Música

Humberto Gessinger faz show no sábado (10). Confira entrevista

Ex-líder da banda Engenheiros do Hawaii, o cantor comemora trinta anos de carreira. A VEJA SÃO PAULO, falou sobre carreira solo e a vontade de regravar seu primeiro disco

Por: Carolina Giovanelli - Atualizado em

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Famosa principalmente nos anos 80 e 90, a banda Engenheiros do Hawaii acabou em 2008. No ano passado, o líder do grupo gaúcho, Humberto Gessinger, de 51 anos, lançou seu primeiro álbum solo, Insular. No sábado (10), ele faz show no Citibank Hall (ainda há ingressos) em comemoração a seus trinta anos de carreira. A primeira vez que o conjunto subiu em um palco foi em 11 de janeiro de 1985. Em entrevista a VEJA SÃO PAULO, o cantor falou sobre sua trajetória: "Nem na semana passada achei que estaria trabalhando com música, nunca pensei que isso fosse tomar conta da minha vida". Após a apresentação deste fim de semana, ele pretende voltar com a turnê para São Paulo em breve. Confira:

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Como se deu esse primeiro show do Engenheiros do Hawaii, há trinta anos?

Nós éramos estudantes de arquitetura em Porto Alegre e resolvemos participar de um "happening" de música, poesia e pintura na faculdade, no mesmo dia do primeiro Rock in Rio. O auditório estava lotado, com aproximadamente 400 pessoas. Tocamos uns jingles e uma versão de Lady Laura, do Roberto Carlos. O público recebeu super bem, mas nunca achei que isso tomaria conta da minha vida. Umas duas semanas depois já tínhamos outro show marcado e não paramos mais.

O que esperar da apresentação de sábado (10)?

Tocaremos o repertório completo do DVD que acabei de lançar e algumas outras canções.

Vai rolar Sampa no Walkman, música baseada no clássico do Caetano Veloso?

Sim. Sempre tocamos essa em São Paulo. Faz mais sentido. Trata-se de uma homenagem à cidade. Só é engraçado pensar que a palavra walkman é incompreensível para o molecada de agora.

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Há alguma diferença do público paulistano em relação ao resto do Brasil?

É um pessoal muito atento. Os primeiros fã-clubes do Engenheiros surgiram aí e nossos três primeiros discos foram gravados na cidade, por causa dos bons estúdios. Para um artista gaúcho, até hoje existe uma mística de se apresentar em São Paulo, como se recebesse um certificado de que se está indo no caminho certo.

Humberto Gessinger
Humberto Gessinger: primeiro disco solo (Foto: Glaucio Ayala)

Tem uma música favorita em seu repertório?

A cada semana isso muda. Apesar de gostar dos clássicos, costumo estar ligado nas coisas mais recentes. Hoje, é Bora, do último álbum. Ela anima o público.

Quais são as vantagens e desvantagens da carreira solo?

Uma banda conhecida é como uma grife. Todo mundo já ouviu falar, consiste em um atalho. Entretanto, sozinho consigo trabalhar com várias formações de banda.

Você tem investido também em trabalhos literários. Trata-se de uma transição natural?

Publiquei cinco livros. Na minha vida, a palavra escrita é anterior à palavra cantada. Sempre tive muito familiaridade com a literatura. Em 2017, pretendo lançar mais uma obra de crônicas.

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Você é casado há trinta anos, porém escreve letras sobre separação e solidão. De onde tira inspiração? Já sentiu tudo o que escreveu?

Eu meio que nasci casado (risos). É uma relação de muito tempo, mas não quer dizer que sempre foi tranquila. Não conseguiria inventar aquelas coisas que escrevo, de alguma forma já as senti. Só é preciso levar em conta até que ponto uma lembrança é literal e se posso estar me inspirando por fragmentos de sentimento. 

Quais são seus planos para o futuro?

Neste ano, pretendo regravar o Longe Demais das Capitais (1986), meu primeiro disco, com participação de artistas gaúchos. Entretanto, não há planos de retornar com a formação mais famosa do Engenheiros, junto do Augusto Licks, com que nunca mais falei, e do Carlos Maltz.

Fonte: VEJA SÃO PAULO