Patrimônio

Copan apresenta problemas com a falta de manutenção

Sem manutenção na fachada há 43 anos, um dos mais conhecidos cartões-postais de São Paulo interdita calçada depois de pedras matarem cachorro

Por: Maria Paola de Salvo - Atualizado em

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Em diversos pontos, as peças de cerâmica estão soltas: reforma avaliada em mais de 7 milhões de reais (Foto: Fernando Moraes)

No último dia 23, o escritor Emerson Rocha saiu para dar um passeio com a sua yorkshire Lucy, como costumava fazer todas as tardes. Morador do Copan desde 2005, ele conversava numa roda de quatro pessoas na área externa do prédio, na Rua Unaí, quando percebeu que sua roupa estava encharcada de sangue. A cabeça da cachorrinha de apenas 1 ano e 2 meses havia sido atingida por um bloco de pastilhas que despencara do alto da fachada do edifício. Ela morreu na hora. “A cena fica voltando a todo instante à minha mente”, afirma ele. “Estou traumatizado.” Um pedaço do concreto acertou também sua cabeça. “Vou processar o condomínio por perdas e danos”, promete. “Preocupo-me com as pessoas que passam por ali diariamente.” Desde então, a área do acidente permanece interditada com fitas. A fachada do maior condomínio residencial da América Latina está literalmente caindo aos pedaços. Do térreo é possível avistar diversas áreas descascadas. Segundo lojistas e moradores, “chovem” partes do edifício continuamente.

Além da cachorra que morreu, pelo menos outras três pessoas e dois carros foram atingidos por fragmentos. Cícera de Moura, atendente de uma locadora na mesma rua, presenciou dois incidentes nos últimos meses. “Uma pedra caiu sobre um senhor e um bloco do tamanho de uma mão aberta despencou entre duas mulheres”, conta ela. “Até evito circular lá fora.” Segundo Átila Pereira, proprietário de uma pet shop no condomínio, quando chove é possível ouvir uma saraivada de pastilhas. “Parece granizo.”

Desde que o Copan foi inaugurado, em 1966, sua fachada jamais passou por manutenção. Projetado em 1951 por Oscar Niemeyer e protegido pelo Conpresp desde 1992, o edifício tem 100 metros de altura, 175 de comprimento e 115 000 metros quadrados de área construída. Síndico do prédio há dezesseis anos, o administrador Affonso Celso de Oliveira diz que faz inspeções semanais para retirar pastilhas soltas. “Nem durmo direito de preocupação”, afirma ele, que promete colocar telas e bandejas de proteção nesta segunda (7). Oliveira espera começar a reforma, orçada em ao menos 7 milhões de reais, no início do ano que vem. “Estamos em busca de um patrocinador para ajudar a bancar as despesas.”

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO