Aviação

Aperto na fiscalização diminui helipontos na cidade

Com desativação de 20% dos espaços, novas regras podem tornar a atividade ainda mais restrita

Por: James Cimino

Heliport Edel Trade Center
O Edifício Edel Trade Center, no Ibirapuera: briga para continuar operando (Foto: Mario Rodrigues)

Cruzar os ares da cidade ficou mais difícil desde que o prefeito Gilberto Kassab mudou, no fim de 2009, as regras de uso, localização e construção de helipontos. A ideia era disciplinar o negócio na metrópole, que possui uma das maiores frotas do mundo, com a média atual de 400 pousos e decolagens por dia. Entre outros problemas, as novas medidas tinham como objetivo evitar que moradores de bairros residenciais, como os vizinhos na região da Avenida Faria Lima do próprio Kassab — um dos maiores usuários na capital desse tipo de aeronave —, se sintam incomodados com o barulho e afastar o zum-zum-zum incessante das escolas e hospitais.

Rodrigo Duarte - 2218
Rodrigo Duarte, da Abraphe: “A lei é impraticável" (Foto: Mario Rodrigues)

Passado pouco mais de um ano, nada menos que quarenta helipontos foram fechados — o equivalente a 20% do total existente, segundo um levantamento da Associação Brasileira de Pilotos de Helicóptero (Abraphe). Outros trinta correm o risco iminente de ter o mesmo fim. “Se isso não for revisto, ninguém terá mais como trabalhar por aqui”, afirma Elza Barbosa Martins, síndica do Edifício Edel Trade Center, na Avenida Ibirapuera, cuja plataforma fincada no topo deveria ter sido desativada em dezembro. Ela só se mantém graças a um recurso que está sob análise na Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, um dos órgãos responsáveis pela fiscalização.

Essa polêmica pode esquentar ainda mais nos próximos meses. Na última segunda (16), o Comando da Aeronáutica publicou uma portaria com uma série de novas regras para a atividade. Uma delas é o aumento da área de segurança ao redor dos helipontos de 3 para 4 ou 5 metros. Como alguns terraços de edifícios já são bastante apertados para a operação, a mudança pode inviabilizar mais uma série de espaços. “No ritmo atual, cerca de 90% das plataformas paulistanas estarão extintas até a Copa de 2014”, diz Rodrigo Duarte, presidente da Abraphe.

Heliporto Maksoud Plaza
Topo do Hotel Maksoud Plaza: plataforma de 441 metros quadrados (Foto: Tuca Vieira/Folhapress)

Uma das consequências da situação atual tem sido a concentração de operações em locais que cumprem as exigências ou ainda não tiveram suas licenças revistas. Outro movimento que começa a tomar vulto é o das empresas e profissionais ligados à atividade. Preocupados com o efeito negativo das mudanças, eles iniciaram um lobby para que as autoridades voltem atrás em alguns pontos. “A lei foi feita sem um estudo técnico aprofundado”, acredita Duarte.

A Secretaria do Verde e do Meio Ambiente explica que simplesmente cumpre as regras. Segundo cálculos das autoridades, o surgimento de outras plataformas, dentro das regras estabelecidas, vai equilibrar naturalmente o mercado. Um exemplo é o espaço em construção no topo do Hotel Maksoud Plaza, um dos itens de uma série de reformas para revitalizar o estabelecimento nas imediações da Avenida Paulista. Com uma área total de 441 metros quadrados, o heliponto, cuja inauguração está prevista para o segundo semestre, poderá receber aeronaves de grande porte, como o modelo Dauphin AS365 N3+, que tem capacidade para transportar até doze passageiros.

 

CRISE NOS CÉUS

O impacto das novas medidas na infraestrutura do trânsito aéreo

216 é o número total de locais existentes hoje para pousos e decolagens de aeronaves

40 helipontos foram desativados pela prefeitura desde o fim de 2009

30 outros helipontos correm o risco de ser desativados nos próximos meses

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO