Bares

Casa promove "encontros-cabeça" para discutir bebidas alcoólicas

Misto de aula com conversa de botequim, reuniões acontecem todo mês no SubAstor, na Vila Madalena

Por: Saulo Yassuda

SubAstor - aula
Enquanto discutem sobre bebida alcoólica no SubAstor, clientes bebericam drinques (Foto: Mario Rodrigues)

Os participantes vão entrando. "Fiquem à vontade", diz o professor,enquanto distribui as apostilas. "Se eu esquecer o nome de alguém, me perdoem." Uma pessoa da turma responde: “Acontece com quem bebe!”. A classe ri. Não houve advertência nem punição pela piada. Afinal, o mestre entorna mesmo. E abastece os estudantes. Seu nome é Fabio La Pietra, barman do SubAstor, na Vila Madalena.

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Em frente ao balcão, grupos de até dez pessoas fazem parte de discussões mensais sobre bebidas alcoólicas antes de o bar abrir ao público -- a próxima aula está programada para 6 de agosto. Com direito a degustação, a reserva de lugares é feita pela internet (foodpass.com.br) e custa 110 reais por pessoa. O encontro dura uma hora e meia.

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Temas-cabeça como "O consumo do álcool nas diferentes classes sociais" constam na agenda escolar. Apesar dos nomes de assustar com esse jeitão acadêmico, os encontros misturam o clima das conversas de botequim ao dos cursos livres da Casa do Saber, no Itaim, nos quais alunos bebericam vinhos entre um tópico e outro.

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Na aula inaugural, em junho, acompanhada pela reportagem de VEJA SÃO PAULO, La Pietra tratou do nascimento das bebidas na China, no Egito e em civilizações pré-colombianas. Por vezes, recorria a referências pop, como a cantora Miley Cyrus e o funk ostentação de MC Guimê, para ilustrar as teses.

A plateia dividia as atenções entre o professor e os coquetéis oferecidos -- todos relacionados à matéria, claro. Um deles era o adonis, combinação de vermute tinto, xerez, bitter e o amargo Lucano, enfeitado por uma folha de prata. "Quero que o cliente conheça o que há por trás do drinque, tudo de maneira bem informal”, diz o mestre.

O público reunia de neófitos a entendidos no assunto. Bebedor das antigas, o médico Sérgio Agria se mostrou um dos mais sabidos. "O encontro pode não ter acrescentado muito. Gostei, no entanto, da experiência", disse. Para a designer Monica Cusnir, o saldo também foi positivo. "Achei que haveria mais discussão, mas está valendo", concluiu, antes de se voltar para o balcão, onde esticou a noite ao lado de um colega recém-conhecido.

SubAstor - drinque Adonis
O coquetel Adonis, do SubAstor: vermute tinto, xerez, bitter e o amargo Lucano, enfeitado por uma folha de prata (Foto: Mario Rodrigues)

 

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO