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Clubes criam projetos beneficentes e dão clima engajado às festas

Batizada de Xiliquê, a balada beneficente do Vegas Club, na Consolação, começou em janeiro e está na quinta edição

Por: Carolina Giovanelli - Atualizado em

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Club A, no Brooklin: o cachê dos artistas será revertido para jovens carentes (Foto: Divulgação)

Imagine uma daquelas longas filas frequentemente encontradas na porta das casas noturnas. Um aglomerado de pessoas com produções caprichadas espera para entrar. Nas mãos, porém, um apetrecho diferente ganha destaque: sacolinhas. Dentro delas estão produtos diversos para doação, a exemplo de alimentos não perecíveis e materiais de limpeza. A cena tem se tornado cada vez mais habitual nas baladas paulistanas. É o caso da Trash Benê, projeto comandado pelo pessoal da Trash 80’s que rola mensalmente no Clube Caravaggio, no centro, e no Spazio, na Vila Olímpia.

“Chegamos a arrecadar 2 toneladas de alimentos numa só noite”, calcula um dos organizadores, Tonyy. A escolha das ONGs beneficiadas é feita através de indicações. Dezenas de estabelecimentos, de asilos a abrigos para cães, já receberam doações. “Pelo menos 70% do nosso público adere à campanha”, afirma. “Deixar de lucrar uma vez por mês com os ingressos não é quase nada, mas para quem recebe faz muita diferença.” Além da Trash Benê, em atividade desde 2003, outras ideias nesse estilo têm pipocado por aí.

Batizada de Xiliquê, a balada beneficente do Vegas Club, na Consolação, começou em janeiro e está na quinta edição. Já tem agenda fechada até o meio do ano. “A festa só pela festa me parece um pouco fútil, sempre quis fazer algo maior”, conta o DJ Felicio Marmitex, um dos idealizadores da folia. “É um modo de incentivar os jovens a fazer caridade.”

Trazendo um donativo, o preço do ingresso cai de 35 para 15 reais. Marmitex discoteca em outra noite do gênero no sábado (24), no Sutra Bar & Lounge, na Bela Vista. A Quebrando a Fome, noitada mensal que estreou em novembro de 2009, tem como objetivo arrecadar alimentos. “Deu tudo tão certo que a expandimos para o interior do estado”, explica o produtor Cavalaska. Haverá apresentações de nove DJs, entre eles o americano adepto do experimentalismo Jay Haze.

Fugindo das batidas eletrônicas, o refinado Club A, no Brooklin, recebe no dia 27 o show Sertanejo do Bem. Seguido de Junior Lima (o irmão da Sandy, lembra?), o cantor Luan Santana dará uma canja de seus hits. Toda a renda dos ingressos de 150 reais e o cachê dos artistas serão revertidos para o Instituto Mundo Jovem, que auxilia crianças e adolescentes desde 1996. “Acho bacana poder usar a fama para ajudar quem precisa”, diz a atriz Mariana Rios, que vai trabalhar como garçonete no evento.

Depois das tragédias ocorridas na capital fluminense e em Niterói, o empresário Haysam Ali, organizador da folia GLS Circuito Velvet Club, resolveu promover a I Love You — Todos Unidos pelo Rio de Janeiro. Quem for curtir a tarde na boate Eazy, na Barra Funda, neste domingo (18), terá de levar 2 quilos de alimento não perecível ou um agasalho em bom estado. Outros clubes, como a Heaven, nos Jardins, o Rey Castro, na Vila Olímpia, o Neu, na Água Branca, e o Hot Hot, na Bela Vista, também promovem periodicamente as chamadas baladas do bem. Uma boa oportunidade para chacoalhar o esqueleto e aliviar a consciência.

Fonte: VEJA SÃO PAULO