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Após atrasos, Metrô abre Estação Fradique Coutinho

Moradores e comerciantes comemoram inauguração da parada da Linha Amarela, que começou a ser construída há nove anos

Por: Nataly Costa

Estação Fradique Coutinho
A entrada da obra: 15 000 pessoas são esperadas por dia (Foto: Fernando Moraes/Veja São Paulo)

Nove anos e quatro meses depois da primeira escavação, o Metrô entrega neste sábado (15) a Estação Fradique Coutinho. É a 66ª da rede, que tem 75,3 quilômetros de extensão. Com 14 260 metros quadrados de área construída, ela faz parte da Linha Amarela e receberá cerca de 15 000 pessoas por dia, um décimo do público da Paulista, a parada mais movimentada desse trecho.

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A obra, no entanto, tem uma localização estratégica, na esquina da Rua dos Pinheiros com a Fradique Coutinho. Ou seja, está bem no centro do bairro, que possui uma das maiores concentrações gastronômicas da capital. Segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), na região há mais de cinquenta estabelecimentos do tipo, sem contar as dezenas de endereços do núcleo boêmio da Vila Madalena, a somente 1 quilômetro de distância.

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Na primeira semana, entre segunda (17) e sexta (21), a Fradique funcionará em horário reduzido, das 10 às 15 horas. A partir do dia 22, entrará em operação normal. A abertura de suas catracas será duplamente comemorada. Enquanto os usuários contarão com mais uma alternativa de transporte na Zona Oeste, os moradores e comerciantes do bairro vão respirar aliviados.

Estação Fradique Coutinho
O empresário Renato Karpat: medo de assalto (Foto: Fernando Moraes/Veja São Paulo)

Por quase uma década, eles conviveram com o canteiro de construção. Um trecho da Rua dos Pinheiros chegou a ficar interditado entre 2005 e 2006, causando transtorno e prejuízo aos lojistas e empresários da área. O prazo inicial para a entrega da Linha 4 – Amarela era 2008, mas as primeiras estações só saíram do papel dois anos depois.

Um dos motivos do atraso foi a tragédia da cratera que se abriu durante as obras da Estação Pinheiros. O acidente matou sete pessoas em janeiro de 2007. Questões específicas atrapalharam a construção da Fradique, entregue quatro anos após o previsto.

Entre outros transtornos, o asfalto cedeu e abriu-se um buraco na Rua dos Pinheiros em uma determinada fase dos trabalhos. Agora, a próxima estação do ramal a ser inaugurada será a Oscar Freire, na metade de 2015. “Tivemos um grande aprendizado com tudo o que aconteceu nas primeiras obras da Linha Amarela, e esses problemas não vão se repetir daqui para a frente”, garante Jurandir Fernandes, secretário de Estado dos Transportes Metropolitanos.

O início das operações da Fradique enche de esperança os comerciantes do pedaço, que esperam um número maior de gente circulando por lá. Na Rua dos Pinheiros, a loja de móveis Fábrica D’Marco contratou mais um funcionário para atender o público extra. Já a loja de cervejas Get Your Beer e o bar Noname, na esquina da Rua Auriflama, pretendem ampliar o horário de atendimento. “Paramos de abrir às 12 horas porque não valia a pena. Nosso objetivo é, com o metrô, voltar a servir almoço”, explica Ryan Kim, sócio do Noname.

O bar também deve ver incrementada sua clientela noturna. “Vai ser ótimo para quem quiser deixar o carro em casa e beber tranquilamente. O ideal seria que a estação ficasse aberta até mais tarde”, afirma Kim.

Uma minoria mostra-se apreensiva com a novidade. “O que me preocupa é a questão da segurança em volta do metrô e a chegada de ambulantes”, diz o empresário Renato Karpat, proprietário de uma loja de luminárias a poucos metros da parada.

Estação Fradique Coutinho
Ryan Kim, do Noname: aumento da clientela (Foto: Mario Rodrigues/Veja São Paulo)

Outro efeito colateral comum quando uma nova estação é inaugurada — o aumento do valor dos imóveis — também é tema de discussões na área. “A chegada do transporte sempre valoriza o pedaço e, no caso de Pinheiros, é inevitável que os preços subam de 10% a 15%”, prevê Fernando Sita, diretor da imobiliária Coelho da Fonseca.

No balanço entre prós e contras, no entanto, a expectativa geral é um saldo bastante positivo. “Claro que uma obra como essa, com todo esse atraso na entrega, trouxe prejuízos e vai gerar alguma inflação no mercado imobiliário local”, comenta o vice-presidente do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi), Ricardo Yazbek. “Mas os benefícios de ter uma nova estação de metrô na porta de casa compensam em larga escala a lista de eventuais transtornos ao bairro.”

Rede em construção

O perfl e alguns dos principaisnúmeros da Linha 4 – Amarela

Investimento total: 5,4 bilhões de reais (1,8 bilhão só na segunda fase, que inclui a Fradique Coutinho)

Estações inauguradas: 7

Previstas: 4 (Higienópolis-Mackenzie, Oscar Freire, São Paulo-Morumbi e Vila Sônia)

Extensão total da linha: 12,8 quilômetros

Início da construção: setembro de 2004

Primeiras estações: Paulista e Faria Lima (2010)

Previsão de entrega da última: Vila Sônia (2016)

Fonte: VEJA SÃO PAULO