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Jânio Quadros Neto: o anfitrião das estrelas

Neto do ex-presidente ajuda a organizar a agenda de celebridades como o príncipe Harry e a cantora Madonna em passagem pelo país

Por: Claudia Jordão - Atualizado em

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Ao organizarem a vinda do príncipe Harry ao Brasil, os funcionários do Ministério das Relações Exteriores inglês e do Serviço do Protocolo do Palácio de Buckingham se esforçaram para acatar um pedido do filho caçula da princesa Diana: promover uma partida beneficente de polo no país, com o objetivo de arrecadar fundos para a ONG Sentebale. Fundada por ele, a instituição dá assistência a órfãos de Lesoto, na África.

Em meados de fevereiro, depois de realizarem algumas consultas, os responsáveis pela visita ligaram para Jânio Quadros Neto, cujo avô, morto em 1992, foi presidente do Brasil, renunciando em 1961, governador e duas vezes prefeito de São Paulo. “Eles me pediram indicações de lugares, e eu falei que a região de Campinas, no interior do estado, possuía os locais com melhor estrutura para a prática do esporte”, conta ele. A sugestão foi acatada. Na manhã deste domingo (11), a agenda do príncipe prevê um jogo da modalidade no Haras Larissa, no município de Monte Mor, região metropolitana de Campinas. A programação inclui também um almoço para 600 convidados (Jânio, é claro, está entre eles).

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Ligações como essa não são exatamente uma novidade para Janinho, como é chamado entre os amigos. Aos 39 anos, formado em economia pela Universidade de Londres, ele trabalha em dois fundos de investimento (um no Brasil, outro no exterior) e presta serviços para a produtora americana Live Nation, responsável pelas turnês dos principais artistas do mundo e parceira da Time for Fun no Brasil. Por causa disso, esteve próximo nos últimos anos de uma série de estrelas da música pop, como a cantora Madonna e os roqueiros do U2. Sua função é ser uma espécie de assessor de luxo. Entre outras coisas, indica hotéis e restaurantes para os astros, ajuda a organizar o esquema de segurança durante as estadias e tenta viabilizar encontros dessa turma com autoridades e empresários brasileiros. “Gosto de estar próximo dessas pessoas, mas procuro não me deslumbrar”, afirma ele, que não revela o cachê que recebe por tal tipo de trabalho.

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Janinho começou a lucrar com o circuito dos famosos graças às ótimas relações que cultivou. Boa parte desse patrimônio ele deve à família. Foi por intermédio do seu avô, por exemplo, que conheceu poderosos como a ex-primeira- ministra Margaret Thatcher, com quem tomou um chá da tarde na década de 80, conta ele. A respeito de seu acesso a algumas personalidades da atualidade, porém, prefere fazer um certo mistério. “Um amigo nos Estados Unidos ligado a Hollywood me apresentou muita gente”, desconversa.

Entre seus primeiros clientes estavam os músicos do U2, apresentados a ele por amigos em comum. Em 2006, fez o papel de anfitrião durante a segunda visita da banda ao Brasil. Cinco anos depois, numa outra excursão por aqui do grupo, ajudou a contornar problemas graves. Dias antes da primeira apresentação, a prefeitura assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) proibindo caminhões de estacionar no entorno do Estádio do Morumbi. A medida, que visava a evitar transtornos no bairro, inviabilizaria a turnê “360º”, pois os equipamentos para montar o palco chegariam em sessenta veículos de carga pesada.

Janinho ligou para o prefeito Gilberto Kassab e organizou um esquema de desembarque. Mas os desafios não pararam por aí. Momentos antes de subir ao palco para um dos shows, Bono percebeu que não teria condições de cantar. Gripado, estava quase sem voz. O anfitrião das estrelas mais uma vez entrou em campo para resolver a emergência, convocando para o socorro uma equipe do Hospital Albert Einstein. O vocalista da banda recebeu uma injeção e melhorou.

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Num episódio mais recente, ocorrido há poucas semanas, Jânio teria ajudado Tom Brady, astro do futebol americano e marido de Gisele Bündchen, a obter um visto de emergência de entrada nos Estados Unidos para Patrícia Bündchen, irmã e empresária da modelo. Procurados por VEJA SÃO PAULO, os envolvidos não comentam a história. Outra passagem curiosa teria como personagem central o astro Michael Jackson. Ele conta que recebeu uma ligação do músico meses antes de sua morte. O cantor teria dito que desejava aproveitar a vinda ao Brasil com a turnê “This Is It” para levar os filhos ao Pantanal. “Michael queria saber se conseguiria passar incógnito por lá”, afirma Janinho.

Filho de Dirce “Tutu” Quadros e de um banqueiro aposentado americano, ele é um dos cinco netos do ex-presidente e nasceu no Texas, nos Estados Unidos. Viveu a infância e a adolescência entre seu país de origem, a Inglaterra e o Brasil. Hoje, mora em São Paulo e faz exercícios de fonoaudiologia para perder o sotaque, ainda bastante carregado. Apesar dos bons contatos e do sucesso no papel de anfitrião, ele diz que quer mesmo é seguir os passos do avô. Em 1994, fracassou numa tentativa de se eleger deputado estadual. Ensaiou entrar numa segunda campanha para o mesmo cargo em 2006, mas sua candidatura não foi efetivada porque ele perdeu o prazo para a entrega de documentos no Tribunal Regional Eleitoral. Filiado atualmente ao PSD de Kassab, ele quer concorrer a vereador já nas próximas eleições. “Sempre gostei de política, e isso faz parte da minha vida desde a infância. Não tenho como fugir da carreira.”

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO