Especial

Crianças testam dez passeios da cidade

Convidamos seis crianças com idade entre 6 e 11 anos para brincar de repórter mirim. Acompanhados dos pais, eles ajudaram a preparar o guia das próximas páginas

Por: Daniel Nunes Gonçalves e Helena Galante - Atualizado em

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Para quem gosta de ciências

Inaugurado em março, no Palácio das Indústrias, o museu Catavento era um passeio inédito para os seis meninos e meninas. Por isso, a ansiedade do grupo para percorrer os 4 000 metros quadrados do complexo estava alta. No primeiro setor, batizado de Universo, a reprodução da superfície da Lua chamou a atenção de Miguel, um apreciador de ciências. O mais novo da turma, Lucas, não conseguiu evitar o impulso de tentar tocar a maquete do Sol, o que não é permitido. Mais interativo, o pavilhão Vida conquistou as meninas. ‘Nossa, como tem pássaros no Brasil que a gente não conhece’, disse Laís, depois de ouvir o canto de diversas aves. Com o auxílio de uma lupa, Bruna pôde observar de perto uma aranha-caranguejeira — eca! Nenhum espaço, porém, fez tanto sucesso quanto o corredor Engenho. Lá, um gerador de energia estática deixa todos, literalmente, de cabelo em pé. Outras partes da física, como a óptica e a mecânica, despertam a curiosidade dos visitantes. Para conhecer também a última ala, cuja atração principal é uma parede de escalada cheia de vídeos sobre personalidades históricas (foto), são necessárias três horas e meia, no mínimo. Pela careta feita por todos na hora de ir embora, ficou claro que a garotada passaria o dia inteiro ali. Caso a família opte por um programa mais longo, um aviso: não há lanchonete no local.

Catavento

Ponto alto: desperta a curiosidade das crianças sobre o mundo das ciências. ‘Vi de um jeito mais divertido matérias que tinha aprendido no colégio.’ Gabriella, 10 anos.

Ponto baixo: os mais novos não conseguem acompanhar as teorias. ‘Na parte do Universo, não me deixaram encostar em quase nada. Não entendi as explicações.’ Lucas, 6 anos.

Opinião dos pais: ‘Eu me surpreendi com a apresentação bem cuidada. É um programa que os adultos também aproveitam.’ Elisabeth Zeitune, mãe de Laís.

Bom para: crianças a partir de 8 anos, jovens e adultos.

Parque Dom Pedro II, s/nº, centro, 3315-0051. 9h/17h (ter. a dom.). R$ 3,00 (crianças de 4 a 12 anos) e R$ 6,00. Grátis para crianças de até 3 anos. A bilheteria fecha uma hora antes. Estac. (R$ 8,00 a primeira hora). www.cataventocultural.org.br. Abre na segunda (12).

Teatro o ano inteiro

Ao contrário de outros teatros da cidade, o Alfa mantém em temporada, o ano todo, duas peças infantis por fim de semana, às 16 horas e às 17h30. Escolhido o espetáculo — o grupo conferiu O Travesseiro, de Kiko Marques —, as crianças receberam um programa da peça. Depois de uma rápida folheada, a bonbonnière e suas guloseimas roubaram a atenção. A maioria comprou pelo menos um item — um chocolate ou uma caixinha de balas pode custar até 4 reais. Um tanto recatadas, as crianças se comportaram de acordo com a atmos¬fera adulta do saguão: nada de correrias e brincadeiras. Acomodadas nas confortáveis poltronas, acompanharam atentas a história da garota Didi (interpretada por Virgínia Buckowski). Ela quer saber por que seu irmão se transformou em um travesseiro. A sutil metáfora para o tema da morte deixou os pais visivelmente mais desconfortáveis que as crianças. Mesmo sem entender qual era o desfecho do enredo, Gabriel riu em diversas passagens.

Teatro Alfa

Ponto alto: a programação constante. Há duas peças infantis por fim de semana o ano todo. ‘Eujá tinha vindo aqui ver uma comédia muito legal, cheia de músicas.’ Gabriel, 9 anos.

Ponto baixo: falta uma recomendação de idade mais adequada para os espetáculos. ‘Achei que a peça O Travesseiro era para crianças um pouco mais velhas do que eu.’ Bruna, 8 anos.

Opinião dos pais: ‘O preço do ingresso é razoável, mas cobrar 20 reais pelo estacionamento é demais.’ Pedro de Oliveira, pai de Miguel.

Bom para: diversas idades, dependendo da temporada.

Sala B (200 lugares). Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722, Santo Amaro,

5693-4000. Sábado e domingo, 16h ou 17h30. R$ 12,00 (crianças de até 12 anos) e R$ 24,00. Grátis para crianças de até 3 anos. Bilheteria: 11h/19h (seg. a sáb.); 11h/18h (dom.). Estac. c/ manobr. (R$ 20,00). . Haverá sessões extras na segunda (12).

Beleza aquática

‘Este é o peixe-palhaço, listrado em branco, preto e laranja, como o Nemo. A professora do Bob Esponja chama-se, na verdade, baiacu. E a moreia-verde ficou famosa no desenho A Pequena Sereia.’ Cada vez que a monitora Juliana Molás, estudante de biologia, fazia referência aos peixinhos famosos do cinema e da televisão, nossa equipe de repórteres mirins ficava mais animada com a visita ao principal aquário da cidade. Lucas e Gabriella fotografavam tudo — sem flashes para não assustar os peixes, como recomendado pelos dezesseis monitores. Laís e Miguel eram os mais perguntadores. ‘O peixe-elétrico tem de acordar várias vezes para pegar ar na superfície?’, questionou Miguel. ‘Sim’, respondeu prontamente Juliana. ‘Os guias são bem treinados’, observou Laís, que riu ao saber que o mais gordinho dos ratões-do-banhado, espécie de roedor, foi apelidado de Ronaldo. A criançada gostou de atender ao pedido de fechar os olhos para perceber como é ser um peixe-gato, que nada em águas escuras e tateia tudo com os bigodões. Adorou também passear justamente quando os cinco tubarões-lixa e sete arraias eram alimentados com manjubas e sardinhas por um mergulhador em um tanque de 800 000 litros. Alguns dos 2 000 peixes foram conhecidos nas galerias de água doce e salgada ao longo de duas horas e meia. ‘O bom daqui é que sempre tem novidade’, disse Gabriella, que se surpreendeu com a área para seis morcegos e amou ver os pinguins. No próximo dia 17, por exemplo, há visita noturna. Os hábitos dos cardumes serão conferidos com lanternas.

Aquário de São Paulo

Ponto alto: o tanque dos tubarões e arraias. ‘A gente teve a sorte de ver o mergulhador dando comida na boca deles.’ Bruna, 8 anos.

Ponto baixo: a lanchonete. ‘Faltam coisas gostosas para quem acaba a visita com fome. O pão de queijo estava duro, e minha mãe não gostou do café.’ Miguel, 11 anos.

Opinião dos pais: ‘É melhor visitar de segunda a sexta. Nos fins de semana, há aglomerações.’ Lilian Carvalho, mãe de Gabriella.

Bom para: crianças a partir de 3 anos. Mas, diante dos peixinhos, os adultos também esquecem da vida.

Rua Huet Bacelar, 407, Ipiranga, 2273-5500. 9h/18h (seg. a dom.).

R$ 15,00 (seg.), R$ 20,00 e R$ 60,00 (visita noturna, que inclui jantar). Grátis para crianças de até 2 anos. Estac. c/manobr. (R$ 12,00). www.aquariodesaopaulo.com.br.

Só para baixinhos

Depois de perceberem que o computador ao lado da bilheteria do Parque da Xuxa não dava acesso à internet — era só para comprar ingressos mesmo —, Gabriel e Miguel (na foto, da esq. para a dir.) trataram de correr para explorar os 12 000 metros quadrados do local. Foram seguidos pelas meninas, que escolheram a montanha-russa como primeira diversão. A única criança que parou logo na entrada para tirar fotos com personagens como o Txutxucão, a elefanta Bila Bilú e as Paquitas foi Lucas, o caçula do grupo. Só ele, também, fez questão de acompanhar a Parada dos Personagens. Lucas e Bruna, que brincou sozinha no carrossel, foram os que mais aproveitaram o passeio. Embora o parque tenha dezoito atrações, poucas agradam à turma mais velha. ‘A montanha-russa é lenta e não achei graça em passear em um barquinho na água sem me molhar’, lamentou Gabriel, referindo-se ao Bosque dos Duendes. ‘É uma pena ter poucos brinquedos de adrenalina’, disse Ga¬¬briella. ‘Gostei mais da trilha de arvorismo com tirolesa e do Simulador X, um cinema com cadeiras que se mexem.’ As longas filas na tarde de domingo eram desanimadoras. ‘Pior foi ter de perder meia hora esperando para comer no McDonald’s’, reclamou Miguel, referindo-se à única lanchonete do parque. O McLanche Feliz ali custa 12 reais, em média 1 real mais caro que fora. Frustrou a turma o fato de três atrações, o Bate Bate do Guto, o trenzinho e o Bosque dos Duendes, terem ficado sem funcionar por algum tempo.

Mundo da Xuxa

Ponto alto: os brinquedos estão dispostos de forma que os pais possam acompanhar os filhos o tempo todo. ‘Brinquei bastante, mas tive um pouco de medo na trilha de arvorismo.’ Bruna, 8 anos.

Ponto baixo: os grandinhos ficam insatisfeitos com a falta de adrenalina das atrações. ‘Alguns brinquedos são sem graça. Não gostei de ser chamado de baixinho.’ Miguel, 11 anos.

Opinião dos pais: ‘Não participamos de quase nada. O fraldário é bom e oferece pomadas antiassadura e fraldas.’ Rachel Camacho, mãe de Lucas.

Bom para: crianças de 3 a 8 anos.

Shopping SP Market, 5541-2530. 10h30/18h30 (qua. a sex.), 11h30/18h30 (sáb.) e 11h/19h (dom.). R$ 38,00 e R$ 45,00 (crianças entre 2 e 13 anos). Grátis para crianças de até 1 ano. Desde o início do mês, o arvorismo é pago à parte. Custa R$ 5,00 (seg. a sex.) e R$ 10,00 (sáb. e dom.). Estac. (R$ 4,00 por quatro horas). www.omundodaxuxa.com.br. Abre na segunda (12), das 10h às 17h.

Filme de pegar com a mão

Todas as seis crianças do grupo vão uma ou duas vezes por semana ao shopping com a família. Dessas visitas, ao menos uma por mês é para curtir um cineminha. Numa sala convencional, elas observam uma tela de cerca de 11 metros de largura por 4 metros de altura. No Unibanco Imax, do Bourbon Shopping, o espaço para projeção ganha proporções gigantescas: são 21 metros de largura por 14 metros de altura. Potentes caixas de som completam o aparato tecnológico. Por causa desses diferenciais, o preço do ingresso fica mais caro: 20 reais às quintas e 30 reais nos demais dias. Quem quer evitar filas na bilheteria pode pagar uma taxa extra de 2,80 reais e comprar o bilhete na internet (www.ingresso.com.br). ‘Assim dá para chegar em cima da hora mesmo nos filmes concorridos’, afirmou Deise Bitinas, mãe da Bruna. Munidos de refrigerante, pipoca e óculos de lentes cinza, os garotos e as garotas assistiram ao documentário Estação Espacial 3D, de Toni Myers. O média-metragem, de 47 minutos, deixou Lucas e Bruna um tanto sonolentos. Já Gabriella e Miguel, os mais velhos, acharam a duração curta demais. As cenas favoritas foram aquelas típicas de projeções em 3D, em que objetos como uma laranja ou pedrinhas pareciam saltar da tela e ficar a um palmo de distância da plateia. Agora em cartaz, a versão dublada e em 3D da animação Tá Chovendo Hambúrguer tem sessões a partir das 13h20.

Unibanco Max

Ponto alto: a qualidade da projeção, feita numa tela gigante. ‘Parecia que os objetos saltavam do filme na minha direção.’ Gabriel, 9 anos.

Ponto baixo: o preço do ingresso.‘Trinta reais é mais caro que nos outros cinemas.’ Gabriella, 10 anos.

Opinião dos pais: ‘Eu voltaria outras vezes porque achei a

projeção muito realista.’ Adriana Vieira, mãe de Miguel.

Bom para: toda a família.

Bourbon Shopping, 3673-3949. Sala Unibanco Imax (327 lugares). Tá Chovendo Hambúrguer (dubl.): 13h20, 15h30, 17h40, 19h50, 22h. R$ 20,00 (qui.) e R$ 30,00. Estac. (R$ 6,00 as duas primeiras horas).

Como é um dia na fazenda

Eles deram capim na boca da jeguinha Meggy (foto), ordenharam a vaca Mimosa e montaram no mal-encarado búfalo Smith. Acostumadas com uma rotina bem diferente em uma metrópole como São Paulo, nossas crianças se surpreenderam ao participar de um típico dia na fazenda da Cia dos Bichos. No início, Laís e Gabriella tiveram medo de se aproximar até dos patinhos da lagoa. Uma pancada rápida de chuva obrigou as crianças a seguir para o berçário dos filhotes, e aí elas relaxaram. Todas adoraram o contato com pequenos coelhos, codornas, porquinhos-da-índia e pintinhos. ‘Ao contrário do Zoológico, aqui a gente pode interagir com os bichos’, disse Gabriella. A chuva passou rápido, mas deixou a trilha pela floresta impraticável. Ainda assim, deu para alimentar e acariciar boa parte dos 200 animais de 21 espécies, entre eles minicabras e porcos fofinhos. Divertido, o Tio Formiga, um dos dezessete monitores, contava curiosidades sobre os bichos e ganhou a simpatia também dos pais ao levar a turma até a Vila Caipira. Na casinha de pau a pique com fogão a lenha, os caseiros João e Rita Rodrigues serviam broa de milho e cafezinho feito em coador de pano. ‘Não resisti e tomei cinco xícaras’, contou Bruna.

Cia dos Bichos

Ponto alto: dá para tocar nos bichos, especialmente os filhotes. ‘Tirei leite da vaca e adorei brincar com os pintinhos.’ Gabriel, 9 anos.

Ponto baixo: em dia de chuva, o passeio perde parte da graça. ‘Quando choveu, fomos para o berçário dos filhotes, mas o passeio fica mais legal com sol.’ Bruna, 8 anos.

Opinião dos pais: ‘O cafezinho preparado em coador de pano e no fogão a lenha foi o melhor dos dez passeios.’ Elisabeth Zeitune, mãe de Laís.

Bom para: crianças de 2 a 8 anos, mas adultos que gostam de bichos também se divertem.

Estrada de Capuava, 2990, Granja Viana, Cotia (a 25,5 quilômetros da capital), 4703-3548. 10h/17h (sáb., dom. e feriados). R$ 25,00 e R$ 30,00 (crianças de 2 a 12 anos). Grátis para crianças de até 1 ano e pessoas com mais de 60. Estac. (grátis). www.ciadosbichos.com.br. Abre na segunda (12).

Ploglama legal

Bastou pisarem no parque para as crianças logo tirarem os calçados e descerem ao piso principal em um escorregador de rolinhos. ‘Trouxe uma meia extra de casa’, mostrou Lucas, antes de ter seus tênis e a mochila trancados no guarda-volumes. Das trinta atrações disponíveis, as preferidas foram justamente as mais dinâmicas — não por acaso, as primeiras a ser visitadas: Bate-Pneu (foto) e Ce-bolinhas, onde ocorreu uma disputa entre meninos e meninas para ver quem atirava mais bolas nos adversários. As meninas gostaram ainda do Brinquedão, uma sequên¬cia de obstáculos e labirintos. ‘Andar descalço na rede machuca os pés’, reparou Miguel. Como já tinha acontecido no Mundo da Xuxa, os mais velhos sentiram falta de adrenalina. ‘Dizem que o parque vai sair deste shopping. Tomara que a nova versão ganhe montanhas-russas’, afirmou Gabriella, que também sugere uma área específica para a Turma da Mônica adolescente. Bonecões como Cascão e Magali em tamanho natural podem ser abraçados nos corredores, mas o teatrinho com esses personagens pareceu infantil demais para alguns. ‘Odeio essa gente que fica gritando: ‘Boa tarde, eu quero ouvir bem alto boa tardeeee’’, disse Miguel. As três horas de passeio foram suficientes, mas as crianças observaram que só havia uma lanchonete à disposição. Os pais não participaram das brincadeiras nem contavam com um local agradável para esperar os filhos.

Parque da Mônica

Ponto alto: descalças, as crianças gastam energia correndo como se estivessem no quintal de casa. ‘Consegui atingir as meninas várias vezes no Ce-bolinhas.’ Miguel, 11 anos.

Ponto baixo: faltam opções com adrenalina. ‘Eu ia preferir se tivesse montanhas-russas ou brinquedos como os do Hopi Hari.’ Gabriella, 10 anos.

Opinião dos pais: ‘Como as crianças tiram os tênis para brincar, é bom mandar os filhos com meias velhas, já que elas voltam bem sujas.’ Adriana Vieira, mãe de Miguel.

Bom para: crianças de 3 a 8 anos.

Shopping Eldorado, 3093-7766. 10h/17h (ter. a sex.) e 11h/20h (sáb., dom. e feriados). R$ 29,00 e R$ 42,00 (crianças entre 2 e 10 anos). Grátis para crianças de até 1 ano e pessoas com mais de 65. Estac. (R$ 6,00 por quatro horas). www.monica.com.br/parque. Abre na segunda (12).

Histórias mil

Desde 1985, quando foi criada, a Livraria da Vila mantém uma seção dedicada aos livros infantis. Em 24 anos, o volume de títulos indicados para crianças multiplicou-se. ‘Tem um brilho nos olhos que só os livros dão’, acredita o proprietário Samuel Seibel. Na loja da Fradique Coutinho, visitada pelos nossos críticos mirins, um andar inteiro é dedicado aos títulos infanto-juvenis. Enquanto os pais se sentaram na área externa, onde funciona o café Santo Grão, as crianças ficaram à vontade para mexer nas prateleiras e folhear os exemplares. Leitora compulsiva (diz que, fácil, fácil, lê cinquenta páginas por dia), Gabriella recebeu diversas sugestões de compra de uma das funcionárias. Saiu de lá com O Clube das Irmãs, de Megan McDonald. Para completar o programa, a unidade oferece, sempre aos sábados, das 16 às 17 horas, atividades gratuitas para os pequenos. No dia da visita, a narração de histórias, programada excepcionalmente para o meio-dia, atrasou uma hora. Nesse meio-tempo -um tanto cansativo —, foi improvisada uma oficina de confecção de fantasminhas usando lápis e panos. Às 13 horas, a habilidosa contadora Kiara Terra (foto) começou sua apresentação. Cheia de aventuras, a história narrada, adaptada do livro O Medo e o Mar, de Maria Camargo, agradou à maior parte do grupo. A duração de quase cinquenta minutos, porém, fez com que alguns se dispersassem no final. Para o Dia das Crianças, as unidades da Vila Madalena, do Shopping Cidade Jardim e da Alameda Lorena agendaram atividades para as 11, 15 e 17 horas -a filial do Itaim, na Casa do Saber, ficou de fora.

Livraria da Vila

Ponto alto: variedade de títulos e atividades infantis semanais. ‘Uma das funcionárias sugeriu vários livros para minha idade, foi difícil escolher.’ Gabriella, 10 anos.

Ponto baixo: no dia da visita, a narração de histórias programada para as 12 horas começou às 13.‘Foi cansativo esperar, mas gostei da oficina que improvisaram na hora.’

Laís, 9 anos.

Opinião dos pais: ‘Trazer as crianças para ver as novidades nas prateleiras é uma boa maneira de incentivar a leitura.’ Deise Bitinas, mãe de Bruna.

Bom para: crianças a partir de 6 anos.

Rua Fradique Coutinho, 915, Vila Madalena, 3814-5811. 9h/22h (dom. e feriados 10h/18h). Estac. c/manobr.

(R$ 5,00). Mais três endereços. www.livrariadavila.com.br.

No reino animal

Como quase toda a turma já conhecia o zoo, nossos seis fuçadores avaliaram tudo como se tivessem uma lupa. ‘Uma tarde de sábado foi pouco’, disse Miguel. ‘Para ver todos os bichos e ler as plaquinhas, é preciso passar o dia todo.’ Eles observaram que o tempo nublado ajudou. ‘Com sol eu ficaria ainda mais cansada de andar tanto’, afirmou Bruna, que se arrependeu de calçar sapatilhas. ‘Todos devem vir com tênis confortáveis.’ O banheiro das meninas ganhou ponto negativo por estar sem papel higiênico. Lucas (ao lado) listou no bloquinho de repórter todos os bichos que viu -entre os mais procurados dos 3 200 animais do parque, de 450 espécies, estão o leão, o tigre e o elefante. ‘O lagarto é mal-educado, mostrava a língua para todo mundo, e acho que o rinoceronte não limpou o banheiro dele direito’, brincou. No fim da tarde ficou mais fácil ver bichos que estavam entocados durante o dia. A turminha foi premiada com uma surpresa na hora de ir embora: na copa das árvores, vários bugios da mata da região pulavam livremente de galho em galho.

Zoológico

Ponto alto: diversão sempre garantida. ‘Já vim seis vezes e não me canso. Consegui ver o tigre-branco, que na minha última visita estava dormindo.’ Lucas, 6 anos.

Ponto baixo: não deu para ver os pinguins. O último tinha morrido ao engolir lixo jogado pelos visitantes. ‘Do jeito que o lago está sujo, pode acontecer o mesmo com os cisnes.’ Miguel, 11 anos.

Opinião dos pais: ‘Há muitos quiosques de sorvete e poucas opções de lanchonete. É melhor vir preparado para um piquenique.’ Elizabeth Formario, mãe de Gabriel.

Bom para: famílias dispostas a caminhar por horas e sem crianças de colo.

Avenida Miguel Stéfano, 4241, Água Funda, 5073-0811. 9h/17h (ter. a dom.). R$ 4,00 (crianças entre 7 e 12 anos) e R$ 14,00. Grátis para crianças de até 6 anos e pessoas com mais de 60. Estac. (R$ 12,00). www.zoologico.sp.gov.br. Abre na segunda (12).

Clube do Bolinha

Ao ser anunciada uma visita ao Museu do Futebol, meninos e meninas reagiram de maneira oposta. Elas torcerem o nariz. Eles já haviam visitado os 7 000 metros quadrados da atração com sua família -e ainda assim vibraram. Antes mesmo de entrar no espaço, uma espiada no gramado verdinho do Estádio do Pacaembu impressionou a ala feminina. Na primeira sala, chamada Grande Área, estão reunidas fotos de objetos simbólicos de diversos times. Esse e outros setores pouco interativos não fazem muito sucesso. A farra começa mesmo na sala dos vídeos e áudios de gols narrados por radialistas como Osmar Santos e Ary Barroso. Dali, o grupo entrou em um buraco aberto embaixo de uma das arquibancadas. No meio do concreto e das pilastras, são projetadas imagens de torcidas cantando seu hino a plenos pulmões. ‘Parece que a gente está do lado deles’, disse Gabriella. Passagens históricas, como um filme sobre a derrota do Brasil para o Uruguai na Copa de 1950, e os totens dedicados aos nossos cinco títulos mundiais causam certa nostalgia nos adultos. ‘Era um encontro de gerações a cada passo’, afirmou Adriana Vieira, mãe de Miguel. Jogos como o pebolim (foto) - no qual Laís se sagrou artilheira - e a partida com uma bola de mentirinha, projetada no chão, colocaram todo mundo para brincar. Apesar da interatividade, as meninas acabaram se cansando da quantidade de detalhes sobre o esporte. Quem aproveitou do início ao fim foram os garotos, que saíram com vontade de pôr as chuteiras nos pés.

Museu do Futebol

Ponto alto: bons recursos tecnológicos e brincadeiras interativas. ‘Poderia passar o resto da minha vida aqui vendo vídeos do meu time.’ Lucas, 6 anos.

Ponto baixo: as meninas quase sempre não dão muita pelota.‘Achei alguns trechos cansativos, mas gostei de ganhar dos meninos no pebolim.’ Laís, 9 anos.

Opinião dos pais: ‘Foi um jeito gostoso de apresentar o futebol à minha filha sem enfrentar a ameaça das torcidas em um jogo ao vivo.’ Jaques Zeitune, pai de Laís.

Bom para: meninos a partir de 6 anos e torcedores fanáticos.

Estádio do Pacaembu. Praça Charles Miller, s/nº, Pacaembu, 3663-3848. 10h/18h (ter. a dom.). A bilheteria fecha uma hora antes. Não abre em dias de jogos. R$ 6,00. Grátis para crianças de até 6 anos. www.museudofutebol.org.br.

As crianças que participaram da reportagem

Laís Zeitune, 9 anos

Faz ioga e estuda piano e flauta. O último CD que comprou foi da Hannah Montana. Sonha em ser artista plástica — ou, quem sabe, musicista — e derrete-se por um estrogonofe.

Bruna Bitinas, 8 anos

Quer ser chef de cozinha. Capricha na maquiagem quando vai passear. Tem dois cachorros e uma gatinha em casa. Conhece diversos museus e curte procurar vídeos no YouTube.

Lucas Oliveira, 6 anos

Torcedor fanático do Corinthians, não perde um jogo de futebol na televisão. Depois

da escola, gosta de ver Bob Esponja e a série iCarly. Quer ser jogador de futebol.

Miguel Halfeld, 11 anos

Gosta de matemática e robótica, além de escrever. É bom no videogame e acompanha canais de música na televisão. Não dispensa uma brincadeira ao ar livre, seja num parque, seja no pátio do prédio.

Gabriella Santos, 10 anos

Frequenta livrarias em busca de lançamentos da escritora americana Meg Cabot e também inventa histórias próprias. Tem um guarda-roupa só para o figurino de seus bichinhos de pelúcia. Quer ser atriz.

Gabriel Formario, 9 anos

É fã de cinema, especialmente de animações em 3D, e de teatro — adorou Peter Pan! Anda de bicicleta no Parque Villa-Lobos e está juntando a mesada para comprar um Nintendo Wii.

Fonte: VEJA SÃO PAULO