inclusive, dá o tom deste segundo dia de Lollapalooza, representado também por outra aposta, o Alabama Shakes, e a principal atração, The Black Keys. (Mayra Maldjian)

Show do Toro y Moi - Lollapalooza 2013
Toro y Moi: show memorável após tropeço no Planeta Terra, em 2010 (Foto: Mayra Maldjian)

 

  • TORO Y MOI - 14h30 às 15h25 (palco Cidade Jardim)

Desta vez nada deu errado para Chaz Bundick, o Toro y Moi. Depois de uma performance prejudicada por falhas técnicas no festival Planeta Terra, há dois anos, o precursor do chillwave mostrou um show redondinho, crescente. Ao teclado, o produtor da Carolina do Sul intercalou canções de seus três discos de estúdio: a ensolarada Talamak, de Causers of This, de 2010, uma das primeiras do repertório, Still Sound, de Underneath the Pine, de 2011, e Say That, do recém-lançado Anything in Return, de 2013, marcaram, nesta ordem, os melhores momentos. À frente de uma banda afinadíssima, formada por baixo, bateria e guitarra, Bundick pegou pesado (no bom sentido) no groove, que a certa altura mergulhou na psicodelia para, mais tarde, voltar macio ao clima inicial. Com um black power muito maior do que o de costume, a camisa azul abotoada até o gogó e óculos escuros vintage, o tímido músico interagiu pouco com o público, o que foi ótimo para manter o delicioso ritmo do início ao fim. Inesquecível. (Mayra Maldjian)

Fonte: VEJA SÃO PAULO