Cinema

Estreiam quatro filmes indicados ao Oscar

Steve Jobs e Carol estão entre os lançamentos 

Por: Miguel Barbieri Jr.

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Das seis estreias de hoje (14), quatro filmes estão concorrendo ao Oscar. A lista com os indicados foi divulgada nesta manhã, em Los Angeles. Dos lançamentos, Steve Jobs se destaca dos demais. Trata-se de um recorte da biografia do cofundador da Apple, protagonizado por Michael Fassbender, indicado a melhor ator. Kate Winslet concorre a atriz coadjuvante. 

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Além dele, há o drama Carol, sobre o romance de duas mulheres na Nova York da década de 50; Creed - Nascido para Lutar, que deu indicação de melhor ator coadjuvante para Sylvester Stallone, e A Grande Aposta, no páreo em cinco categorias, incluindo melhor filme, direção e ator coadjuvante (Christian Bale).

Para crianças pequenas (até 6 anos), a pedida é Snoopy & Charlie Brown - Peanuts, o Filme.   

  • Do pretensioso (e vazio) Ventos de Agosto, o diretor pernambucano Gabriel Mascaro pulou para Boi Neon, longa-metragem que rodou o mundo e foi premiado em diversos festivais no exterior. Há uma melhoria em relação ao trabalho anterior, a começar pelo enredo. Iremar (Juliano Cazarré) trabalha em vaquejadas no Nordeste e vive, como amigo, na companhia de Galega (Maeve Jinkings) e da filha dela (a fofa e talentosa Alyne Santana). A ambição de Iremar é outra: ele gosta de costurar e bordar vestidos, além de se preocupar com o visual de Galega. Embora tenha um bom (e original) ponto de partida, o filme não se concretiza. A trama se arrasta em situações rasas e, para polemizar, há cenas de nudez de Juliano Cazarré (o Merlô da novela A Regra do Jogo), incluindo uma forte sequência de sexo com uma grávida. Ao invés de aprofundar o tema do vaqueiro “feminino”, o cinesta apela para o choque. Estreou em 14/1/2016.
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  • Romance / Drama

    Carol
    VejaSP
    5 avaliações
    The Price of Salt (ou Carol) foi escrito por Patricia Highsmith em 1953 e sob o pseudônimo de Claire Morgan. Lésbica ainda não assumida, a escritora tratou de um romance entre mulheres numa época de tabus. O filme Carol, nos dias de hoje, cheira a naftalina, principalmente se comparado a outros trabalhos do gênero, como Azul É a Cor Mais Quente. A intenção do diretor Todd Haynes (de Longe do Paraíso), contudo, era justamente situar a paixão de Carol Aird (Cate Blanchett) por Therese Belivet (Rooney Mara) em mundo controlado pelos homens e onde uma relação homossexual era considerada um escândalo. Seu longa-metragem resplandece na recriação dos anos 50, com figurinos, objetos e cenários de encher os olhos. Mas faltam, sobretudo, à história conflitos densos e uma entrega maior de suas protagonistas. Cate, na pele de uma ricaça madura, mãe de uma menina e esposa aprisionada em um casamento de aparências, se encanta por uma jovem balconista de uma loja de departamentos. A moça, que tem um namoradinho, corresponde à atração platônica. Espere, ao menos, uma hora para ocorrer algo mais, digamos, explícito — um casto beijo, por exemplo. Em um roteiro sem muita imaginação, Cate e Rooney não têm química e, nas raras cenas de sexo, estão desconfortáveis. Nas fitas de Todd Haynes, porém, tudo é lindo, com a cor da echarpe combinando com o esmalte das unhas e o casaco de peles de fazer gritar as fashionistas. Carol conquistou seis indicações ao Oscar e não levou nada. Estreou em 14/1/2016.
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  • O incansável Sylvester Stallone arranjou um jeito de reviver (ou recriar) a franquia que teve início com Rocky, um Lutador, em 1976 e gerou mais cinco filmes. Prestes a virar septuagenário, Sly já não tem físico nem fôlego para interpretar um lutador em seus melhores dias. Pois bem. A ideia, então, foi escalar Michael B. Jordan, de 28 anos, para o papel de Adonis Johnson, que vem a ser o filho bastardo de Apollo Creed, principal adversário de Rocky Balboa na cinessérie. Adonis, então, vai procurar Balboa, dono de um restaurante na Filadélfia e afastado há anos dos ringues. Como o pai do protagonista morreu, resta ao bom e velho Rocky servir de treinador ao rapaz. Os vários chichês não são os maiores problemas. Indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante, Stallone, ok, segura as pontas num papel sem truculência, mas faltam fibra, carisma e garra a Michael B. Jordan, melhor explorado pelo mesmo diretor, Ryan Coogler, no drama Fruitvale Station (2013). Até chegar à luta final, o roteiro é preenchido, em arrastada narrativa, com um romance insosso, uma doença para causar comoção, treinos árduos e conflitos tolos. Estreou em 14/1/2016.
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  • Extraída do livro A Jogada do Século, escrito por Michael Lewis e lançado no Brasil pela Editora Best Business, a trama de A Grande Aposta está focada em alguns anos antes do colapso financeiro que assolou Wall Street em 2007. Investidores enxergaram uma possível quebra no mercado imobiliário e, então, resolveram lucrar com isso. Christian Bale interpreta Michael Burry, um esperto gestor de fundos de comportamento excêntrico, que corre por fora para ganhar dinheiro. O elenco estelar (e ótimo) ainda inclui Steve Carell, Brad Pitt e Ryan Gosling. Trata-se de uma maneira bem-humorada de mostrar os bastidores das finanças. O problema, porém, está nos excessos. São muitos personagens, diálogos velozes em “economês” (compreendidos por quem é do ramo) e situações por vezes confusas para os leigos. O filme faturou, contudo, o Oscar de melhor roteiro adaptado. Estreou em 14/1/2016.
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  • Ao criar, em 1950, as tirinhas da série Peanuts, Charles M. Schulz (1922-2000) conseguiu encantar gerações no decorrer das décadas. Craig e Bryan Schulz, o filho e o neto do cartunista, estão, não à toa, por trás da produção e do roteiro de Snoopy & Charlie Brown — Peanuts, o Filme, longa-metragem em 3D do mesmo estúdio de A Era do Gelo. Como era de se esperar, a técnica da animação tem um acabamento perfeito e o uso das cores é muito bem aplicado ao universo de  Schulz. Mas, como não era de se esperar, a trama se mostra muito ingênua e infantil, capaz de agradar apenas às crianças menorzinhas (até os 6 anos). A garotada mais velha e os adultos que cresceram na companhia dos personagens (também um público-alvo) podem se decepcionar. Charlie Brown, Snoopy, Linus e Woodstock são fofinhos, mas, convenhamos, mereciam uma história menos bê-á-bá. Nela, Charlie Brown, o tímido e fracassado aluno da escola, se apaixona por uma nova coleguinha. Sua missão, então, consiste em conquistá-la das formas mais diversas, inclusive pedindo conselhos para a entojada Lucy. Estreou em 14/1/2016.
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  • Cinebiografia

    Steve Jobs
    VejaSP
    4 avaliações
    Um dos fundadores da Apple, Steve Jobs (1955-2011) já foi tema de uma cinebiografia de pouco valor estrelada por Ashton Kutcher, em 2013. O roteiro do novo filme, assinado por Aaron Sorkin (de A Rede Social), não tem a pretensão de abranger a vida inteira de Jobs. Por meio de apenas três episódios profissionais, o longa-metragem consegue transmitir sua personalidade irrefreável. Os ambientes são os bastidores das apresentações do primeiro Macintosh (1984), do caríssimo computador NeXT (1988) e do iMac (1998). Jobs, em uma atuação cheia de som e fúria de Michael Fassbender, é visto como um cara arrogante, egocêntrico, exigente — e não menos visionário. Da desconfiança em relação à paternidade de sua filha ao conflituoso relacionamento com Steve Wozniak (Seth Rogen), seu parceiro na Apple desde os primórdios, a história passa a limpo a trajetória de cartorze anos de Jobs enfocando seus fracassos e dissabores, sempre acompanhados de perto pela executiva de marketing interpretada por Kate Winslet. Na profusão de palavras criadas por Sorkin, o diretor Danny Boyle (Quem Quer Ser um Milionário?) conduz a trama como se uma bomba-relógio estivesse prestes a explodir. Estreou em 14/1/2016.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO