Música

Barra Funda ganha fábrica de vinis

Fábrica, que funciona em um galpão de 200 metros, aumenta o circuito de negócios paulistanos que surgem na onda da redescoberta dos LPs

Por: Juliene Moretti [colaborou Larissa Faria] - Atualizado em

Michel Nath Vinil Brasil
Nath: capacidade de 30 000 unidades por mês (Foto: Rogério Albuquerque)

A partir de 1995, ano em que as grandes gravadoras adotaram o CD como mídia primária para o lançamento de seus artistas, o vinil tornou-se um fantasma no mercado fonográfico. Sua procura ficou restrita a curiosos e os redutos se resumiam a lojas nas galerias do Rock e Nova Barão, no centro, e a feiras de antiguidades como a da Praça Benedito Calixto, em Pinheiros. Nesses espaços, exemplares raros de álbuns antigos eram comercializados a preço de banana. Nos últimos tempos, no entanto, uma onda vintage foi responsável por ressuscitar o interesse pelos velhos bolachões.

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Essa redescoberta incentivou o surgimento de diferentes serviços na capital, entre lojas, bares dedicados ao tema e até clube de assinatura. A mais recente dessas iniciativas é a fábrica Vinil Brasil, que se junta à Polysom, no Rio de Janeiro, como as duas únicas do gênero no país. Instalada em um galpão de 200 metros quadrados na Barra Funda e com duas prensas de 1954 recém-reformadas, sua produção-teste começa nas próximas semanas, inicialmente com capacidade para 30 000 cópias ao mês, mas com potencial para atingir até 246 000. “As máquinas estão quase prontas, falta definir apenas alguns detalhes de logística”, diz o DJ e produtor musical Michel Nath, dono da empreitada. Confira ao longo da reportagem outras novidades a respeito do universo dos LPs na capital.

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LOJAS

CASARÃO DO VINIL

Aberta no ano passado, trata-se de uma mansão de 600 metros quadrados na Mooca, com quase 500 000 discos à venda, dos mais diversos gêneros, por preçosque vão de 9,90 a 49,90 reais. Não há separação por estilo, por isso é preciso ir disposto e com tempo de sobra para dedilhar os itens pelas mesas. O acervo foiacumulado pelo engenheiro Manoel Jorge Dias, que iniciou sua incursão na área com um feirão em 2014. Rua dos Trilhos, 1212, Mooca. 9h/18h (seg. a dom.).

JACK RECORDS

Aqui a proposta é itinerante. Em dois veículos Ford Galaxie, um de 1967 e o outro de 1972, os sócios Italo Escarparo e Alexandre Brazales vendem suas preciosidades, principalmente títulos de ska, soul e punk rock. Um dos hits de venda é o álbum Good Rockin Mama (1985), conhecido como “o disco rosa” da cantora americana Etta James. Os carros costumam carregar até 300 vinis, mas não há datas definidas para as saídas. O interessado deve checar a agenda na página oficial do negócio. www.facebook.com/jackrecords

PATUÁ DISCOS

Aberta desde 2014, a casa é especializada em álbuns de soul, funk e MPB, sobretudo dos anos 60 e 80, vendidos por preços a partir de 15 reais. São cerca de6 000 exemplares, e o endereço comandado pelos DJs e pesquisadores Paulo Tahira e Ramiro Zwetsch ainda abriga lançamentos de artistas paulistanos e de livrosrelacionados à música. Rua Fidalga, 516, Vila Madalena, tel.: 2306-1647. 11h/20h (seg. a qui. e sáb.); 11h/22h (sex.).

VINYL TRUCK

O publicitário Luciano Sorrentino colecionava discos de rock e, em 2013, começou a expandir suas aquisições para jazz e MPB a fim de trocá-las por outros títulos. Em2014, investiu em uma van para que pudesse também pôr os álbuns à venda, a partir de 20 reais. Nos fins de semana, ele costuma circular com 3 000 exemplarespela cidade. Neste domingo, 5, estará na Praça Dom Orione, no Bixiga. www.facebook.com/sonzerarecords.

Luciano Sorrentino  vinil
Sorrentino: van com trilha sonora (Foto: Léo Martins)

BARES

CASA BRASILIS

Localizado em uma discreta entrada próximo à Estação Sumaré do metrô, abriga uma loja de discos com cerca de 3 000 títulos de música brasileira e rap. O lugarcostuma ser procurado especialmente por produtores de hip-hop, por causa de sua seleção alternativa. Quem explorar as outras salas do endereço podecurtir happy hours ao som de vinis e festinhas com DJs que priorizam os bolachões. Rua Amália de Noronha, 256, Pinheiros, tel.: 2825-9705. 14h/22h (qua. a sáb.).

CONCEIÇÃO DISCOS & COMES

A intenção inicial da chef Thalita Barros ao abrir seu empreendimento, em 2014, era atender vinte pessoas por dia em um restaurante de refeições rápidas.Ao incrementar a decoração com seu toca-discos pessoal e um balcão com vinis de sua preferência, tornou o local um point de amantes de LPs.As cerca de 500 cópias costumam tocar nas caixas e estão à venda. Na trilha, predomina a música brasileira. No balcão, os mais pedidos são o sanduíche de pernile ovo frito no pão de queijo. Rua Imaculada Conceição, 151, Santa Cecília, tel.: 3477-4642. 10h/21h (ter. a sáb.).

MANDÍBULA

Durante o dia, funciona como café e loja de discos de rock clássico — são cerca de 600. À noite, os armários são cobertos, servindo de balcão extra. O bar de 25metros quadrados chega a receber 400 pessoas por vez e transformou-se em reduto moderninho na Galeria Metrópole, no centro. O item mais pedido do cardápioé o gim-tônica, que pode ser saboreado com vista da sacada para a Avenida São Luís. Praça Dom José Gaspar, 106, 2º andar, loja 40, centro. tel.: 3129-9556. 14h/22h(ter. e qua.); 14h/0h (qui. e sex.); 14h/22h (sáb.).

SENSORIAL DISCOS

No menu, há cerca de 1 200 vinis novos de bandas de rock alternativas e independentes, incluindo aquelas que se apresentam por lá. Já no balcão, os bolinhos de tapioca e as cervejas artesanais são os hits. Rua Augusta, 2389, Cerqueira César, tel.: 3333- 1914. 11h/20h30 (seg. a qui.); 11h/0h (sex. e sáb.).

CLUBE DE ASSINATURAS

> NOIZE RECORD CLUB

Criado pela revista Noize, funciona de forma similar às propostas de outros produtos, como vinhos e cervejas. Por uma taxa trimestral de 78 reais, o serviço encarrega-se de enviar, anualmente, quatro discos de tiragem limitada à casa do cliente. É possível também comprar uma obra avulsa, por 98 reais. O frete está incluso no valor do pacote. A iniciativa foca artistas da recente música popular brasileira, como Banda do Mar, Curumim e Otto. Em junho, o álbum despachado será Dancê, da paulistaTulipa Ruiz. 

Fonte: VEJA SÃO PAULO