Destinos

Como um rei

Castelos e palacetes que serviram de residência a famílias nobres abrem em forma de hotéis para plebeus materializarem nas férias os sonhos dignos de contos de fadas

Por: Rachel Verano - Atualizado em

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NA CASA DO CZAR

São Petersburgo, na Rússia

O coração de São Petersburgo, a capital cultural da Rússia, a cerca de 700 quilômetros de Moscou, narra um importante trecho da história imperial do país. Estão concentradas na mesma região joias dos séculos XVIII e XIX, como o Palácio de Inverno, que abriga o Museu Hermitage (dono de um dos mais ricos acervos de arte ocidental do mundo), e a Catedral de Santo Isaac, o grande postal da cidade. A partir de maio, outro edifício significativo do período abrirá ao público suas portas, flanqueadas por duas estátuas seculares de mármore em forma de leão. A diferença é que será possível passar a noite dentro da nova atração. Trata-se do palacete erguido para servir de residência ao príncipe Alexey Lobanov-Rostovsky, escritor, colecionador de arte e figura próxima ao czar Alexander I, então líder do país. O nobre Rostovsky contratou Auguste de Montferrand, o mesmo arquiteto francês que desenhava as primeiras linhas daquela que viria a ser a Catedral de Santo Isaac, logo em frente, para projetar o seu edifício de apartamentos. Mais tarde, entre 1827 e 1917, o palacete abrigou o Ministério da Guerra e, na era soviética, funcionou como albergue e escola. Ícone da arquitetura clássica do fim do século XIX, o Lion Palace acaba de passar por uma longa reforma que trouxe de volta seus tempos de glória. O projeto de restauração seguiu à risca o que previam os desenhos de Montferrand — assim, detalhes originais vieram à tona, caso da grande escadaria de mármore, que havia passado algumas décadas ladeada por madeira em substituição à pedra. Com inauguração prevista para maio, o hotel, de 177 quartos, recriou a atmosfera da época em seu interior. Na decoração, predominam os tons pastel, antiguidades e objetos raros, caso da banheira da suíte presidencial, esculpida a mão em um monólito. O salão de chá contará com um belo jardim de inverno com espécies raras de palmeira, hera e filodendro. O spa ocupará quatro andares. E por todo canto reinarão mordomias mil: de lençóis da grife italiana Rivolta Carmignani e amenities Hermès e Bulgari a pisos aquecidos na varanda das suítes. Para viver dias dignos dos grandes czares.

Four Seasons Hotel Lion Palace. I Voznesensky Prospekt, tel. 1 (416) 441-4373, fourseasons.com/stpetersburg. Diárias a partir de 420 dólares

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LAZER DE LORDE

Ballantrae, na Escócia

Nos idos de 1800, cavalgar era um dos meios de locomoção mais apreciados pelos nobres escoceses, assim como a caça e a falcoaria eram suas predileções nas horas vagas. Completamente restaurado ao longo de seis anos na década de 90, o antigo castelo vitoriano que pertenceu a James Hunter, lorde de Ayrshire, e posteriormente a James Lyle Mackay, primeiro conde de Inchcape, tornou possível os mesmos prazeres nos dias de hoje, ao lado de atividades, digamos, mais modernas (como o golfe e o tênis). Erguida em 1870 no alto de um penhasco no sudoeste escocês, com vista para o mar, a propriedade de torres dignas de contos de fadas está recheada de antiguidades e cercada por 150 000 metros quadrados de belos jardins, que incluem uma rara coleção de rododendros. É possível reservar o quarto que pertenceu ao conde, onde a sua história é recontada através de móveis originais — como a cama com seu próprio lustre de cristal — e entre papéis de parede Cole and Sons, tecidos Nina Campbell e amenities Penhaligonís.

Glenapp Castle. Ballantrae, Ayrshire KA26 0NZ, tel. 44 (1) 46583-1212, glenappcastle.com. Diárias a partir de 430 euros

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Vista do Çiragan Palace, todo de mármore: às margens do Estreito de Bósforo (Foto: Divulgação)

NAS SUÍTES DO SULTÃO

Instambul, na Turquia

localização escolhida pelo sultão Abdulaziz, soberano do Império Otomano no fim do século XIX, para erguer sua residência foi estratégica: as margens europeias do Estreito de Bósforo (o canal que liga o Mar Negro ao Mar de Mármara), com o continente asiático logo em frente. O palacete, que custou, na época, o equivalente a 2,5 milhões de moedas de ouro, para satisfazer o califado nos mínimos detalhes, foi todo construído de mármore e cercado por portões colossais e belos jardins. Com a declaração da República nos anos 20, a mansão foi abandonada e, décadas mais tarde, reabriu como hotel. Ali, as suítes estão entre as maiores da Europa e chegam a ter uma área de 458 metros quadrados. Recheado de obras de arte, móveis do século XIX e tradicionais hammams esculpidos a mão, o Çiragan Palace trouxe todas as mordomias dos velhos tempos para os dias de hoje — ainda que o complexo do hotel inclua um moderno edifício e uma piscina com vista infinita logo ao lado.

Çiragan Palace. Çiragan Caddesi, 32, tel. 90 (212) 3264-646, kempinski.com/istanbul. Diárias a partir de 1 600 euros no palácio

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RETIRO DA DINASTIA MING

Pequim, na China

No século XVIII, o imperador Qianlong mandou construir um complexo de palacetes numa área de 290 hectares a nordeste de Pequim, onde pudessem passar o verão. Às margens do Lago de Kunming e em meio a bosques de bambu, o clima era mais ameno e a vida mais tranquila (o agito se concentrava nos arredores da Cidade Proibida, a cerca de 15 quilômetros de distância). No século seguinte, o Palácio de Verão, como ficou conhecido, foi a casa de uma das mulheres mais poderosas que a China já viu: Cixi, a imperatriz viúva. Os aposentos onde seus hóspedes eram acomodados enquanto aguardavam por audiências importantes foram transformados, nos últimos anos, em um dos mais exclusivos hotéis do país. Ali, o restaurante, com móveis inspirados na dinastia Ming, serve receitas dos tempos do império e a biblioteca tem no acervo livros raros sobre o complexo, declarado patrimônio da humanidade em 1998. O Cigar Room está debruçado sobre um lago de flores de lótus, e o spa inclui tratamentos especializados na tradicional medicina chinesa. Mas o melhor é que os seletos hóspedes dos dezoito quartos e 33 suítes têm acesso direto, por uma porta secreta, aos quintais do que é hoje uma das principais atrações turísticas da capital chinesa.

Aman at Summer Palace. 1 Gongmenqian Street, tel. 86 (10) 5987-9999, amanresorts.com/amanatsummerpalace. Diárias a partir de 850 dólares

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OCIDENTE À INDIANA

Hyderabad, na Índia

No período de dominação inglesa, entre meados do século XVIII e o XIX, nobres orientais e ocidentais não pouparam esforços para levar à Índia a pompa dos mais sofisticados salões europeus. O Palácio Falaknuma, feito de mármore italiano sobre uma colina 600 metros em Hyderabad, a capital da região de Andhra Pradesh, é um dos mais impressionantes exemplares. Residência do nizam (equivalente a príncipe) Asaf Jah VI MirMahboob Ali Khan Siddiq, à época um dos homensmais ricos do planeta, a construção do arquiteto britânico William Mard Marret em forma de escorpião demorou uma década para ser concluída, em 1894. Antes de ela virar hotel, em 2010, descendentes da família real acompanharam as reformas para garantir que tudo saísse exatamente como era. Hoje, os hóspedes podem circular pelos salões de festa com afrescos nas paredes e lustres de cristal veneziano e jantar na maior mesa do mundo, encomendada para os banquetes nababescos da corte, para exatos 101 comensais.

Taj Falaknuma Palace. Engine Bowli, tel. 91 (40) 6629-8585, tajhotels.com. Diárias a partir de 360 dólares

Fonte: VEJA SÃO PAULO