Destinos

Cinco-estrelas em duas pontas

Assinaturas estreladas, Mr. C — dos herdeiros Cipriani — e St. Regis despontam agora nos extremos dos Estados Unidos

Por: João Batista Jr, de Beverly Hills, e Fernanda Danelon - Atualizado em

entrada Mr. C
Entrada discreta do hotel Mr. C: família Cipriani agora em Los Angeles (Foto: Divulgação)

Há um imponente bar de 8 metros de extensão na entrada do lobby. Nele, a mesa de sinuca de vidro, com 1,5 centímetro de espessura, cujas bolas cromadas deslizam com a delicadeza de uma seda, destaca-se entre o mobiliário italiano, feito sob medida para remeter à Veneza dos anos 50 e 60. O cenário — iluminado com luz natural, que entra pelas janelas de 3 metros de altura — poderia ser o principal atrativo deste hotel em Beverly Hills, fatia “oscarizada” vizinha a Los Angeles. No entanto, uma característica mais sutil (mas não menos importante) faz do lugar o novo endereço das celebridadesde Hollywood: ser à prova de turistas curiosos e, acima de tudo, de paparazzi. Uma ruela sem saída é o único acesso ao Mr. C, uma iniciativa dos irmãos Ignazio, de 24 anos — que emprestou o apelido de infância para batizar o lugar —, e Maggio, de 22, integrantes da quarta geração da família Cipriani. O clã italiano virou referência na arte de comer e servir bem em 1931, quando o nonno Giuseppe abriu o Harry’s Bar, em Veneza, multiplicado num império com restaurantes e hotéis (entre eles, o lendário Cipriani, de 1958, hoje pertencente ao grupo Orient-Express).

piscina Mr. C
Bangalôs ao redor da piscina: privacidade a dez minutos da Rodeo Drive (Foto: Divulgação)
A dupla é quem toca o barco. Literalmente. Apaixonados por iates, eles idealizaram a decoração da área externa tal qual a dos barcos Azimut, seus preferidos. Teca, a clássica madeira náutica, reveste o entorno da piscina — onde bangalôs acomodam até seis pessoas, com serviçosde cozinha do restaurante. “O cardápio vai de carpaccio de atum a pizza de mussarela, para agradar aos jovens da indústria do cinema”, diz Danielle Katz, coordenadora do Mr. C. Para fazer jus ao DNA da família fundadora do Harry’s Bar, quem pisa no lobby é recebido com uma taça de Bellini. Mistura de prosecco e purê de pêssego branco, o drinque veneziano foi criado por Giuseppe Cipriani. Fiel ao made in Italy, o staff calça mocassins Tod’s. A grife, por sinal, recebe os hóspedes com hora marcada na sala vip da loja, de 1 000 metros quadrados, na Rodeo Drive. “Ficamos a dez minutos de caminhada do coração deBeverly Hills”, conta o diretor do hotel, Sam Jagger. São estrelas a mais numa constelação de hotéis localizados pelo menos a trinta minutos decarro das melhores lojas. Não é a única vantagemdos 138 apartamentos e suítes, cujas varandas se abrem para as montanhas pontuadas por mansões hollywoodianas. Os quartos são abastecidos de champanhe Veuve Clicquot, uísque Johnnie Walker Gold Label e gim Hendrick’s. Providenciais em uma cidade onde bebida alcoólica não é vendida depois das 2 da madrugada.

Mr. C. 1224 Beverwil Drive, Los Angeles, ☎ 1 (310) 277-2800. Diárias a partir de 390 dólares

restaurante St Regis Bal Habour
Restaurante do St Regis Bal Habour: resgate do glamour dos anos 60 (Foto: Divulgação)
Se na costa oeste o Mr. C é um oásis de discrição, na ponta dos Estados Unidos aberta para o Atlântico o novo St. Regis Bal Harbour é um espetáculo. Inaugurado em Miami no começo deste ano, o empreendimento de 1 bilhão de dólares mistura resort e residência. Duas torres abrigam 255 apartamentos privados (de 1,9 milhão a 10 milhões de dólares), mas é o lado hotel, com 243 apartamentos e suítes, que enche os olhos. Incrustado entre as lojas do Bal Harbour Shops e o mar turquesa da Flórida, é o 12º endereço da cadeia cinco-estrelas aberto nos Estados Unidos — e o 44º no mundo (pela frente estão sedes em Abu Dhabi e nas Ilhas Maurício, em setembro, em Buenos Aires e Riviera Maya, no México, previstos para 2014, em Aman, em 2015, e em Dubai, daqui a cinco anos). Por fora, o prédio leva a assinatura do escritório local Sieger Suarez, num projeto que evocao estilo art déco, típico da cidade. Conhecido pelo trabalho minimalista, o duo Yabu Pushelberg, de Toronto, optou por rechear a arquitetura com o glamour dos anos 60.

Lobby St Regis
Lobby com a escultura de cristal do artista Kohel Nawa: arte e serviço (Foto: Divulgação)
Cristais e espelhos predominam nos ambientes. Na entrada, o visitante surpreende-se com um cervo esculpido em cristal — em tamanho natural —, uma obra do artista japonês Kohei Nawa que reluz sobre o piso de mármore negro chinês God’s Flower, extraído exclusivamente para a construção do hotel. Nawa é um dos muitos representantes da arte contemporânea que “sacodem” a tradicional hospitalidade da marca. Ali, arranjos de flores continuam sendo trocados diariamente, e uma equipe de mordomos garante o serviço à inglesa (inclusive a oferta de charutos enrolados a mão depois do jantar), ordens estabelecidas por Lady Astor, mãe de John Jacob Astor IV, fundador do primeiro hotel, na cidade de Nova York, em 1904. As piscinas — uma delas reservada para adultos — ficam à beira-mar e têm cabanas privativas. Spa e academia se abrem para a vista azul. Um jardim de especiarias rodeia a sala de jantar localizada ao ar livre, com vista para pomares milimetricamente desenhados. O chef francês Jean-Georges Vongerichten — radicado em Nova York e proprietário de uma cadeia de restaurantes ao redor do mundo — assina o cardápio do J&G Grill, recheadode frutos do mar e especialidades internacionais. Pisos e revestimentos de carvalho espinha de peixe em tons acinzentados trazem aconchego e imprimem classe às áreas de refeições, bar e lounge. Concebidos para ser uma espécie de “santuário de relaxamento”, os quartos são decorados com tons suaves, que vão do azul ao bege, passando pelo cinza. Móveis e luminárias estão dispostos de forma que cada hóspede aviste o oceano. É, enfim, outro tipo de oásis à beira-mar: moderno na aparência,mas com elegância clássica cinco-estrelas, bem ao gosto de Lady Astor.

St. Regis Bal Harbour Resort. 9703 Collins Avenue, Miami, ☎ 1 (305) 993-3300. Diárias a partir de 850 dólares

Fonte: VEJA SÃO PAULO