Negócios

Lanchonete à beira da falência atrai público com jogos e passatempos

War e dominó são algumas das opções

Por: Filipe Vilicic - Atualizado em

A lanchonete Anabelle, na Vila Leopoldina, estava prestes a fechar as portas. Inaugurada no ano passado, vivia às moscas – para se ter uma ideia, recebia no máximo vinte pessoas aos sábados. No último dia 8, porém, uma sacada simples parece ter sido o primeiro passo para mudar a sua sorte. Os proprietários colocaram à disposição dos clientes 200 jogos. Entre um hambúrguer e outro, agora é possível se divertir com o cardápio de passatempos sem pagar nada a mais. Resultado: casa lotada, com 500 interessados em curtir a novidade. "Até acabou o chope", conta José de Souza, um dos sócios, com um sorrisão. "Com as partidas, há mais interação entre os convidados", afirma o analista de sistemas Daniel Pereira, fã de War, que festejou no lugar seus 32 anos, na última terça. "É melhor que em balada, onde não dá para conversar."

A empreitada resulta de uma parceria com a empresa Rede Players, que aluga um acervo com mais de 1?000 jogos para eventos, dos clássicos dominó e Pula Pirata a opções menos conhecidas, como o americano Primordial Soup, em que os jogadores "encarnam" amebas num tabuleiro. Em troca de ceder todo o material e três funcionários à Anabelle, os quatro donos da Players embolsam 50% do faturamento mensal da lanchonete. "Valeu a pena abrir mão de parte do lucro, pois vamos aumentar o movimento em dez vezes", espera Souza. Criada em junho, a Players começou como um hobby do administrador Marcelo Orsoni, de 35 anos, e seu cunhado, o psiquiatra Daniel Martins, de 32, ambos aficionados por tabuleiros desde a adolescência. Há cerca de dois anos, transformaram as partidas em rotina. Juntavam turmas e ficavam horas ao redor da mesa. A dupla também virou compradora compulsiva dos passatempos – sua coleção conta mais de 200 –, que os amigos começaram a pedir emprestados. Apostas a dinheiro são proibidas. "Depois desse bom início, pretendemos promover campeonatos e espalhar franquias da marca pela cidade", afirma Orsoni.

Fonte: VEJA SÃO PAULO