Luxo

Marcas mais baratas chegam à Rua Oscar Freire

De Arezzo a Chilli Beans, grifes adotam o local como o endereço de suas lojas-conceito

Por: Júlia Gouveia

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A gerente da Hope, Gisele Alves: peças mais sofsticadas (Foto: Fernando Moraes)

O anúncio da chegada da Riachuelo a uma das ruas mais chiques da capital representa um novo capítulo de uma tendência que vem ganhando força nos últimos anos: marcas de produtos mais acessíveis têm adotado a Oscar Freire como o endereço oficial de suas lojas conceito.

Nos últimos meses, desembarcaram no pedaço empresas como Kopenhagen e Chilli Beans. Ao mesmo tempo, saíram de lá algumas grifes estrangeiras,como a Tommy Hilfiger, que fechou as portas no começo do ano. O movimento gerou rumores de que a via estaria se popularizando, uma impressão exagerada na opinão de vários especialistas.“Ocorre exatamente o contrário”, opina Silvio Passarelli, diretor do MBA de gestão do luxo da FAAP. “Muitas companhias estão indo ao lugar justamente com o objetivo de usufruir o status da região para reposicionar suas marcas.”

A Hope é um exemplo dessa estratégia. Com a evolução do mercado de lingerie, os executivos do grupo sentiram a necessidade de dar uma imagem fashion aos seus produtos. “Com peças mais sofisticadas, precisávamos de um local à altura para vendê-las”, explica Sylvio Korytowski, diretor de expansão da empresa.

A marca investiu 5 milhões de reais em um espaço de 200 metros quadrados inaugurado no ano passado. “Não estávamos preocupados com os resultados de vendas, mas hoje é a nossa filial com maior faturamento”, comemora. A gerente do ponto, Gisele Alves, também ficou impressionada com o movimento. “Tem sábado aqui que parece Natal”, conta.

Mais recentemente, foi a vez de a Chilli Beans seguir o mesmo caminho. Em maio, ela abriu a sua flagship na cobiçada calçada ao custo de 10 milhões de reais. Quatro meses depois, surgiu na vizinhança um endereço da Kopenhagen, que ocupou o prédio onde ficava a sorveteria Häagen-Dazs, no cruzamento com a Bela Cintra. A loja temporária da Arezzo, na altura da Rua da Consolação, é uma das mais movimentadas do pedaço.

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A loja da Arezzo, na esquina com a Consolação: sandálias a partir de 89,90 reais (Foto: Fernando Moraes)

Para o primeiro trimestre de 2014, está prevista a abertura do Espaço Conceito Natura, na esquina da Haddock Lobo. “São marcas que estão dispostas a bancar o custo dos aluguéis, cada vez mais caros por aqui”, afirma Adriano Gomes, sócio da imobiliária Moisés Gomes, especializada na área. Só a  título de luvas, os proprietários têm pedido entre 500 000 e 2,5 milhões de reais. A valorização fez com que muitos inquilinos abandonassem seu ponto. Na última semana, seis imóveis estavam desocupados em localizações privilegiadas da Oscar Freire.

A concorrência dos shoppings de luxo da capital também tem ajudado a roubar negócios da rua. “Eles oferecem uma série de vantagens financeiras, como condições diferenciadas no aluguel”, diz Rosangela Lyra, presidente da Associação dos Lojistas dos Jardins. “Não temos condições de competir em pé de igualdade”, completa. Curiosamente, um dos novos concorrentes surgirá nas redondezas: em 2015 está prevista a inauguração do sofisticado mini shopping Cidade Jardim Shops, que será integrado ao Hotel Fasano, em um quarteirão abaixo da Oscar Freire. 

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(Foto: Ilustração)

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO