Aviação

Emirates Airline oferece tratamento luxuoso

Na classe mais exclusiva e cobiçada de um Boeing 777, percorrer as quinze horas de voo entre São Paulo e Dubai vira uma delícia

Por: Alvaro Leme - Atualizado em

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Em casa: nos voos da Emirates, a cabine da primeira classe dispõe de portas e divisórias que podem ser fechadas para garantir privacidade quase total (Foto: Brett Danton)

Filé-mignon com molho béarnaise ou postas de corvina apimentadas? Omelete? Vinho chardonnay? E de sobremesa, será que vai bem a torta de maçã? Diante de tantas opções aparentemente saborosas, oito pessoas quebram a cabeça antes de decidir seu pedido. Cena corriqueira, exceto pelo fato de estarmos num avião, sobrevoando o Oceano Atlântico a 12 000 metros de altura. Ah, sim! Na primeira classe. “O senhor pode começar pelo café da manhã ou pelo jantar”, avisa Leonardo Cristofani, um dos comissários. Ele explica, num tom pausado e cordial similar ao dos demais tripulantes, que alguns passageiros viajam muito e acabam trocando o dia pela noite devido às diferenças de fuso horário. Daí, cada um determina a ordem em que prefere saciar a fome e com o quê. Faz sentido. Principalmente porque cada bilhete do espaço mais nobre da aeronave custa 14.000 dólares (cerca de 25.000 reais, tarifa de ida e volta no trecho entre São Paulo e Dubai). “Quem paga esse preço espera um serviço irrepreensível e não abre mão de sossego”, afirma Ralf Aasmann, diretor-geral no Brasil da empresa em que viajamos, a Emirates Airline. 

Brett Danton
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Omelete de parmesão, sálvia e aspargos, com batatas rosti e tomate grelhado, no desjejum: o passageiro é quem escolhe o horário de jantar e de tomar o café da manhã (Foto: Brett Danton)
Omelete de parmesão, sálvia e aspargos, com batatas rosti e tomate grelhado, no desjejum: o passageiro é quem escolhe o horário de jantar e de tomar o café da manhã

Privacidade, aliás, não falta. Em vez de poltronas, há cabines individuais equipadas com porta e paredes retráteis. Quem não quer ser importunado pode, além de fechá-las, acionar uma luz em que se lê “não perturbe”, indicando que prefere abdicar do serviço de bordo. As divisórias, com aproximadamente 1,70 metro de altura, não isolam por inteiro essa espécie de quitinete voadora — cada uma ocupa área quase equivalente à de seis assentos da classe econômica —, porém, do lado de fora, pouco se enxerga seu interior. Se um dos viajantes decidisse, por exemplo, dormir de roupa íntima, dificilmente um dos vizinhos perceberia. A cadeira, equipada com massageadores em cinco pontos, reclina-se até virar uma cama de 1,98 metro de comprimento. Não precisa nem se incomodar em arrumá-la antes de dormir. Basta pedir a um dos quatro tripulantes escalados para atender exclusivamente o setor AAA. 

Divulgação
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Barzinho, disponível apenas nos aviões A380: opção para quem quer bater papo durante a viagem ou molhar a garganta de madrugada (Foto: Divulgação)
Barzinho, disponível apenas nos aviões A380: opção para quem quer bater papo durante a viagem ou molhar a garganta de madrugada

A Emirates tem um histórico de segurança pouco comum: desde que foi criada, 25 anos atrás, nunca se registrou nenhuma queda de seus aviões. Ela disputa mimo a mimo o posto de primeira classe mais luxuosa com a Singapore Airlines. Como essa última não opera no Brasil, a companhia oficial de Dubai sai na frente entre os paulistanos. Pode parecer que se trata de uma vitória por W.O., mas não é. O atendimento especial começa antes mesmo de pisar no aeroporto, quando um Omega blindado enviado pela empresa passa para buscar o passageiro em casa. Em Cumbica, nada do stress da loooooonga fila do check-in. Como em outras companhias aéreas, o atendimento no balcão da primeira classe é diferenciado. Dois funcionários recebem e orientam o despacho das malas. Pode-se aguardar o embarque numa sala vip, onde há wi-fi grátis, petiscos e bebidinhas. Uma funcionária passará pelo local para avisar quando a aeronave estiver de portas abertas.

Antes mesmo da decolagem, tem início o serviço de bordo. Pode-se pedir champanhe Dom Pérignon, safra 2000, à vontade ou escolher um entre cinco bons vinhos (naquele voo, Baron de Ladoucette Pouilly-Fumé 2003, Cakebread Cellars Chardonnay 2005, Château Leoville Poyferré 2000, St Julien e Silverado Vineyards Merlot 2004). Em pouco mais de vinte minutos, o passageiro encontra-se coberto de ‘amenities’, nome pomposo que o segmento AAA adora usar para o bom e velho brinde. Começa com um nécessaire de couro, repleto de produtos de higiene pessoal, inclusive uma caixinha de colônia e hidratante da grife italiana Bulgari. E olha que, nos banheiros, há frascos de perfume da marca francesa Rochas... Pijama, pantufas, toalha e manta vêm na sequência. Entre as opções de lazer, chama atenção a lista de 100 canais para ver na televisão de 23 polegadas. Também há 200 filmes, inclusive o recente arrasa-quarteirão ‘Avatar’, de James Cameron. Não fosse uma turbulência ou outra (infelizmente, ainda não inventaram um jeito de evitar esse incômodo), daria para se sentir na sala de casa. Isso, claro, para quem dispõe de centenas de alternativas de programação no aconchego do lar. 

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Aeroporto de Dubai espaço vip_2167a
Espaço vip da companhia aérea no aeroporto de Dubai: 800 lugares, restaurante e academia de ginástica (Foto: Divulgação)
Espaço vip da companhia aérea no aeroporto de Dubai: 800 lugares, restaurante e academia de ginástica

Verdade seja dita, a sala vip em Guarulhos deixa a desejar. Havia mobília velha e cadeiras massageadoras que não funcionavam direito, por exemplo. “Não dispomos de uma só nossa, por isso pagamos a uma empresa aérea brasileira para dividir o espaço”, explica Aasmann, da Emirates. Já a ala exclusiva no Aeroporto de Dubai impressiona positivamente. Localizada no terminal 3, tem 800 lugares. Conta com restaurante, academia de ginástica, spa 24 horas, área de lazer para crianças — tudo gratuito —, além de um balcão para agendar o transporte para o dia do retorno ao país de origem. Há um segundo ambiente, só da classe executiva, para 1 500 pessoas.

Nosso Boeing 777, porém, não representa o ápice do luxo oferecido pela companhia árabe. Esse papel cabe ao Airbus A380, que não faz as rotas da Emirates para o Brasil (voa apenas entre Toronto, Bangcoc, Seul, Paris, Londres, Sydney, Oakland, Jidá e Dubai). Por se tratar do maior avião comercial em operação no mundo, com três andares, oferece chuveiro e um kit de cosméticos. Um lounge de convivência com barzinho e sofá — nem todo mundo que viaja quer sossego, afinal de contas — completa o ambiente. Se o papo estiver animado e o comandante acionar o alerta de cinto de segurança, não tem problema: é só afivelar-se num dos banquinhos ali mesmo.

O MAPA DO MIMO

Veja os detalhes da cabine, tintim por tintim 

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(Foto: Focke Strangmann)

 

1. Com tela sensível ao toque, o visor controla tudo no espaço, da programação ao fechamento da porta.

2. Reclinada, a cadeira tem 1,98 metro de comprimento. Dotada de equipamento vibratório em cinco pontos, permite escolher três modalidades de massagem.

3. Basta apertar um botão dourado e o minibar, oculto sob o painel, vem à tona com refrigerantes, água mineral Perrier e suco de cranberry. Se algo acabar, é só pedir a um tripulante para reabastecer.

4. O champanhe é o Dom Pérignon safra 2000 (no Brasil, a garrafa custa 700 reais). Quem prefere vinho não passa vontade, pois há cinco rótulos de ótimas regiões produtoras na carta.

5. Para relaxar e embarcar no sono, frascos com essências calmantes embalam a turma que curte aromaterapia.

6. Há incontáveis opções de lazer a bordo. Além de filmes, seriados famosos como ‘Friends’ e outros menos conhecidos no Brasil, caso de ‘Happy Days’, da década de 70. 

Fonte: VEJA SÃO PAULO