Copa do Mundo

“Ficamos parecendo palhaços”, diz mãe de garoto tirado de protesto

O desabafo da mãe do adolescente que foi tirado a força  pelo pai de um protesto dos Black Blocks e virou piada na rede

Por: Juliana Deodoro - Atualizado em

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Edilene e o marido foram até o protesto buscar o filho (Foto: Reprodução/TV Folha)

Em junho do ano passado, ao saber que o filho de 16 anos estava participando de protestos, a professora municipal Edilene Ruz Baldi, de 46 anos, resolveu acompanhar o adolescente em uma das paralisações promovidas pelo Movimento Passe Livre. Não ficou espantada com o que viu, já que naquele momento havia famílias inteiras marchando nas ruas, inclusive em seu bairro, Vila Carrão, na Zona Leste. Meses se passaram, o garoto se envolveu com os black blocs e protagonizou na quinta-feira (12) uma cena improvável, digna de roteiro de filme, quando seu pai Osvaldo, agente da Fundação Casa, o tira a força de um protesto no Tatuapé, na Zona Leste, no dia da abertura da Copa na cidade. As imagens, registradas por dezenas de cinegrafistas, se espalharam rapidamente e o caso virou motivo de piada na rede. “Ficamos parecendo palhaços de circo com uma plateia em volta”, desabafa Edilene, que também estava no local e, assim como o marido, repetia para o rapaz: “Eu não te criei para isso”. A seguir, a entrevista que Edilene concedeu para VEJA SÃO PAULO.

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Vocês sabiam que seu filho estava no protesto na quinta-feira?

Ele tinha dito que ia andar de skate. Estávamos assistindo televisão quando vi uma reportagem sobre o protesto. Reconheci o skate dele pelas imagens. Pensei: 'Acho que ele enganou a gente'. Dessa vez, tínhamos escutado que a polícia não ia tolerar nada, que ia para cima de todo mundo. Eu liguei no celular dele, mas ele disse que não ia sair de lá, por isso fomos buscá-lo. Ficamos assustados, queríamos levá-lo embora porque a situação ali iria ficar feia.

O que você pensa sobre os protestos contra a Copa do Mundo?

Apesar de não concordar muito com esse grupo que eles formaram agora, não acho que eles não estejam reivindicando coisas certas. Acho a Copa do Mundo legal, mas para o Brasil não era a hora. O país podia estar investindo em outras áreas que estão precisando mais. Essa Copa veio na hora errada.

E sobre os Black Blocs?

Se você for entender ao pé da letra, a anarquia que eles pregam não é a bagunça. Meu filho diz que o vandalismo acontece porque a polícia vai para cima deles. Mas eles acabam quebrando coisas que a gente paga com impostos. Para quê isso? Assim eles não vão conseguir nada, só criam estigmas contra eles. Já que quer participar, não pode ser uma anarquia, ninguém gosta de bagunça. Eu acho bom meu filho ter consciência politica, só não acho bom esse movimento.

O vídeo com a discussão do seu marido com seu filho tomou uma grande proporção...

Eu percebi antes deles que estavam todos filmando e parei de falar. Eu saí dali me sentindo muito mal, com todas aquelas lentes em volta, o pessoal instigando, gente se divertindo e gozando da cara da gente. Ficamos parecendo palhaços de circo com uma plateia em volta.

E como está o Renan?

Ele não quer atender ninguém. Fica dizendo 'olha o que vocês fizeram'. Ele excluiu sua conta do Facebook porque teve muita gente gozando, ironizando. Começou uma invasão. Eu disse para ele que já que foi exposto, vai ter gente falando tudo quanto é coisa. Quando o pai pegou pelo braço, se tivesse obedecido e não tivesse dado show, nada disso teria acontecido.

Fonte: VEJA SÃO PAULO