Especial

Pilotos brasileiros relembram momentos históricos do GP Brasil

Grandes nomes do automobilismo nacional de diferentes gerações falam de emoções que viveram no Autódromo de São Paulo

Por: Jéssika Torrezan - Atualizado em

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Rubens Barrichello: 'Um momento especial foi a pole position de 2009' (Foto: Getty Images/Staff)

“O GP do Brasil tem uma energia contagiante, e não somente no domingo, dia da corrida. Durante toda a semana o ambiente é de alegria. Pude sentir isso várias vezes. Um momento especial foi a pole position de 2009, com a Brawn. Foi uma classificação bem difícil e suada, que teve final feliz. Na corrida, enfrentei vários problemas, como um pneu furado. Acabei fechando a prova na oitava posição. Mas, para mim, a melhor coisa de Interlagos é poder dormir em casa, tomar café da manhã com a família e contar com o apoio da massa de fãs.” Rubens Barrichello - Vice-campeão em 2002 e 2004

“Minhas memórias de F1 como piloto estão mais relacionadas ao circuito de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, onde minhas principais vitórias aconteceram. Mas lembro que, quando era mais novo, vinha de Brasília ver a corrida em Interlagos, assistir ao Emerson Fittipaldi competir. Minha turma pulava o muro porque não tinha dinheiro para comprar o ingresso e tinha de fugir da polícia para não ser colocada para fora.” Nelson Piquet - Tricampeão, em 1981, 1983 e 1987

“No meu primeiro GP por aqui, em 1992, a bordo de uma Minardi, estava parado no grid, esperando o sinal verde, quando a galera começou a gritar meu nome. O nervosismo por causa da estreia aumentou ainda mais! Acabei quebrando com umas quinze voltas para terminar, mas a emoção daquela largada vou lembrar para sempre.” Christian Fittipaldi - 43 provas entre 1992 e 1994

Emerson Fittipaldi - Fórmula 1 - especial 2244
(Foto: Mario Rodrigues)

“Interlagos é minha vida. Então, fica difícil pensar em apenas uma coisa. Mas, se tenho de escolher um momento especial, certamente fico com a vitória de 1973, a bordo de uma Lotus. Era a primeira vez que o GP do Brasil valia pontos. No ano anterior, a modalidade já havia passado por aqui, mas não integrava o calendário da competição. Logo depois da largada, assumi a ponta e passei toda a corrida sendo perseguido por Jackie Stewart. Ao receber a bandeirada em primeiro lugar, lembrei que ali já havia vencido pilotando moto, kart e carro turismo. Mas ganhar a bordo de um F1 teve um sabor diferente.” Emerson Fittipaldi - Bicampeão, em 1972 e 1974

“Em 2006, corri pela primeira vez no GP Brasil pela Ferrari. Desde a vitória do Ayrton Senna, em 1993, um brasileiro não ganhava em Interlagos. Quebrei esse tabu vestindo um macacão verde e amarelo — uma concessão que a escuderia italiana nunca havia feito em sua história. Não dá para esquecer também a última etapa da temporada de 2008. Por alguns segundos, cheguei a comemorar o título junto com a vitória, mas soube depois que o Lewis Hamilton havia ultrapassado o Timo Glock praticamente na última curva, o que fazia dele o campeão.” Felipe Massa - Vice-campeão em 2008

“O tributo que o Rubinho Barrichello fez para mim em 2008, quando me aposentei das pistas, significou mais que as competições que disputei ali. Ele correu com um capacete que imitava o meu. Fiquei assistindo a tudo dos boxes da Honda, a equipe dele na época. Além de ver uma bela disputa nas pistas, que terminou com o título do inglês Lewis Hamilton, fiquei emocionado com a homenagem à minha carreira no Brasil.”  Ingo Hoffmann - Três corridas entre 1976 e 1977

Bruno Senna - Fórmula 1 - especial 2244
(Foto: Fernando Cavalcanti)

“Em 1991 ocorreu a primeira vitória do Ayrton Senna em Interlagos, depois de um drama nas voltas finais — ele teve problemas com o câmbio e terminou a corrida praticamente só com a sexta marcha. Não fui ao autódromo, mas toda a família estava reunida em casa assistindo à prova na maior ansiedade. Quando acabou, fizemos uma grande comemoração. Aos poucos, a rua onde morávamos se encheu de torcedores na maior alegria. Todos esperavam por meu tio, que entrou em casa e depois deu uma saída para agradecer o carinho da galera. Como piloto, estreei na F1 no circuito no ano passado. Larguei em último e cheguei na 21a posição. Valeu pelo apoio dos torcedores. Fiquei arrepiado quando parei o carro no grid e das arquibancadas vinha aquela tremenda força: ‘Olê, olê, olê, olá, Senna, Senna!’.” Bruno Senna - 45 provas entre 2010 e 2012

“Não dá para esquecer o dia da primeira corrida em Interlagos, em 1972. Ainda não valia pontos pelo campeonato, mas era a primeira vez que os carros de F1 ocupavam a pista do autódromo. Comecei bem, cheguei a liderar por sete ou oito voltas. Recebi a bandeirada em terceiro, sendo o único brasileiro no pódio. As pessoas nunca tinham visto esse tipo de corrida, estavam muito excitadas, felizes e torcendo. Foi realmente inesquecível.” Wilson Fittipaldi Jr. - 43 provas entre 1972 e 1975

“A primeira corrida em Interlagos, em 1977, foi um sonho que se tornou realidade. Desde a adolescência desejava estar ali, dentro de um daqueles carros. Lembro que no dia da prova distribuíram 80.000 bonés com a marca do meu patrocinador. Quando cheguei ao circuito, vi toda aquela gente torcendo por mim. A visão daquilo foi incrível. A corrida em si esteve longe de ser tranquila. Houve um acidente grande, que envolveu vários carros, mais de seis. Larguei atrás, na 21a posição, e vinha fazendo boas ultrapassagens, mas meu carro quebrou na 16a volta.” Alex Dias Ribeiro - Onze provas entre 1976 e 1979

Fonte: VEJA SÃO PAULO