Labirinto

Peça cria um jogo com o público nas ruas de São Paulo

Hasard que estreia nesta terça (25) usa espaços do Centro para contar histórias onde os espectadores têm papel crucial

Por: Rafael Argemon - Atualizado em

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Peça "Hasard" é uma intervenção urbana nas ruas do Centro de São Paulo que conta com a interação do público (Foto: Divulgação)

O jogo do capitalismo é o ponto de partida da peça “Hasard”, do catarinense Erro Grupo. O espetáculo gratuito que estreia nesta terça-feira (25), às 17h, acontece simultaneamente em quatro ruas diferentes do centro da cidade: Rua do Comércio, São Bento, XV de Novembro e Av. São João.

“Hasard” traz questionamentos sobre como as pessoas se posicionam como jogadores nos dias de hoje. Assim como outros trabalhos do grupo, o espetáculo busca questionar a relação de controle exercida pelo mercado. A ação geral da peça conduz o público a jogar, apostando em qual cena da história seguir, por isso, a cada apresentaçãoos finais são diferentes.

“São quatro cenas que no início podem não ter relação entre si, mas enquanto evoluem, elas vão se cruzando até formar uma só narrativa”, explica Pedro Bennaton, diretor da montagem. Assim que chega à situação escolhida, o público recebe uma carta de baralho com um texto que será acrescentado à cena. Além disso, a soma delas durante a última parte é que determinará qual dos finais será escolhido.

Poder e capitalismo

A partir de um texto do filósofo Walter Benjamin, que coloca o capitalismo como uma religião, mesmo que pagã, o grupo começou a buscar as regras e os agentes que mantêm o controle dentro desse jogo. Para isso pesquisaram manuais de profissionais como economistas, policiais, exército, bombeiros e jogadores profissionais, e chegaram a participar de um curso de abordagem e contenção de massas com o Batalhão de Choque da Polícia Militar de Santa Catarina.

A conclusão do grupo é que o capitalismo é um falso jogo onde nem todos estão em igualdade de condições e não se sabe bem quais são as regras. Para criar com isso a dramaturgia, sem ser panfletária, todos esses elementos foram incorporados junto a uma dinâmica constante em que os atores chegam às apresentações com uma proposta diferente de jogo.

O espetáculo causou polêmica por onde passou, dois atores chegaram a ficar nus nas ruas da capital catarinense, causando revolta em alguns comerciantes que tiveram seus estabelecimentos nos locais escolhidos pelo grupo para as apresentações.

Fonte: VEJA SÃO PAULO