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Dono da Mega Model, Eli Hadid vai estrear programa na Rede TV!

Dono da agência está por trás de um novo programa dominical apresentado por elenco lindíssimo

Por: João Batista Jr.

Eli Hadid ao lado de modelos
Eli Hadid rodeado pelas modelos Izabel Goulart, Renata Kuerten, Isabeli Fontana, Raica Oliveira e Ana Beatriz Barros: game show, entrevista e assistencialismo na receita da produção (Foto: Jacques Dequeker)

O empresário Eli Hadid Wahbe, de 53 anos, já escreveu com louvor e muitas brigas sua história no mercado da moda nacional. Agente de manequins há três décadas, foi responsável por lançar na carreira algumas das mulheres mais lindas do país, como Ana Paula Arosio, Luana Piovani, Fernanda Lima e Taís Araújo. Muitas delas, a bem da verdade, não podem ser consideradas descobertas dele. Hadid ficou conhecido por roubar as profissionais da concorrência, realizando tocaias em portas de camarins para fazer propostas. Por isso, virou uma das figuras mais controversas do ramo. Graças a métodos polêmicos como esse e ao inegável tino comercial, ele se transformou numa das figuras mais bem-sucedidas desse meio. Sua companhia Mega Model é hoje uma das maiores do país, com um casting de mais de 400 profissionais, incluindo tops como Izabel Goulart e Ana Beatriz Barros. A estrela-mor dessa constelação é Isabeli Fontana, que só aceita negociações para campanhas publicitárias a partir de 500 000 reais.

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Ambicioso, Hadid quer repetir agora esse êxito fora das passarelas com a estreia de um programa na RedeTV!. Sempre em seu estilo pouco modesto, o empresário conta que negociou tudo diretamente com um dos sócios da emissora, Amilcare Dallevo Jr. “Sou padrinho de casamento dele e fechamos a parceria no ar”, revela. A sociedade em questão envolve a atração dominical Chega Mais, que começa a ser veiculada a partir de 1º de março. Ela terá cenas em estúdio, com auditório, e em locações externas, como em Ilhabela, no Litoral Norte. A receita mistura game show, entrevistas e quadros de assistencialismo. Um deles vai abordar a história de um órfão de 17 anos que sonha ser profissional de moda. Em outro, a produção vai tentar encontrar um lar para cachorros abandonados. Também haverá um concurso entre blogueiras de moda. 

Croqui programa Chega Mais
Cenário do programa Chega Mais: parceria entre Eli Hadid e RedeTV! (Foto: Reprodução)

A apresentação ficará sob a responsabilidade de Renata Kuerten, Matheus Mazzafera e Adriano Dória. Outras modelos gravam participações especiais quando estiverem no Brasil. “Comigo não tem problema de ego de modelo”, avisa Hadid, que ficará atrás das câmeras. “Eu mando nas garotas, então elas não gritam comigo. Sempre me tratam bem”, diz. Seu discurso vai crescendo na empolgação e na megalomania. “Teremos imagens lindas e sem apelar para a baixaria. Na verdade, vou fazer uma revolução na TV brasileira!”

Antes de chegar a esse ponto, Hadid terá pela frente outro desafio: tirar do traço a RedeTV! nas noites de domingo. Atualmente, a emissora amarga média de 1 ponto no ibope nesse dia. “Com o Chega Mais, vamos elevar a qualidade do nosso cardápio de atrações”, acredita Alexandre Raposo, o novo diretor comercial do canal. “É uma chance de agradar aos anunciantes e conquistar mais audiência.” Hadid possui controle absoluto sobre a empreitada. Para o cargo de diretor de fotografia, escalou o renomado fotógrafo Jacques Dequeker. Toda a edição é feita dentro da Mega com uma equipe contratada pelo dono da agência. O pacote é entregue pronto para exibição na RedeTV!, como uma produção independente.

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Cada programa terá um custo estimado em 170 000 reais. Para viabilizar o negócio, Hadid passou o chapéu entre os anunciantes e vendeu cinco das seis cotas de patrocínio, cada uma delas por 375 000 reais. Ele já teve outras experiências na TV, quando criou quadros como Menina Fantástica para a Rede Globo, extinto em 2012. “É um ótimo vendedor, insiste tanto que o cliente acaba anunciando só para não ter de aturá-lo mais no escritório”, alfineta um agente concorrente.

Hadid nasceu no bairro do Ipiranga. Seu pai, imigrante egípcio, trabalhava em uma empresa de colchões. A mãe, mexicana, era dona de casa. O empresário nunca fez faculdade e entrou no mundo da moda quando foi acompanhar, em 1982, uma namorada da adolescência que fazia bico como manequim.“Vi que esse mercado era desorganizado, as meninas trabalhavam para mais de uma agência ao mesmo tempo”, conta. O romance com a menina não vingou, mas ele decidiu entrar para o ramo. Casou-se uma vez e hoje está solteiro. Teve três filhos de dois relacionamentos. O retrato da mais velha decora a mesa de seu escritório no bairro de Cidade Jardim e faz parte de uma lembrança dolorosa. Aos 21 anos, a estudante de direito Viviane se suicidou pulando do 7º andar do prédio onde morava, em dezembro de 2012, no Morumbi. Uma das suspeitas é que a jovem tenha se matado uma semana após ter sido drogada e estuprada numa festa de fim de ano com colegas de trabalho. Ela estagiava no escritório de advocacia Machado Meyer, um dos maiores da cidade. Hadid não entrou com uma ação contra o escritório.“Nada vai trazer a minha filha de volta”, justifica.

Fonte: VEJA SÃO PAULO