Ópera

Maestro John Neschling volta a se apresentar em São Paulo

Após 22 meses, regente carioca retorna à capital paulista com montagem de 'O Barbeiro de Sevilha'

Por: Pedro Ivo Dubra - Atualizado em

undefined Foto 2
Cena do espetáculo sob a batuta do regente carioca: cenário de desenho animado (Foto: Nidin Sanches/Nitro Divulgação)

Diretor artístico da Orquestra Sinfônica do Estado entre 1997 e 2008, John Neschling está há 22 meses sem se apresentar em São Paulo. A partir da quarta (27), o maestro carioca dá fim ao silêncio com os acordes de ‘O Barbeiro de Sevilha’, ópera escrita pelo compositor italiano Gioachino Rossini (1792-1868). A obra é a primeira a ser encenada pela Companhia Brasileira de Ópera, grupo que Neschling fundou com José Roberto Walker, responsável pela função de diretor executivo. Orçado em 10,3 milhões de reais, o projeto percorreu desde junho doze cidades. Por aqui, serão dez récitas no Teatro Alfa — oito para o público adulto, com duas horas e meia de duração cada uma, e duas para a plateia infantil, numa versão condensada de cinquenta minutos regida pelo assistente chileno Victor Hugo Toro, às 16 horas. Depois, a companhia segue para Ribeirão Preto e o Rio de Janeiro.

John Neschling 2188
O maestro John Neschling, ex-regente da Osesp (Foto: Lailson Santos)

Demitido do comando da Osesp por e-mail em janeiro de 2009 — e, como já escreveu em seu blog, Semibreves (semibreves.wordpress.com), sem acompanhar o trabalho do antigo grupo desde então —, o maestro afirma ter saudade do público paulistano e de seus tempos de todo-poderoso da Sala São Paulo. “A orquestra faz parte da minha biografia. Lembro com carinho de alguns músicos e, vez ou outra, recebo e-mails deles. Isso me deixa feliz”, afirma Neschling, que vive entre São Paulo e a Suíça, além de viajar pelo exterior como regente convidado. Na última segunda (18), ele estava na Bélgica, depois de três apresentações na Itália. “Tenho trabalhado cada vez mais na Europa.”

Famosa pelo trecho “Fígaro, Fígaro, Fígaro”, ‘O Barbeiro de Sevilha’ estreou em 1816, em Roma. Tem uma trama cômica, na qual o barbeiro Fígaro resolve ajudar o conde Almaviva a conquistar o amor de Rosina. Sob a direção cênica do italiano Pier Francesco Maestrini, que teve a ideia de fazer os cantores contracenar com personagens de desenho animado criados pelo cartunista Joshua Held, a montagem conta com dois elencos em revezamento, num total de 28 músicos e 23 cantores líricos. Entre os solistas, estão a meio-soprano Luisa Francesconi, o barítono Sebastião Teixeira e o baixo Saulo Javan.

Fonte: VEJA SÃO PAULO