Cinema

Os filmes premiados e esquecidos do Oscar em cartaz

Concorrentes em várias categorias da premiação estão em exibição nas salas da cidade

Por: Redação VEJA SÃO PAULO - Atualizado em

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Alguns dos filmes que foram indicados ou premiados no Oscar deste ano estão em cartaz na cidade. Veja a seguir a lista e clique para ver horários das sessões e salas de exibição.

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  • No Oscar, faturou os troféus de melhor filme, roteiro adaptado e atriz coadjuvante, para a luminosa Lupita Nyong’o. O trunfo está no assunto raras vezes abordado no cinema. Inspirada na trajetória real de Solomon Northup, extraída do livro escrito por ele e publicado em 1853, a história enfoca o período em que esse negro nascido livre virou escravo. Em 1841, Solomon (papel de Chiwetel Ejiofor) tinha uma vida tranquila com a mulher e um casal de filhos em Nova York. Violinista, foi seduzido por dois empresários a fazer apresentações em Washington. Tudo ia bem até ele acordar preso e, em seguida, ser levado para o racista sul dos Estados Unidos. Vendido como escravo, Solomon foi tratado como mercadoria, mudou de donos e virou objeto de humilhação do irascível Edwin Epps (Michael Fassbender, ponto alto do elenco). Brad Pitt, um dos produtores da fita, faz uma participação quase constrangedora. Há uma falha grave: pouco se sentem os doze anos em que Solomon ficou longe da família, e o reencontro deles parece emocionalmente forçado. Entre as qualidades, o diretor Steve McQueen (de Shame) extrai o melhor de seu casting, expõe abertamente o tratamento dispensado aos negros e compõe o registro com cenas fortes. Estreou em 21/2/2014.
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  • Elise (Veerle Baetens) tem um estúdio de tatuagem em Ghent, na Bélgica. Descolada e solteira, a moça frequenta o bar onde Didier (Johan Heldenbergh), um cantor de folk, se apresenta com sua banda. Não tarda a irem para a cama, descobrirem afinidades e consolidar-se o amor. Contudo, o romance dramático, indicado ao Oscar 2014 de melhor filme estrangeiro, foge dos aguados folhetins. O diretor Felix van Groeningen, um dos adaptadores da peça teatral para o cinema, explicita em passagens densas como a delicada relação se transformou num inferno. Motivo: aos 6 anos de idade, a filha deles, Maybelle (Nell Cattrysse), adoeceu por causa de um câncer. Estreou em 17/1/2014.
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  • Cate Blanchett teve sua atuação formidável recompensada com o Oscar de melhor atriz. Ela interpreta a Jasmine do título, uma mulher que se casou com um investidor rico de Nova York (papel de Alec Baldwin) e levava um dia a dia de compras em lojas de grife. Quando a comédia dramática se inicia, Jasmine está chegando a São Francisco para passar uma longa temporada na casa da irmã, Ginger (papel de Sally Haw kins, que concorreu a melhor atriz coadjuvante). O mundo da socialite desabou. Para explicar como Jasmine perdeu tudo, Allen recorre a fashbacks em seu roteiro original, que também concorreu ao Oscar. Estreou em 15/11/2013.
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  • O drama recebeu seis indicações ao Oscar e ficou com três prêmios: melhor maquiagem/cabelo, ator (Matthew McConaughey) e ator coadjuvante (Jared Leto). Canadense de Quebec, Jean-Marc Vallée (de C.R.A.Z.Y.) quis dar um panorama do tenebroso período da aids da década de 80 centrado num heterossexual. Interpretado por McConaughey, que perdeu mais de 20 quilos, Ron Woodroof é um caubói homofóbico e mulherengo do Texas. Em 1985, ao descobrir ter contraído o vírus, não aceita o resultado do exame e passa a exagerar no sexo e nas drogas. Ao se dar conta da morte iminente, parte para o México, onde um médico descobriu um tratamento alternativo capaz de prolongar a vida dos soropositivos. Woodroof passa a traficar o medicamento para os Estados Unidos. O roteiro ganha pontos ao trazer à tona esse personagem real e os meios encontrados por ele para lucrar com a própria doença e lutar na Justiça por seus direitos de sobrevivência. Em torno dele, porém, o registro de época soa falso, incluído aí um tipo ficcional. O gay/transexual/travesti, ou sabe-se lá o quê, feito por Jared Leto revela-se inconsistente e serve apenas para dar um contraponto à figura machista e preconceituosa do protagonista. Estreou em 21/2/2014.
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  • Não à toa, a comédia dramática levou o Oscar de melhor roteiro original. A trama se passa num futuro próximo em Los Angeles, mas teve cenas externas rodadas em Xangai, na China. Nela, Theodore (Joaquin Phoenix) sente-se solitário porque está prestes a assinar o divórcio da mulher (Rooney Mara). Seu emprego, criativo porém metódico, consiste em escrever cartas para clientes pelo computador. Do mundo virtual, vem a recompensa para os dias amargos. Theodore compra um aparelho de inteligência artificial e dele sai a voz de veludo de Samantha (Scarlett Johansson). Não demora para o protagonista se derreter pelos deliciosos papos da nova companhia e transformá-la em namorada. E ela corresponde com a mesma intensidade. A imaginação ilimitada do realizador joga o espectador num enredo de ficção científica sem escalas na realidade. É preciso embarcar no excêntrico ponto de partida para desfrutar o humor melancólico. A tristeza profunda com que o diretor/roteirista Spike Jonze aborda os relacionamentos afetivos traz, no entanto, uma evidência latente. Estreou em 14/2/2014.
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  • A animação levou o Oscar, assim como sua canção, Let It Go. Graciosa, a história enfoca a trajetória de duas princesas. Elsa, a primogênita, possui o dom de transformar em gelo tudo o que toca. Ao ser coroada, tem seu poder revelado para o povo do reino nórdico de Arendelle. Assustados, os habitantes pensam tratar-se de bruxaria. Elsa escapa de lá e refugia-se nas montanhas nevadas. Espevitada e destemida, sua irmã, Anna, precipita-se atrás dela e deixa o trono aos cuidados de seu noivo. Estreou em 3/1/2014.
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  • Drama vitorioso do Oscar de melhor filme estrangeiro. De uma plasticidade estupenda, o filme traz um recorte da alta sociedade de Roma, dominada pela breguice e por uma intelectualidade de botequim. Concentra-se em Jep Gambardella (o excelente Toni Servillo) a síntese da decadência. Irônico e ácido, Gambardella, de 65 anos bem vividos e autor de um único livro, faz entrevistas esporádicas para uma revista e mora numa magistral cobertura em frente ao Coliseu. Orbitam em torno dele poucos amigos e muitos sanguessugas. O filme possui o clima onírico das fitas de Fellini e uma alusão ao personagem de Marcello Mastroianni em A Doce Vida. Trata-se de um raro casamento entre a beleza da arquitetura e a riqueza das palavras. Estreou em 20/12/2013.
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  • O documentário foi candidato do Camboja ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Rithy Panh recria aqui os anos de terror que seu país passou nas mãos do regime do Khmer Vermelho, entre 1975 e 1979. Estreou em 14/2/2014.
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  • Da bela fotografia à atuação comovente de Oscar Isaac, a fita tem um roteiro apurado que, entre o humor e o drama, expõe melancolia e tristeza cortantes. A trama capta alguns dias na vida de Llewyn Davis (Isaac), um cantor e compositor na pindaíba sobrevivendo no rigoroso inverno na Nova York de 1961. Ele tem muito talento na música folk, mas quase nenhuma chance de fazer sucesso. Mora de favor na casa de amigos e, ao fechar a porta e sair para um teste em Chicago, o gato dos donos fica para fora do apartamento. Suas andanças com o felino a tiracolo respondem pelos momentos de graça. Na intimidade, porém, a vida do protagonista resume-se a negações e esperas, um personagem muito comum na filmografa dos Coen. Com Justin Timberlake e Carey Mulligan. Estreou em 21/2/2014.
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  • Embora com cinco indicações ao Oscar, o drama saiu sem nada. Em cena o tempo inteiro, Leonardo DiCaprio (que merecia o prêmio de melhor ator) exibe vitalidade física e artística numa atuação que faz dele, sem dúvida, o motor de uma história inspirada em acontecimentos reais. No caso, a de Jordan Belfort. O protagonista entrou no mercado financeiro aos 22 anos e perdeu o emprego quando a Bolsa de Nova York despencou em 1987. Esperto e ambicioso, instalou-se numa pequena firma de Long Island. Lá, ergueu uma fulgurante carreira para, logo depois, abrir a própria empresa, associado ao malucão Donnie Azoff (Hill). O novo amigo o apresentou às drogas. A partir daí, Belfort seguiu numa escalada profissional de fraudes, trocou a esposa por uma amante de capa de revista masculina, abusou de barbitúricos, participou de orgias e conquistou o objetivo de virar milionário. Scorsese escancara essa vida de muitos vícios e virtude zero. Prepare-se para sequências escandalosas, certamente as mais atrevidas na filmografia do cineasta. Estreou em 24/1/2014. Feitos um para o outro: o filme é a quinta parceria entre Scorsese e DiCaprio, após Ilha do Medo (2010), Os Infiltrados (2006), O Aviador (2004) e Gangues de Nova York (2002).
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  • O início do drama de época promete uma trama calorosa e emotiva. Não é, porém, o que ocorre nas mais de duas horas de projeção desta adaptação do best-seller homônimo, escrito pelo australiano Markus Zusak. Em 1938, a menina Liesel (Sophie Nélisse) ganha novos pais ao ser deixada pela mãe comunista num pequeno vilarejo alemão. Ao contrário da severa Rosa (Emily Watson), Hans (Geof frey Rush), o pai adotivo, a trata com carinho e a ensina a ler. A menina acaba pegando mais gosto pelos livros quando Max (Ben Schnetzer) consegue abrigo por lá. Trata-se de um jovem judeu, acolhido pelo casal e escondido no porão da casa. Em recriação fraquinha, a história não possui densidade dramática no enfoque da II Guerra. Estreou em 31/1/2014.
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  • Mais uma vez, o diretor Alexander Payne (Sideways) vai atrás de gente comum para fazer um drama impactante do interior dos Estados Unidos. Com seis indicações ao Oscar, não levou nenhum prêmio. Bruce Dern interpreta Woody Grant, um idoso que, sem nada a perder ou ganhar na vida, acredita ter sido contemplado com 1 milhão de dólares. Na verdade, trata-se de uma carta-propaganda mal-intencionada postada no Estado de Nebraska. Insistente na história, Grant quer sair de Montana, onde mora com a esposa (June Squibb), para buscar a fortuna. Seu filho caçula, David (Will Forte), percebendo certa loucura na atitude do pai, decide largar o emprego por uns dias para levá-lo de carro até lá. A fotografia em preto e branco realça a melancolia com a qual o realizador enfoca os laços e desenlaces familiares. Amparado em excelente time de atores (June Squibb é uma fabulosa surpresa), diálogos ácidos e condução cadenciada, o filme ainda acerta na moderada comoção. Estreou em 14/2/2014.
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  • O drama concorreu a quatro prêmios no Oscar e ficou a ver navios. Steve Coogan produziu e escreveu o roteiro desta versão para o cinema do livro Philomena, publicado em 2009 pelo jornalista Martin Sixsmith e lançado no Brasil pela Verus Editora. A história real traz lances comoventes e parece extraída da ficção. Em 1952, a jovem irlandesa católica Philomena (Sophie Kennedy Clark) dá à luz um menino num convento. Mãe solteira, ela fica separada do bebê, que ganha pais adotivos três anos depois. Philomena jamais conseguiu esquecer o trauma. Na Londres de 2002, sua filha procura o repórter desempregado Martin Sixsmith (Coogan) na intenção de ajudar a mãe a reencontrar o primogênito. Com faro para uma boa reportagem, ele oferece a dolorosa história de Philomena, agora vivida pela magnífica Judi Dench, a uma publicação. Levada pelo diretor Stephen Frears (A Rainha), a trama tem boas reviravoltas, certo humor e um ótimo confronto de personalidades entre os protagonistas.  Estreou em 14/2/2014.
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  • O filme com mais indicações ao Oscar (dez, o mesmo número de Gravidade) foi o grande perdedor e ficou sem nada. Embora superestimado, o longa-metragem tem uma condução talentosa de David O. Russell (de O Lado Bom da Vida). A comédia envolve o casal de amantes Sydney (Amy Adams) e Irving (Christian Bale), especialista em passar a perna em otários. Quando a malandragem é descoberta pelo agente do FBI Richie DiMaso (Cooper), os vigaristas precisam colaborar com o detetive. O plano consiste em pôr em maus lençóis o prefeito de Camden, Nova Jersey. Em meio às reviravoltas, entra em cena a esposa de Irving, interpretada por uma esfuziante Jennifer Lawrence. Ambientada em 1978, a história é embrulhada em impecável recriação de época e traz sensacional trilha sonora. Estreou em 7/2/2014.
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  • Hayao Miyazaki é o nome mais importante da tradicional animação japonesa. Aos 73 anos, foi pela terceira vez indicado ao Oscar (perdeu para Frozen). O desenho animado traz os belos traços do realizador para acompanhar uma história iniciada após a I Guerra. Começa flagrando o sonho do menino Jiro Horikoshi. Por ser míope, ele não pode ser piloto. Decide, então, seguir o exemplo de seu ídolo, o italiano Caproni, e se tornar um designer de aviões. A história mostra a trajetória do protagonista até a vida adulta — da realização profissional ao reencontro com uma paixão do passado. Bem menos alegórico que os outros filmes de Miyazaki (de A Viagem de Chihiro), Vidas ao Vento tem lançamento apenas na versão original — suas mais de duas horas de duração e os momentos de tristeza e contemplação devem desagradar à criançada. Estreou em 28/2/2014.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO