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João de Deus: o médium do povo (e dos poderosos)

Líder espiritual de personalidades como Dilma Rousseff, Lula, Paulo Skaf e Xuxa, ele atrai toda semana 5 000 pessoas a Abadiânia, em Goiás

Por: João Batista Jr. - Atualizado em

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Cerca de 5 000 visitantes munidos de esperança visitam semanalmente Abadiânia, cidade de 14 000 habitantes dividida ao meio pela BR-060, rodovia que liga Goiânia a Brasília. Essa leva de gente vestida de branco vinda do mundo todo chega ali com um único objetivo: receber algum alento espiritual do médium João Teixeira de Faria, o João de Deus, ou John of God, para os estrangeiros. Com fama de curandeiro e uma carteira de pacientes estrelados, que vai de políticos a celebridades, o homem de 1,80 metro, dentes de porcelana e adornado por cordão de ouro e anel de esmeralda só aparece diante da multidão incorporando um dos trinta médicos que contabiliza receber. Todos esses espíritos teriam uma única missão, a de tratar doenças como câncer, esclerose, cegueira, depressão, entre tantas outras. “Não sou eu quem curo nas cirurgias que as entidades fazem, mas Deus. Sou um instrumento Dele”, diz o paranormal, de 72 anos.

+ VÍDEO: As cirurgias espirituais de João de Deus

João de Deus
O médium João de Deus na fila das cirurgias sem corte: ele incorpara mais de trinta entidades (Foto: Mario Rodrigues)

Para entrevistá-lo, não bastou a combinação anterior com o seu assessor Chico Lobo, ex-vice-prefeito da cidade. Precisei, junto com o fotógrafo e o cinegrafista, entrar na fila de cirurgias espirituais para obter a autorização. Nesse local, chamado de Sala da Entidade, cerca de 300 pessoas permanecem sentadas em silêncio e de olhos fechados (só João de Deus e seus auxiliares podem ficar de olhos abertos). O objetivo é energizar o ambiente pelo qual centenas de pessoas vão passar para fazer o tratamento. Tomado por uma entidade, João de Deus deu seu aval para seguirmos em frente. Em Abadiânia, é assim. João de Deus é quem manda, estando ou não incorporado. Ele é uma espécie de xerife. É comum os moradores se aconselharem antes de comprar um carro, fechar um negócio ou até pedir a mão de alguém em casamento. Tudo gira em torno do homem semianalfabeto, de gênio forte e uma generosidade proporcional ao seu poder local.

+ João de Deus: relatos de cura

Pelo menos cinco caravanas de ônibus saem de São Paulo todo mês com destino à Casa Dom Inácio de Loyola, como o centro foi batizado, em 1976, quando surgiu. Passam por ali cerca de 260 000 pessoas por ano, sendo pelo menos 20% paulistas, que em sua grande maioria chegam de avião pelos aeroportos de Brasília e Goiânia. Dessas cidades, tomam um táxi até Abadiânia, em um percurso que leva pouco mais de uma hora. Os muito ricos descem em jatos particulares ou fretados no aeroporto de Anápolis, a vinte minutos de carro. Os visitantes ficam em uma das 62 pousadas criadas exclusivamente para recebê-los. A sensação é de estar hospedado em um hospital. Todas elas são extremamente simples e têm seu cardápio adaptado às regras de João de Deus — nada de pimentas, ovos caipiras nem bebidas alcoólicas. 

João de Deus
O salão onde ocorrem as cirurgias com corte: os procedimentos com facas, tesouras e bisturis são feitos sem anestesia (Foto: Mario Rodrigues)

Ficar nesses hotéis faz parte do tratamento, que inclui repouso de 24 horas após a cirurgia espiritual, com ou sem corte, as duas modalidades praticadas ali. As mais impressionantes são aquelas em que uma tesoura é inserida dentro dos orifícios do nariz até chegar perto da testa. Também há as feitas com bisturi na região das costas e abaixo do peito. O sangue escorre do corpo dos pacientes até o chão. De todas as cirurgias que presenciei nos quatro dias em Abadiânia, a que mais me chocou foi a de raspagem da córnea com uma faca simples. Nenhum paciente se submete à anestesia, e todos disseram não sentir dor durante os procedimentos. Nessas ocasiões, João de Deus me chamava para acompanhar de perto a sua performance e perguntava: “Isso vai te ajudar na reportagem?”.

+ VÍDEO: Conheça onde os pacientes de João de Deus são atendidos

Os cortes são fechados ali mesmo por pequenos pontos feitos por ele. As cirurgias duram um minuto. Tudo muito rápido entre o abrir e o fechar. “Em geral, João de Deus não tira material patológico dos pacientes”, afirma o médico psiquiatra Alexander Moreira de Almeida, fundador do Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde do Hospital das Clínicas. As cirurgias se repetem da mesma maneira, não importa se a pessoa sofre de câncer, esclerose ou depressão. Almeida fez um trabalho com João de Deus para conhecer os seus métodos. “As cirurgias são verídicas, mas não podemos nos esquecer de que elas também servem para impressionar a audiência.” Mesmo quando os tratamentos espirituais têm longa duração — variam de dois meses a anos —, João de Deus pede a seus pacientes que não abandonem as terapias convencionais, com o uso de drogas alopáticas receitadas por médicos.“Ele é um homem que fortalece a fé e a esperança daqueles que estão em tratamento”, avalia o oncologista Sergio Simon, do Hospital Albert Einstein. “Cerca de 60% dos meus pacientes procuram terapias alternativas durante a químio e a radioterapia.” 

João de Deus
O salão onde ocorrem as cirurgias com corte: os procedimentos com facas, tesouras e bisturis são feitas sem anestesia (Foto: Mario Rodrigues)

Dentro do complexo de Abadiânia há uma lojinha de cristais, outra de livros e DVDs espíritas e uma lanchonete administrada por Sandro, um dos nove filhos de João de Deus. O hit das prateleiras é uma água que seria fluidificada, ou seja, energizada pelo médium. O litro desse líquido, ingerido pela presidente Dilma Rousseff durante seu tratamento contra um câncer no sistema linfático, em 2008, custa 3 reais e é indicado para praticamente todos os que estão ali. “Compro 200 litros sempre que venho”, afirma o empresário Raphael Levy, dono da marca de surfe Fico. Ele contrata uma transportadora para carregar a água até São Paulo. “Ela me faz bem e gosto de distribuir aos amigos.” O ponto mais concorrido do centro, no entanto, é a farmácia, na qual são fabricados e comercializados os “remédios” de passiflora, feitos da planta do maracujá. Cada recipiente com 180 cápsulas custa 50 reais — para algumas pessoas, a receita dada pela entidade vem acompanhada de um “gratuito”.

+ Os famosos atendidos por João de Deus

É inegável até para os mais céticos que o médium exerce um magnetismo em boa parte das pessoas que se aproximam dele. Conheci um casal de aposentados que deixou o apartamento de Moema em janeiro para viver ali. Há dois anos, Juvenal e Sônia Capatto iniciaram o tratamento de uma doença na pele da neta, Isabella, hoje com 6 anos. “Ela tinha inúmeras feridas, o que a restringia de fazer coisas simples, como brincar no quintal”, conta o avô, de 73 anos. “Hoje, a pele dela está quase curada.”  Diante do feito, eles decidiram trabalhar como voluntários no centro de João de Deus, participando de todas as correntes de meditação. São muitas as histórias assim.

A artista plástica Eugênia Lima, moradora do Real Parque, também planeja se mudar para lá. “Eu pensava em morar em Miami até por questão de segurança, mas mudei de ideia e quero viver aqui”, diz. “Posso ajudar alavar os pratos na cozinha, ser voluntária de alguma forma.” Há pessoas que optam por ajudar a descascar e preparar os ingredientes das 600 sopas servidas de graça todos os dias à população carente da cidade.

Quando João de Deus nasceu, na pequena cidade de Cachoeira da Fumaça, foi educado em uma casa simples e de origem católica. Na infância, começou a trabalhar como alfaiate na oficina de costura do pai. Aos 9 anos, conta ter tido sua primeira premonição: um temporal de fortes proporções iria devastar dezenas de casas em Nova Ponte, cidade da região. Isso de fato teria acontecido. Outras premonições foram se seguindo, até que na adolescência ele procurou um centro espírita e foi orientado a usar seu poder para a cura das pessoas. Este seria o seu “chamado”. Chegou a ser perseguido por líderes religiosos e fazia atendimento em estados como Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais. Também trabalhou como alfaiate do Exército, sem deixar os trabalhos de curandeiro de lado. Conseguiu, assim, o apoio dos militares e passou a viajar pelo Brasil, atuando como médium sem ser incomodado.

Sua fama mundial chegou em 1991, quando a atriz americana Shirley MacLaine se tratou com ele de um câncer na região abdominal. Hoje, o lugar recebe muitos turistas estrangeiros, vindos de países como Índia, Austrália, Alemanha e Estados Unidos. Há duas semanas, o cantor Paul Simon esteve lá. Segundo relatos de funcionários, a apresentadora Oprah Winfrey chorou feito criança durante o encontro com o médium, em 2012. “Para mim, não existe distinção entre pobre e rico. Atendo todo mundo igual”, afirma João de Deus.

Mais de uma vez por mês, ele vem a São Paulo para visitar pacientes que estão em hospitais como Sírio-Libanês e Albert Einstein. Durante o tratamento do câncer de laringe, em 2011, o ex-presidente Lula recebeu o médium no hospital e também em seu apartamento, em São Bernardo do Campo. Muitos pacientes mandam buscar João de Deus em jato particular. “Quando vou a São Paulo, aproveito para fazer atividades com os amigos”, conta o médium. Um dos mais próximos é Paulo Skaf, candidato ao governo do estado. “O Skaf para tudo o que está fazendo para me preparar um churrasco como eu gosto: com carne bem passada.” O publicitário Nizan Guanaes também faz parte do círculo de amigos de João. “Eu visitei Abadiânia duas vezes neste ano”, conta. “O lugar tem uma energia especial. Ele nos faz recarregar a bateria para a vida.” Nizan também o recebe em sua casa, no Jardim Europa. “O João comove as pessoas, atrai a atenção por onde passa. É um superstar religioso.”

João de Deus não cobra por seus tratamentos, mas não vira as costas a doações. Em Abadiânia, ele tem 28 casas em seu nome. Adquiriu ainda nove propriedades em Anápolis, de 2008 para cá. João tem fazendas de mineração de ouro e de criação de gado. Suas vaidades, segundo ele, são os “carrões”. No dia a dia, dirige (acompanhado por um segurança) um Sorento, da Kia. Também é dono de um avião Seneca II, prefixo PT-RCC. Uma das doações recentes o deixou especialmente feliz. Trata-se de um terreno de 2 500 metros quadrados, em Jundiaí, onde ele vai levantar uma filial da Casa Dom Inácio de Loyola. “Meu sonho é construir esse lugar em São Paulo. Isso deve acontecer num futuro próximo”, diz, fazendo mistério.

João de Deus
Além de fazenda de garimpo de ouro, João de Deus investe em imóveis. Só em Abadiânia, tem 28 casas, como esta bege com portões marrons. O líder espiritual é dono de quase todas as caras desta rua, exceto a sede da Assembleia de Deus. Sua residência é protegida por um segurança e câmeras (Foto: Mario Rodrigues)

Hipertenso, o médium colocou seis stents em artérias do coração no ano passado. O pavio curto continuou curto mesmo depois do susto. Ele discute com os funcionários e parentes sem preocupação de ser rude. Brigou, por exemplo, com uma funcionária porque o porta-retratos dele ao lado da atriz Cissa Guimarães não estava na sala quando quis mostrá-lo a um amigo. Dez minutos depois, discutiu com o filho Sandro porque achou a lanchonete desorganizada. Só após tomar remédios para baixar a pressão e um calmante seu estado de espírito ficou mais leve. “O João é matuto, então, bate para poder se defender. Não é nada pessoal”, diz o assessor Chico Lobo. Deixei o centro com poucas certezas, mas com um desejo: não precisar retornar a Abadiânia, principalmente após as repetidas “previsões” de João de Deus, meio em tom de autoajuda, meio em tom de ameaça: “Veja lá o que vai escrever. Você ainda vai voltar aqui para tratar de um parente muito próximo”.

Cirurgias, esmeraldas e nove filhos

Nome: João Teixeira de Faria, o João de Deus.

 Idade: 72 anos.

 Estado civil: casado com sua décima mulher, a advogada Ana Keyla Teixeira Lourenço, quarenta anos mais jovem.

 Filhos: nove. Nenhum deles com a mulher atual.

 Natural de: Cachoeira da Fumaça, interior de Goiás.

 Onde atende: instalou-se há 38 anos em Abadiânia, a 87 quilômetros de Goiânia.

 Atendimentos: 5 000 pessoas por semana.

 Mundo afora: já viajou a trabalho para mais de dez países.

 Funcionários no centro: quarenta registrados em carteira e 200 voluntários.

 Meios de transporte: diz gostar de “carrões”. O modelo do dia a dia é um Sorento, da Kia. Também é dono de um avião Seneca II de seis lugares.

 Holerite: ele tem fazendas de garimpo de ouro, criação de gado e cultivo de soja. Só em Abadiânia, 28 imóveis estão em seu nome.

 Precaução: não sai de casa sem seu segurança particular.

 Vaidades: “Vou tirar a papada e implantar cabelos”, diz ele, que nega ter aplicado Botox ou feito cirurgia plástica, apesar do rosto esticado.

 Acessórios: usa um grosso cordão de ouro e um anel de esmeralda bastante chamativo.

 Check-up: pôs seis stents no ano passado com o médico Roberto Kalil Filho, do Sírio-Libanês. Além disso, toma remédios para hipertensão e tranquilizantes.

 Manias: briga com funcionários quando vê o chão sem estar impecável ou um móvel fora do lugar.

 Filiação partidária: pertenceu ao extinto PFL. Hoje diz não fazer parte de nenhum.

 Medo: embora diga ter contato com o transcendental, tem medo de morrer. “É algo que todos temem.”

João de Deus por João de Deus

“Não sou eu quem curo as doenças nas cirurgias que as entidades fazem, mas Deus. Sou um instrumento Dele”

“Trato o Lula, o Paulo Skaf e o Nizan Guanaes da mesma forma. Quando pessoas famosas me visitam aqui, elas se misturam com todo mundo”

“Quando não estou trabalhando, gosto de ver novela, de dançar e de escutar música sertaneja”

“Só por que eu sou médium tenho de andar descalço?  Não. Ando descalço porque gosto, mas, se quiser, tenho cinquenta pares de sapatos”

“Não cobro um centavo pelos tratamentos e cirurgias.Agora, se alguém quiser doar algo, aceito — mas não peço”

“Gosto de carrões e de joias, pois tenho garimpo de ouro”

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  • Pizzarias

    Bráz - Pinheiros

    Rua Vupabuçu, 271, Pinheiros

    Tel: (11) 3037 7975

    VejaSP
    15 avaliações

    Além de ter lançado um menu de almoço somente às sextas por R$ 35,00, a rede Bráz apresenta uma cobertura sazonal a cada mudança de estação. Neste outono, a pedida é a poverello, inspirada em receita napolitana de espaguete. Sem molho de tomate, leva mussarela de búfala, cebola levemente caramelada, aliche e ovos de codorna. Custa R$ 48,00 a individual e R$ 78,00 a grande. Se a pizza é muito saborosa, o mesmo não se pode dizer do serviço cheio de salamaleques, mas descuidado. Pedi para levar os pedaços remanescentes três vezes e para três garçons. Nenhum deles colocou as sobras na caixa e saí com as mãos vazias. Ainda mais indigesto, o serviço de manobrista, a R$ 22,00, não tinha recibo na minha visita.

    Preços checados em 25 de maio de 2016.

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  • Drinques

    Anexo SB

    Rua Leopoldo Couto de Magalhães Júnior, 480, Itaim Bibi

    Tel: (11) 3074 4389

    VejaSP
    Sem avaliação

    O Anexo SB não chega a ser um anexo. É mais um cantinho no Boteco São Bento do Itaim Bibi, separado do salão por uma divisória, mas de onde se poder observar o vizinho (e escutar o putz putz). Nesse espaço, dedicado aos drinques, o barman Laércio Zulú, ex-La Maison Est Tombée, acaba de assumir as coqueteleiras. Na terça (10/11), o titular estreia a carta, em que chamam atenção as misturas ao estilo tiki, que remetem ao Havaí e à Polinésia. Em copo na forma de toten, o leve crazy bamboo (R$ 27,90) equilibra rum envelhecido, rapadura, abacaxi, cassis, limão e Campari. Em outro extremo, o like a alaska (R$ 29,90), de gim, noz-moscada, licor de ervas e bitters de laranja, é para ser tomado de gole em gole.

    Preços checados em 3 de novembro de 2015.

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  • Bares variados

    Squat

    Alameda Itu, 1548, Jardim Paulista

    Tel: (11) 3081 4317

    6 avaliações

    Desde a abertura, em 2009, o Squat adquiriu, aos poucos, clima de baladinha. A iluminação foi ficando mais rarefeita e as festas de música pop e indie rock passaram a dominar a programação. No térreo, as mesas e cadeiras deram lugar à pista de dança, onde o público no vigor dos 20 e poucos anos sacoleja ao som de Katy Perry, Britney Spears e Spice Girls. Os que preferem uma atmosfera mais tranquila descolam um lugar no mezanino, onde dá para provar os novos petiscos. São sugestões como o frango arigatô (R$ 32,00), com iscas de sobrecoxa empanadas e fritas. Elas agradam pelo sabor do tempero, uma marinada de shoyu, saquê, alho, gengibre e óleo de gergelim. Acompanha essa porção o molho à base de shoyu levemente picante. Outra inclusão recente, o burrito de chili (R$ 26,00) vem montado na tortilha de milho enrolada no recheio de fraldinha moída, feijão-vermelho e creme azedo. Para uma noite alegre, peça o mojito acrescido de maracujá (R$ 22,00), fresco e bem levinho.

     

    Preços checados em 26 de agosto de 2014.

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  • Docerias

    Abra a Boca e Feche os Olhos

    Rua Alexandre Dumas, 825, Chácara Santo Antônio (Zona Sul)

    Tel: (11) 5182 5950

    Sem avaliação

    Inspirado numa receita toscana sugerida para acompanhar o café ou um vinho de sobremesa, o chamado bocconcino leva castanha-do-pará. A versão romeu e julieta pode parecer salgada num primeiro momento, pela adição de queijo parmesão, mas no final da mordida, é o sabor da goiabada cascão trazida de Minas Gerais que sobressai. Uma latinha pequena de 85 gramas, com as guloseimas fechadas a vácuo dentro, sai por R$ 16,00. No limoncello, entram raspas de limão-siciliano e amêndoa (R$ 20,00). Na lata grande, de 550 gramas, o preço sobe R$ 52,00 e R$ 68,00, respectivamente.  

    Preços checados em 30 de maio de 2016.

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  • Promovido pela Osesp, o programa Concertos a Preço Popular apresenta uma edição infantil. Por um ingresso que custa R$ 15,00, a criançada pode ocupar a plateia da Sala São Paulo para ver um espetáculo dividido em três partes. Na primeira, sob a regência de Wagner Polistchuk, a orquestra interpreta Pedro e o Lobo, de Sergei Prokofiev. A cantora Adriana Calcanhotto faz intervenções para narrar a história do menino que desobedece ao avô e foge para a floresta na companhia de um pato, um gato e um passarinho. Lá, ele encontra um lobo e tem de usar a inteligência para se safar. A segunda etapa traz A Festa dos Bichos, música inédita de André Mehmari. Por fim, ao lado do Coro Infantil da Osesp, regido por Teruo Yoshida, Adriana Calcanhotto canta Fico Assim sem Você e Ciranda da Bailarina, do álbum Partimpim. Dias 6 e 7/9/2014.
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  • Em 2013, o professor de física Manoel Robilotta doou ao Masp 55 belas peças africanas amealhadas ao longo de anos em casas de leilão. O museu exibe agora 49 itens desse conjunto em Do Coração da África. Todas as obras são exemplos da cultura iorubá, presente na Nigéria, Benin e Costa do Marfim. São adornos, objetos religiosos e esculturas produzidos na primeira metade do século XX para fins utilitários, ou seja, não idealizados como arte. Os orixás — divindades ligadas à natureza — aparecem decorados com miçangas e conchas. Suas formas serviram de inspiração para a produção de arte moderna, como o cubismo de Picasso. Algumas das entidades esculpidas encontraram representações na religião católica no Brasil. Os ibejis, por exemplo, são divindades gêmeas, que no sincretismo brasileiro equivalem a Cosme e Damião. A mostra, diferente das que o Masp costuma apresentar, dialoga com muitas peças de seu acervo. Estreou em 11/7/2014.
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  • As três salas do Museu de Arte Brasileira, na Faap, que abrigam a mostra In Your Face parecem uma revista gigante. Não faltam rostos conhecidos entre as 122 imagens expostas: Gisele Bündchen, Madonna, Brad Pitt, Kate Moss, Jeniffer Aniston... Queridinho do mundo da moda, o fotógrafo peruano Mario Testino, de 59 anos, foi o responsável pela seleção, já apresentada no Museum of Fine Arts de Boston e no Malba, em Buenos Aires. “Quis criar a sensação de que as imagens foram feitas por fotógrafos diferentes. Há fotos lindas, loucas e sensuais”, diz. Ainda assim, todas as ampliações trazem personagens bonitos, com um corpo maravilhoso, sem espaço para o espontâneo. Até a pose mais despretensiosa vem acompanhada de uma produção caprichada. De 29/8/2014. Até 26/10/2014.
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  • Sob a regência do maestro João Maurício Galindo, a Orquestra Jazz Sinfônica traz aos palcos do Ibirapuera O Grande Circo Místico e apresenta o concerto montado a partir das músicas do espetáculo, assinadas por Chico Buarque e Edu Lobo. A atração mescla música, balé, números circenses, teatro e poesia. Dias 21 e 22/8/2015.
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  • A trajetória de Hamlet, o príncipe herdeiro da Dinamarca, é descrita nesta comédia pelas pessoas que trabalham no castelo. Froggy (Paulo de Pontes), o cozinheiro, sua esposa Cathy (Rosi Campos) e demais funcionários narram o que ocorre na nobre família enquanto cada um se ocupa dos próprios problemas. O fantasma do rei, por exemplo, é uma invenção de Froggy, que, preocupado em manter o emprego, se veste com a armadura do morto para falar sobre o carinho pela comida do mestre-cuca. O texto do italiano Aldo Nicolaji, inspirado em Shakespeare, mostra-se criativo, mas cheio de piadas tolas. Se há algum humor na montagem dirigida por Dagoberto Feliz é graças às falas em francês e em inglês, da alcoólatra e divertida mãe de Hamlet. Com Gorete Milagres, Pedro Brandi, Melany Kern, Cacau Merz e outros. Estreou em 15/8/2014. Até 15/11/2015.
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  • Na comédia Simplesmente Feliz, de 2008, o diretor inglês Mike Leigh retratou uma personagem que, de tão otimista e radiante, chegava a irritar os mais sisudos de plantão. Neste longa-metragem, indicado ao Oscar de roteiro original em 2011, ele volta a revelar o desconforto provocado pela alegria alheia. O tom e o ponto de vista da narrativa, contudo, mudam por completo. No centro do drama está a frustradíssima Mary (Lesley Manville, perfeita no papel), uma secretária divorciada cujo maior desejo é ter uma vida parecida com a da amiga Gerri (Ruth Sheen), uma psicóloga sexagenária muito bem casada com o engenheiro Tom (Jim Broadbent). Flertar com o filho deles, o tranquilão Joe (Oliver Maltman), torna-se quase uma obsessão — não correspondida pelo rapaz. Desses encontros corriqueiros emergem, muito sutilmente, à moda inglesa, as diferenças entre os privilegiados (a família de Gerri) e os excluídos da plenitude. Leigh abre mão das explosões sentimentais do inesquecível Segredos e Mentiras (1996) para investir num registro mais sereno e contido. Quando o desespero de Mary vem definitivamente à tona, entretanto, resulta num desfecho de partir o coração. Estreou em 28/8/2014.
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  • Há dezoito anos, Twister provocou uma revolução nos efeitos visuais com um tema muito similar. Esperava-se, portanto, que, com o avanço tecnológico, este filme-catástrofe subisse muitos degraus. Mera ilusão. Embora tenha momentos de deixar a plateia boquiaberta, o longa-metragem de Steven Quale (diretor de Premonição 5) ganhou um roteiro esquemático e uma forma de realização para lá de manjada. Para dar um toque de realismo ao enredo, o registro é feito pelas câmeras de alguns personagens — seja a de um adolescente gravando depoimentos para a festa de formatura da escola, seja a de uma equipe especializada em “caçar” os fenômenos da natureza. O molho de suspense da trama chega por meio da afição do diretor do colégio (papel de Richard Armitage). Ele procura o filho (Max Deacon), que foi com uma namoradinha gravar uma entrevista momentos antes da passagem do tornado de proporções avassaladoras. Estreou em 28/8/2014.
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  • Quando arriscou pela primeira vez a combinação de gastronomia, romantismo e boas intenções, o diretor Lasse Hallström exagerou no exotismo cafona e perdeu o ponto no superestimado Chocolate, indicado inexplicavelmente a cinco estatuetas no Oscar em 2001. Na adaptação do best-seller A Viagem de 100 Passos, de Richard C. Morais, o sueco segue uma receita bem parecida, mas sob a supervisão do produtor Steven Spielberg. A boa companhia faz toda a diferença. Sem apelar para o chororô, o cineasta narra com graciosidade a trajetória de um indiano apaixonado por culinária. Ao lado do pai e dos irmãos, o rapaz Hassan Haji (interpretado pelo carismático Manish Dayal) deixa Mumbai (a antiga Bombaim) para morar em uma cidadezinha francesa. Lá, a alta gastronomia local resume-se ao endereço gerenciado com mão firme pela conceituada Madame Mallory (a inglesa Helen Mirren, excelente em qualquer idioma). Os forasteiros não se intimidam com a falta de perspectivas e resolvem abrir uma colorida casa de quitutes da Índia bem em frente à concorrência. Começará então uma divertida guerra de menus que definirá o futuro do aprendiz de chef. Estreou em 28/8/2014.
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  • O livro de memórias A Bastarda, de Violette Leduc (1907-1972), escandalizou a França dos anos 60 ao destacar a um público amplo uma escritora com a ousadia de expor, sem pudores, a sexualidade e as angústias das mulheres. Para o cineasta Martin Provost, pouco conhecido por aqui, a força revolucionária do best-seller nasceu, sobretudo, do martírio vivido pela autora antes de sua publicação. A feminista pioneira encontrou na literatura um respiro para enfrentar uma solidão devastadora e acertar contas com um passado de pobreza, mas seus textos eram lidos e elogiados por poucos. O alento surgia das palavras de incentivo de Simone de Beauvoir (Sandrine Kiberlain), por quem Violette se apaixonou de forma platônica. No drama biográfico, essa atribulada história de formação artística é narrada em capítulos e arejada por fashes de lirismo. O longa se torna intenso graças à interpretação de Emmanuelle Devos, no controle de uma personagem tão insegura (por vezes irritante) quanto genial. Estreou em 28/8/2014.
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  • Não é preciso saber muitos detalhes sobre o cinquentão Marco Tucci (interpretado por Alejandro Awada) para entender por que esse homem decidiu fazer uma viagem de carro de Buenos Aires para Puerto Deseado, na Patagônia. Na estrada, em uma conversa rápida com um treinador de boxe num posto de gasolina, a explicação essencial: após um longo tratamento para se livrar do alcoolismo, ele quer pescar tubarões e rever a filha. Simples assim. A partir desse perfil minúsculo, o diretor argentino Carlos Sorín (de O Cachorro, uma joia) narra uma crônica sobre um personagem que, depois de quebrar a cara, está pronto para dar a volta por cima e retomar contato com o mundo. Mas alguém se importaria com ele? Em pouco mais de uma hora de duração, o realizador opta por uma objetividade quase documental para mostrar as decepções e as vitórias acumuladas nos poucos dias de uma viagem de férias. Não à toa, uma das fitas de Sorín ganhou o título Histórias Mínimas: mais uma vez, o encanto surge de conflitos cotidianos e, ao mesmo tempo, universais. Estreou em 28/8/2014.
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  • Independência

    Atualizado em: 29.Ago.2014

Fonte: VEJA SÃO PAULO