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Guarda Civil de São Paulo matou dezessete pessoas desde 2013

Neste ano foram registradas quatro mortes

Por: Estadão Conteúdo - Atualizado em

Waldik Gabriel Chagas baleado pela GCM
Waldik Gabriel Chagas, de 11 anos, foi atingido na cabeça por um tiro disparado pela GCM (Foto: Arquivo Pessoal)

Dezessete pessoas foram mortas por guardas-civis metropolitanos (GCMs) na cidade de São Paulo de 2013 a 2016. As informações são do comando da instituição e incluem o caso do menino de 11 anos morto em uma perseguição, no último sábado (25), em Cidade Tiradentes, na Zona Leste.

Neste ano, foram registradas quatro mortes, quase o total de casos do ano passado, cinco. Em 2014, aconteceram seis mortes e em 2013, dois casos. Segundo as estatísticas, em onze casos, os guardas estavam fora de serviço e, em seis, trabalhando.

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Para o secretário municipal de Segurança Urbana, Benedito Domingos Mariano, os números mostram que não há "cultura da letalidade" na GCM da capital.

"Considerando uma cidade do tamanho de São Paulo e um efetivo de 6 000 homens que trabalham armados todos os dias, os índices estão muito baixos, menores do que em países como os Estados Unidos, por exemplo."

Mariano afirmou que um dos casos se refere a um crime passional - um GCM matou o suposto amante da mulher. "O outro caso que teve a conduta dos guardas totalmente errada, pois foge do padrão de atuação da Guarda, foi o que terminou com a morte do menino de 11 anos, no fim de semana. Nas demais ocorrências, a investigação da Corregedoria da GCM concluiu que os guardas agiram em legítima defesa, pois houve confronto com bandidos."

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O comando da GCM vai reforçar nesta semana a instrução para que os guardas adotem as normas estabelecidas há oito anos, que não permitem abordar veículos em atitude suspeita ou se envolver em perseguição a suspeitos. "O guarda anda armado para se proteger e não para participar de ocorrências policiais."

Investigação

Os dois adolescentes que acompanhavam o menino de 11 anos morto com um tiro na nuca por um guarda-civil foram ouvidos na terça-feira (28) no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Eles têm 14 anos e afirmaram que não houve confronto e não estavam armados.

Eles contaram que tentaram furtar um Gol. O menino de 11 anos, segundo eles, tinha facilidade em abrir carros com uma chave mixa e fazer ligação direta no motor. Como não conseguiram levar o Gol, furtaram um Chevette, mas foram vistos por um motoqueiro, que avisou os guardas.

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O menino de 14 anos que assumiu o volante admitiu que tentou fugir em alta velocidade. Eles afirmaram que perceberam os tiros da GCM, um deles acertou um dos pneus e o carro perdeu a estabilidade. Ele afirmou que deu "um cavalo de pau", parou próximo de uma quermesse e correu para uma viela. O outro menino de 14 se misturou aos frequentadores da festa, enquanto o garoto de 11 anos agonizava no carro.

O guarda Caio Muratori afirmou à polícia que atirou quatro vezes no veículo após os ocupantes dispararem em direção à viatura. Os dois guardas que estavam com Muratori afirmaram que não viram o confronto.

Fonte: VEJA SÃO PAULO