Especial Educação

Para atrair alunos, escolas criam cursos como desenvolvimento de games

Atividades extras incluem ainda teatro com foco em expressão oral e finanças pessoais e empreendedorismo 

Por: Patricia Figueiredo

COLEGIO BANDEIRANTES
Estudantes do Bandeirantes: projetos digitais na sala de aula (Foto: Alexandre Battibugli)

Todos os anos, boa parte dos melhores colégios da cidade precisa investir pesado em novidades para manter a qualidade e entreter os alunos. Em 2016, muitos deles criaram uma nova safra de cursos complementares com o objetivo de tornar assuntos considerados pouco interessantes, como história e matemática, algo divertido. Em geral, o desafio é fazer a pedagogia sair da era analógica para a digital.

O Bandeirantes, localizado na Vila Mariana, seguiu esse modelo de forma literal. Situada na sétima posição no ranking do Enem no Estado de São Paulo em 2015, a escola implantou uma aula extra curricular de geração de games voltada para o 8º ano do ensino fundamental. A disciplina mostra os primeiros passos para desenhar os jogos e até como programá-los. “Os garotos descobrem que o processo é muito mais complexo do que imaginam”, explica o professor Tiago Eugênio.

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Segundo ele, a interação com outras disciplinas acontece de forma natural, conforme surgem as necessidades de cada equipe. “Um grupo investiu em um enredo sobre patos e gansos e, por isso, teve de recorrer à biologia para retratar o comportamento desses animais. O outro escolheu como herói um cavaleiro medieval e precisou pesquisar armas e roupas da época”, exemplifica.

Seguindo uma linha semelhante, o Mater Dei, no Jardim Paulista, desenvolveu um projeto sobre a cidade para os matriculados do 2º ano do fundamental. A meta era reproduzir monumentos da capital usando uma tecnologia semelhante à do game Minecraft. “Minha amiga e eu escolhemos construir o Masp”, conta Julia Nagao, de 7 anos. “O difícil foi fazer as contas para definir o tamanho de cada coisa.” A mãe da garota aprovou a lição de casa. “Antes, minha filha podia passar no máximo uma hora por dia jogando. Agora, permito que fique por mais tempo, desde que seja para fazer pesquisa escolar”, diz a gestora de contas Amanda Saint Martin.

escola mater dei
Júlia, do Mater Dei: projeto baseado no Minecraft (Foto: Reinaldo Canato)

Com o objetivo de estimular os jovens a se desenvolver nas áreas de física, química, biologia e matemática, o Móbile, na Vila Nova Conceição, adicionou ao currículo a disciplina engenhocas, na qual a turma do 2º ano do ensino médio constrói protótipos. “Lidar com orçamentos foi um problema para a gente. Precisamos pensar em algo legal, mas não exorbitante”, relata o estudante Bernardo Lisboa, de 16 anos, que montou junto a outros dois colegas um aquecedor solar caseiro.

Fora da área digital também há iniciativas interessantes. O Vértice, no Campo Belo, por exemplo, incluiu na grade aula de teatro com foco em expressão oral para o ensino fundamental e de crítica cultural no médio. No Santo Américo, no Morumbi, há classes de atualidades para o ensino médio, que abordam questões como o estupro, eleições e o envolvimento de jovens na política. No Etapa, teve surpreendente aceitação a matéria de economia, finanças pessoais e empreendedorismo, voltada para alunos do 3º ano do ensino médio. “Normalmente, esses temas são tratados apenas na graduação, mas a iniciativa tem feito bastante sucesso por aqui”, diz o coordenador Pablo Rodrigo Ganassim. 

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De acordo com especialistas em educação, essas atividades interdisciplinares são muito positivas para o aluno e as instituições de ensino. “Elas aumentam o interesse do estudante e, consequentemente, seu aprendizado em diversas áreas básicas do conhecimento”, diz Maria Angela Barbato, coordenadora do curso de pedagogia da PUC. “Só não vale abusar da carga horária do professor ou aumentar a mensalidade, porque, nesse caso, em vez de trazer benefícios, pode provocar desgaste a todos.”

 

CURRÍCULO VARIADO

Conheça algumas das principais novidades adotadas por instituições de ensino da cidade

 

BANDEIRANTES

Mensalidade: de 3 105 (fundamental) a 3 380 reais (ensino médio)

O que lançou neste ano: aula de criação de games

 

ETAPA

Mensalidade: de 2 494 (fundamental) a 3 260 reais (ensino médio)

O que lançou neste ano: matéria de economia e finanças pessoais

 

MATER DEI

Mensalidade: de 2 244 (fundamental) a 2 830 reais (ensino médio)

O que lançou neste ano: projetos com base no jogo Minecraft

 

MÓBILE

Mensalidade: de 2 800 (fundamental) a 3 400 reais (ensino médio)

O que lançou neste ano: curso para a construção de protótipos

 

SANTO AMÉRICO

Mensalidade: de 3 519 a 4 304 reais (fundamental, integral)

O que lançou neste ano: classes para discutir temas atuais

 

VÉRTICE

Mensalidade: de 2 350 (fundamental) a 4 480 reais (ensino médio, integral)

O que lançou neste ano: disciplinas de crítica cultural e de teatro com foco em oralidade

Fonte: VEJA SÃO PAULO