Estilo

Questão de pele

Diego Rocha faz a mão e sob medida bolsas com cortes de avestruz, píton e crocodilo para quem dá de ombros a grifes e logos

Por: Tatiana Cesso, de Chicago - Atualizado em

diego rocha
Diego Rocha: ateliê em Chicago e planos para Miami (Foto: Divulgação)

Seis anos atrás, a empresária americana Georgette Mitrovic não abria mão da Lady Dior, bolsa da grife francesa Christian Dior. Desde que descobriu um pequeno ateliê em Chicago, no entanto, ela não é vista em outra companhia senão na de peças assinadas pelo designer paulista Diego Rocha, um nome que vem conquistando fãs nos Estados Unidos. “É uma questão de afinidade com ele e com seu trabalho”, diz Georgette. A cliente número 1 do ateliê tem hoje 51 bolsas de Rocha, com preços que variam de 780 a 10 000 dólares. O que a seduziu foi a mistura do atendimento “alta-costura” com matéria-prima de primeira. As peças são únicas. A cliente escolhe o formato — há doze desenhos-chave — e, com base em uma conversa com o designer, elege o couro, as cores e os adereços. As opções incluem píton e lagarto da Indonésia, avestruz da África do Sul e crocodilos do Nilo e da Colômbia. “Sou atraído pela textura das peles exóticas”, afirma Rocha. Cada bolsa consome, em média, três dias de trabalho. É ele quem se ocupa de fazer a mão cerca de 70% da peça. Forro e acabamentosficam a serviço de dois assistentes, também artesãos.

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Rolos de couro de crocodilo no ateliê de Chicago: gosto pela textura (Foto: Laercio Luz)
Aos 37 anos, Rocha conhece do avesso o que é uma boa costura. Cresceu em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo, brincando no ateliê da mãe, a modelista Aurora Canassa. “Ela varava noites costurando para Dener e Clodovil”, conta ele, referindo-se aos costureiros mais importantes do país. Mas Rocha só descobriu a vocação de designer em 2001, enquanto estudava finanças em Nova York. Fascinado por bolsas, arriscou produzir um modelo a tiracolo. “Desde então, desenvolvi uma obsessão por materiais, formas e acabamentos.” Cinco anos depois, essa obsessão lhe rendeu o prêmio de melhor bolsa artesanal no Independent Handbag Designer Awards, promovido pela revista InStyle (a “irmã” americana da ESTILO, revista de moda publicada pela Editora Abril). A eleita foi o modelo Baby Jane de avestruz, hoje um best-seller.

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70% das bolsas, como o modelo Baby Jane, são feitas por ele (Foto: Divulgação)
Em Chicago desde 2005, Rocha estuda abrir um endereço em Miami. Como bom adepto do sob medida, a ideia não é vender quantidade — essa vontade ele satisfaz no comando das coleções de bolsas da Kenneth Cole, marca americana equivalente à Arezzo no Brasil. Por ora, ele quebra a cabeça com questões mais importantes, como descobrir o melhor centímetro quadrado num corte de píton esmeralda para atender à mais recente encomenda de Georgette: uma carteira de mão para ela carregar à noite.

Fonte: VEJA SÃO PAULO