Sesc Pinheiros

Exposição revela o Mediterrâneo para São Paulo

Mostra reúne vídeos, instalações, fotografias, esculturas e pinturas da região onde Ocidente e Oriente se encontram

Por: Rafael Argemon - Atualizado em

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A exposição The Mediterranean Approach, em cartaz no Sesc Pinheiros, reúne esculturas, pinturas, instalações e vídeos de artistas de toda a região banhada pelo Mar Mediterrâneo, como Itália, Grécia, França, Turquia, Egito, Marrocos e Líbano. “Nada melhor do que uma cidade plural como São Paulo, onde pessoas de tantas partes do mundo e locais com raízes mediterrânicas vivem, para sediar uma exposição como essa”, diz a curadora Adelina Von Fürstenberg.

Aliás, não só a capital paulista, mas o Brasil tem muito em comum com o universo tão contrastante do local onde Ocidente e Oriente se encontram.

Segundo Adelina --ela própria turca de descendência armena, que estudou na Grécia e vive na Itália--, nosso país compreende bem o espírito do Mediterrâneo, em que arte, cultura, religião e política vivem em um mesmo caldeirão multiétnico.

Todas as obras da mostra são inéditas no Brasil e antes de chegar a São Paulo passou pela Bienal de Veneza (2011), na Itália, e pelo Museu de Arte Contemporânea de Marselha, na França, em 2012.

Entre os trabalhos expostos destacam-se a escultura 100 Words of Love, da egípcia Ghada Amer, que consiste em, literalmente, 100 palavras sobre o amor construídas com letras do idioma árabe.

“O Ocidente liga a língua árabe a uma mensagem de ódio, à imagem de terroristas. Quero mostrar com a minha obra que nosso idioma também expressa o amor como todos os outros”, explica Ghada.

FILME

Já o curta animado No Darkness Will Make us Forget, do turco Huseyin Karabey, com desenhos de Aksel Zeydan Göz, retrata o funeral do jornalista Hrant Dink, turco-armênio morto em Istambul em 2007 por um nacionalista de 17 anos de idade.

O filme mostra a marcha de duas mil pessoas por Istambul em protesto contra o assassinato. No áudio, o discurso proferido por Rakel Dink Belve em homenagem a seu marido falecido ecoa como uma poderosa mensagem que se tornou um manifesto de paz e tolerância.

“Eu era muito amigo de Hrant e fiquei com muita raiva quando soube de seu assassinato. Quando cheguei ao protesto ainda estava cheio de raiva, mas as palavras de Rakel foram tão lindas que meu sentimento virou uma grande vontade de passar ao mundo aquela mensagem. Por isso pensei na animação com poucos traços, para mostrar ao público que o mais importante era o discurso", conta Karabey.

Além dos dois, doze artistas são representados na exposição: Ziad Antar, Faouzi Bensaïdi, Jacques Berthet, Marie Bovo, David Casini, Ange Leccia, Adrian Paci, Maria Papadimitriou, Khalil Rabah, Zineb Sedira, Gal Weinstein e Peter Wüthrich.

“Estamos em um período histórico de evolução e revolução. Desde os conflitos da Primavera Árabe até a crise econômica na Grécia, Itália e Espanha, a atenção sobre a região nunca foi tão grande e queremos alimentar a discussão sobre essas problemáticas por meio das artes visuais. Estas obras se afirmam no sentido da garantia de direitos fundamentais e da liberdade de expressão. Queremos que o público possa conhecer a realidade por meio da arte”, conclui Adelina.

Saiba mais sobre a mostra  The Mediterranean Approach.

Fonte: VEJA SÃO PAULO