Memória

Dez fatos sobre as Casas Bahia e a história de seu fundador, Samuel Klein

O empresário faleceu nesta quinta (20)

Por: Veja São Paulo - Atualizado em

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Samuel Klein, fundador das Casas Bahia, morreu às 4h30 da manhã desta quinta-feira (20), aos 91 anos. Ele estava internado havia quinze dias no Hospital Israelita Albert Einstein e foi vítima de insuficiência respiratória.

Confira dez fatos sobre a sua história e a de sua empresa, fundada no ABC paulista nos anos 50.

1) A unidade pioneira foi inaugurada em 1957 na cidade de São Caetano do Sul. Ex-prisioneiro de campos de concentração nazistas, seu fundador, polonês nascido em Lublin Samuel Klein, chegou ao Brasil em 1952 com 6 000 dólares, dos quais 4 000 serviram para dar entrada em uma casa. Com o resto do dinheiro comprou uma charrete, um cavalo e uma lista com 200 nomes de fregueses de um comerciante, judeu como ele, que queria largar a vida de mascate.

Casa Bahia, primeira loja comprada por Samuel Klein
A unidade pioneira das Casas Bahia, em São Caetano do Sul (Foto: Dedoc)

2) Samuel passou a vender toalhas sustentar a mulher, Ana, e o primogênito, Michael, nascido na Alemanha dois anos antes e que veio a se tornar presidente da empresa, vendida em 2009 para o grupo Via Varejo.

3) Cinco anos depois de chegar ao Brasil, Samuel Klein tinha 5 000 clientes e, com umas economias que havia juntado, comprou sua loja pioneira, em São Cae­tano do Sul. A loja já se chamava Casa Bahia (no singular), nome escolhido por causa da grande quantidade de nordestinos que viviam nas redondezas.

Samuel Klein, fundador e presidente da rede de lojas Casas Bahia, e Michael Klei
Samuel e o filho Michael, que começou a trabalhar na empresa aos 18 anos (Foto: Dedoc)

4) Filho de Samuel, Michael Klein, atualmente com 63 anos e um dos sócios da Via Varejo, tinha 18 quando foi trabalhar nas Casas Bahia, em 1968. Ciente da tradição de que o filho mais velho tinha o dever de suceder ao pai, abriu mão do sonho de ser arquiteto para estudar administração de empresas. Acompanhou a ascensão meteórica da companhia, que na década de 80 deu duas grandes tacadas: a aquisição das 25 lojas da rede Columbia e a das 35 da Tamakavi, que pertencia ao apresentador Silvio Santos.

5) O primeiro passo das Casas Bahia fora do mercado paulista viria em 1995, com a compra das Casas Garson, do Rio de Janeiro.

6) Naquela época, como na expansão que viveu na última década, parte do mérito deveu-se à publicidade. E olha que, trinta anos atrás, Samuel Klein dizia não precisar de propaganda. Convencido por um funcionário, passou a dedicar 3% do faturamento anual às campanhas. Nasceram, assim, o Baianinho, símbolo da empresa, e o slogan “Dedicação total a você”. 

Loja da Casas Bahia
Loja das Casas Bahia (Foto: Bia Parreiras)

7) O dinheiro, aparentemente, nunca subiu à cabeça dos Klein. É comum ouvir relatos de que tratam com a mesma atenção da cozinheira à dona da casa. Os tempos duros que Samuel atravessou parecem ter marcado a todos. Conta-se que sua mulher, Ana, usou um mesmo sofá durante 25 anos, recorrendo a sucessivas trocas de forro.

8) Hoje, a família Klein é dona de 384 imóveis avaliados em 4 bilhões de reais - entre lojas, galpões industriais, centros de distribuição e escritórios. 

Fabiano Augusto na propaganda da Casas Bahia
O ator Fabiano Augusto em propaganda veiculada em 2003 (Foto: Dedoc)

9) Atual garoto-propaganda da marca, o ator Fabiano Augusto, de 38 anos, está em cartaz até este domingo (23) no papel do cantor Ney Matogrosso no musical Rita Lee Mora ao Lado, protagonizado por Mel Lisboa. Augusto já era um rosto conhecido antes desse espetáculo, mas virou celebridade entre 2002 e 2006, como garoto-propaganda da Casas Bahia. Nesse período, rodou praticamente um filme por dia, berrando o bordão "Quer pagar quanto?". Depois de sete anos afastado, voltou aos anúncios em 2013.

Super Casas Bahia, megaloja da rede montada no Pavilhão de Exposições do Anhembi
Super Casas Bahia realizou sua última edição em 2009 (Foto: Raul Junior)

10) A Super Casas Bahia, megafeira que realizou sete edições e ocupava 150 000 metros quadrados do Anhembi, era um laboratório para testar novidades — de chapinha de cabelo a automóveis, milhares de produtos foram lançados por lá. O evento incluía, além de uma horda de vendedores, shows da Disney como O Rei Leão. A primeira foi feita em 2003 e a última, em 2009.

Fonte: VEJA SÃO PAULO