Teatro

A comédia "Arte" diverte enquanto discute os limites da tolerância

Da mesma autora de "Deus da Carnificina" peça apresenta embate entre amigos

Por: Adriano Conter

Arte - Teatro - 2284
Marcelo Flores, Vladimir Brichta e Cláudio Gabriel: companheiros de opiniões distintas (Foto: André Wanderley)

Tema central da comédia “Arte”, o limite da tolerância é abordado por meio de piadas nada explícitas, capazes de criar um clima tenso e arrancar um riso nervoso da plateia. Escrita em 1994, a peça da francesa Yasmina Reza — já montada no Brasil em 1998 e em 2006, nesta ocasião dirigida por Alexandre Heinecke — conta a história de Sérgio (papel de Cláudio Gabriel). Médico refinado e pedante, ele compra um quadro branco com linhas brancas por 200.000 reais. Seu amigo Marcos (o ator Marcelo Flores) não se conforma com a atitude e busca o apoio de Ivan (o ótimo Vladimir Brichta) para criticá-lo.

O embate levantado pelas opiniões tão distintas dá o tom cômico à montagem, mas também provoca certo desconforto quando fica cada vez menos provável que o trio deixe as diferenças de lado. Tudo se torna ainda mais interessante nos momentos em que a iluminação de Tomás Ribas enfoca apenas o rosto deles e traz à tona os pensamentos dos personagens.

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À frente de duas peças da autora no passado, “O Homem Inesperado” (2007) e “Deus da Carnificina” (2010), o diretor Emilio de Mello opta por valorizar as atuações, enquanto outros elementos permanecem mínimos: os próprios atores remontam os cenários compostos apenas de cadeiras e poucos móveis e executam a trilha sonora ao violão. Destaca-se o trabalho de Brichta, sobretudo na cena na qual narra aos amigos uma briga entre ele, a mãe e a noiva, interpretando cada um dos papéis.

Avaliação ✪✪✪

Fonte: VEJA SÃO PAULO