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"Pensei que fosse uma pedrada", diz haitiano atingido por bala no Glicério

Rapaz de 34 anos conta como foi um dos seis feridos no sábado (1º). Bala de chumbinho ficou alojada em sua perna

Por: Adriana Farias - Atualizado em

Haitiano
O Haitiano Gregory Deralus (Foto: Fernando Moraes/Veja São Paulo)

O haitiano Gregory Deralus, de 34 anos, contou à polícia na tarde desta segunda-feira (10) como ocorreu o ataque em que ele e mais cinco imigrantes do país foram baleados. Eles foram feridos na região do Glicério, chegaram a ser internados no Hospital do Tatuapé, mas passam bem.

+ Seis haitianos são baleados na região do Glicério

Os casos aconteceram no sábado (1º), mas a notícia só veio à tona no último fim de semana. Xenofobia é a principal hipótese levantada pela investigação.

Na saída do depoimento, Delarus conversou com jornalistas. Formado em  ciências da informática, ele trabalha aqui como auxiliar de materiais em uma empresa na cidade. Está em situação regular, com visto humanitário. Deixou para trás a namorada e a família no Haiti. Abaixo, trechos do que ele disse, com ajuda de uma intérprete de francês:

"O caso aconteceu no sábado, perto das 20h, na Rua do Glicério, a alguns quarteirões da Missão Paz, que acolhe os imigrantes. Senti uma pontada na perna, abaixo do joelho. Pensei que fosse uma pedrada. Percebi uns quinze minutos depois que foi uma bala, um tiro de chumbinho. Rasgou minha calça jeans e fiquei com com um pedaço da bala alojada na perna. Cheguei a ir à Santa Casa, mas, como não era urgência, pediram para que eu esperasse. Acabei indo embora. Eu soube que havia uma ambulância estacionada na Missão Paz. Fui até lá e me conduziram até o Hospital do Tatuapé. Tive muita dificuldade, pois ninguém falava francês, e ainda estou apreendendo o português. Não ouvi gritos, nem xingamentos, nem nada. Não sinto medo do Brasil. Não sei bem o que aconteceu. Pode ter sido um atendado a qualquer pessoa. Tem bandido em qualquer lugar, gente que odeia outras pessoas, o fato de você ter uma pele de outra cor pode motivar outras pessoas a cometer o mal."

Fonte: VEJA SÃO PAULO