Serviço

Como as agências de casamento tentam sobreviver em tempos de Tinder

Nos últimos tempos essas empresas viram boa parte de sua clientela migrar para a internet

Por: Jussara Soares - Atualizado em

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Harry Mihalescu, da Paimi Casamentos: “A internet banalizou o amor" (Foto: Rodrigo Dionísio/Veja São Paulo)

Muito antes da chegada de aplicativos de paquera, as agências de casamento aproximavam corações solitários. Nos últimos tempos, porém, essas companhias viram boa parte de sua clientela migrar para a internet. O mercado de cupidos profissionais acusou o golpe. Na década de 90, cerca de dez escritórios atuavam nesse ramo na capital. Hoje, são apenas três. O mais antigo, a Paimi Casamentos, fundado em 1956, cuida de aproximadamente 250 pessoas, metade do que atendia há dez anos. Outra mudança diz respeito ao perfil de quem procura o serviço. No passado, homens e mulheres com cerca de 20 anos compunham a fatia majoritária. Atualmente, gente com mais de 40 anos corresponde a 60% do negócio. Em comum, são clientes que sentem alguma dificuldade para se enquadrar nas ferramentas modernas.

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“A internet banaliza o amor”, acredita Harry Mihalescu, diretor da Paimi. No escritório de 100 metros quadrados na Barra Funda, fichas e fotos dos candidatos ficam disponíveis em álbuns para a consulta de  pretendentes. Havendo interesse mútuo, o encontro é realizado no local. No contato inicial o casal não pode trocar telefone. “É para evitar problemas”, afirma Mihalescu.

A A2 Encontros foi outra que precisou encolher para sobreviver. Fundada em 1993, ocupou até 2012 um sobrado de dois andares na Vila Mariana. “Perdemos 15% da clientela nos últimos anos”, explica a proprietária Cláudya Toledo. Ela passou a trabalhar em casa, e o negócio funciona hoje pelo sistema de franquias: uma em São Paulo, outra em Campinas e uma terceira em Curitiba. A responsável pela filial daqui é a advogada Adriana Moraes, que está namorando há três meses um cliente, o gerente de banco Rodrigo Sabbi, de 35 anos. “Juro que não me beneficiei de informação privilegiada”, brinca. “A nossa psicóloga achou que ele tinha o meu perfil e nos apresentou.”

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Ao contrário da maioria dos concorrentes digitais, que são gratuitos, como o Tinder, as companhias cobram bem para proporcionar as conexões amorosas. Na Eclipse Love, surgida em 2011, os pacotes variam entre 5 000 e 16 000 reais por um ano de contrato. O serviço inclui uma checagem de dados como antecedentes criminais. “É para garantir  a segurança”, explica a proprietária Eliete Medeiros, que comanda o negócio no seu apartamento em  Moema, no esquema home office. É a única do mercado que rejeita fregueses pelo biotipo. No caso, quem está muito acima do peso. “Não faz parte do perfil da minha clientela”, justifica. Uma das clientes é a gestora de recursos humanos Maria Aparecida Pinto, de 43 anos. Há seis meses, investiu 6 500 reais para tentar descobrir ali um companheiro. “Ainda não arrumei namorado, mas tive cinco bons encontros”, conta. “Estou esperançosa.”

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Maria AparecidaPinto: contrato com agência de relacionamento de 6 500 reais (Foto: Mário Rodrigues/Veja São Paulo)

Encontro profissional

As principais características de algumas das empresas veteranas do mercado na capital

Paimi

Público: de 40 a 80 anos

Valor: a partir de 2 500 reais por um ano e meio de contrato

Curiosidade: os primeiros encontros são em pequenas cabines dentro das agências e os pretendentes não podem trocar telefone

 

A2 Encontros

Público: de 25 a 50 anos

Valor: a partir de 5 000 reais para três meses de contrato

Curiosidade: mulheres mais jovens e homens mais velhos têm até 20% de desconto

 

 Eclipse Love

Público: de 30 a 60 anos

Valor: a partir de 5 000 reais para até um ano de contrato

Curiosidade: candidatos acima do peso não têm vez. A agência diz que não é o perfil da sua clientela

Fonte: VEJA SÃO PAULO