Noite

Clubes em São Paulo apostam em cabaré contemporâneo

Shows que mesclam dança, circo e sensualidade

Por: Carolina Giovanelli - Atualizado em

Por volta das 6 da tarde do último dia 28, Karina Raquel passeava por um shopping próximo de sua casa, no bairro da Pompeia. Usava tênis, calça jeans e óculos escuros. Sete horas depois, a bela mulher de 35 anos se transformaria na Fascinatrix. Espécie de pin-up moderna, ela deixa suas curvas à mostra no Drops Bar, na Bela Vista. Karina é a pioneira no Brasil do neoburlesco, movimento inspirado nos cabarés do começo do século XX que ganha força na cidade. Boates como Astronete, CB Bar, Jive e Glória, frequentadas por um público descolado, apostam nesse tipo de performance para apimentar suas noites. "É um diferencial para manter a pista animada", afirma Claudio Medusa, dono do Astronete, na Consolação. As atrações desse estilo mesclam dança, técnicas circenses e uma farta pincelada de sensualidade. Karina veste-se como as modelos sensuais dos anos 40 e 50: meias arrastão, maquiagem caprichada, espartilho e salto alto. Em um contraponto moderno, ostenta doze tatuagens e onze piercings. Ela chega a gastar 1?000 reais em uma única produção. "Só no espartilho, que é feito sob medida, são 700 reais", diz. O ritual de beleza antes do show dura duas horas. Tudo isso para cerca de cinco minutos de ação. Com experiência em balé clássico, jazz e sapateado, Karina garante que o mercado está em expansão. "Além de me apresentar em casas noturnas, sou chamada para pelo menos quatro festas de aniversário ou confraternizações de empresas por mês."

Outra representante do gênero é Rejoice Sunshine Strauss, de 27 anos. Conhecida como Sweetie Bird, ela envereda por um caminho cômico. "Tento tirar ideias do meu cotidiano", conta. "Mas sempre mescladas com elementos de humor." No dia 29, ela apresentou um número inspirado em balé clássico no palco do CB Bar, na Barra Funda. Diante de olhares atentos, tirou lentamente a saia de tule e o corpete desenhados por ela mesma. De lá, correu para o clube Jive, em Higienópolis. "O objetivo do burlesco é provocar", afirma. "Deixar o público sempre querendo mais." O gênero se instalou por aqui em 2006, quando a extinta boate Loveland, na Vila Olímpia, recebeu um dos ícones das pin-ups do século XXI, a americana Michelle L'Amour. "Não sabia como ia ser recebida", lembra a dançarina. "Mas o público adorou e eu me diverti muito."

Também adepto da onda retrô, o casal Raquel Rosmaninho e Emiliano Pedro se apaixonou pelo cabaré após uma viagem à Europa. Criou, então, há dois anos, a festa Trixmix Cabaret, um teatro de variedades realizado todas as primeiras quintas-feiras do mês no espaço de eventos Eazy, na Barra Funda. "Sentadas em mesinhas, as pessoas comem e conversam, enquanto rolam números circenses, humorísticos e burlescos", diz Pedro. A cada edição, eles convidam artistas de diversas vertentes para alegrar cerca de 350 pessoas. E o clima não fica restrito ao palco. As garçonetes, por exemplo, aparecem vestidas com roupas temáticas, que incluem penas na cabeça e cintas-liga.

Astronete. Rua Matias Aires, 183-B, 3151-4568, Metrô Consolação. Sexta (11), a partir das 20h. R$ 15,00.

CB Bar. Rua Brigadeiro Galvão, 871, Barra Funda, 3666-8971. Sábado (26), a partir das 23h30. R$ 15,00.

Drops. Rua dos Ingleses, 182, Bela Vista, 2503-4486. Sexta, a partir das 20h. R$ 15,00.

Eazy. Avenida Marquês de São Vicente, 1767A, Barra Funda, 3611-3121. Dia 1º de outubro, a partir das 21h30. R$ 35,00.

Glória. Rua 13 de Maio, 830, Bela Vista, 3287-3700. Sexta (11), a partir da 0h. R$ 35,00.

Jive. Alameda Barros, 376, Higienópolis, 3663-2684. Sábado (12), a partir das 23h30. R$ 15,00.

Fonte: VEJA SÃO PAULO