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USP apresenta Bienal de Teatro com produções internacionais

Além de peças de São Paulo, Santa Catarina e Minas Gerais, a extensa programação conta com montagens da Tunísia, do Líbano, da Argentina e da Eslovênia, entre outros

Por: Bruno Machado - Atualizado em

Macbeth - Leila and Ben: a Bloody History
Cena do espetáculo: 'Macbeth - Leila and Ben: a Bloody History' (Foto: Divulgação)

Orçada em cerca de 1 milhão de reais, bancados pela própria Universidade de São Paulo, como faz questão de reforçar o diretor do TUSP, Celso Frateschi, a I Bienal de Teatro da USP começa na quinta (31) com conferência do historiador Jorge Dubatti. O professor da Universidade de Buenos Aires, que já publicou mais de quinhentos artigos sobre artes cênicas, também ministrará na Funarte um minicurso de crítica teatral. 

Até o dia 15 de dezembro, a extensa programação vai trazer ao público cinco espetáculos teatrais estrangeiros, vindos do Líbano, da Argentina, da Cisjordânia, da Eslovênia, da Croácia e da Tunísia, além de montagens de Florianópolis, Belo Horizonte e São Paulo. A venda de ingressos para os espetáculos e as inscrições para os workshops e debates começaram na segunda (21).

Entre os destaques estão o libanês 66 Minutes in Damascus, que vai reproduzir o turismo de guerra praticado na capital síria. Já Mi Vida Después traz para o palco o improvável encontro dos filhos de desaparecidos durante a ditadura argentina com os sucessores dos policiais que participaram do aparelho repressivo daquele período. O encerramento, no Teatro Anchieta, com Macbeth - Leila and Ben: A Bloody History, mesclará a linguagem clássica de Shakespeare ao documentário cênico para falar do golpe de estado ocorrido na Tunísia em 1987.

Dos espetáculos nacionais, chamam a atenção Arqueologias do Presente, da Cia OPOVOEMPÉ, que propõe ao público uma visitação à sede da antiga Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, na rua Maria Antonia, onde em 1968, durante um conflito com alunos do Mackenzie, uma pessoa morreu e diversas ficaram feridas. Já em Pulsão, do grupo Desvio Coletivo, a experiência de quase morte do diretor Marcos Bulhões em um quarto do Hospital das Clínicas é transformada em uma série de performances das quais o público pode assistir ou mesmo participar.

+ Confira a programação completa da Bienal de Teatro

Segundo Frateschi, nessa primeira edição do evento sob o título de Realidades Incendiárias, a curadoria reuniu montagens de caráter experimental que dialogassem com fatos reais ou históricos. “Não são espetáculos convencionais. Nossa intenção, com isso, é mais do que provocar o espectador, mas torná-lo parte do processo artístico”, afirma o curador.

Além do TUSP e do Teatro Anchieta, ainda estão previstos eventos, workshops, debates e jogos de improvisação na própria universidade, onde foi instalada uma tenda para o evento. Também estão previstos eventos na Funarte e do Centro de Cultura Judaica, que irá receber o dramaturgo israelense Joshua Sobol para uma leitura do texto Ghetto.  Com exceção dos espetáculos, cujos ingressos custarão R$ 20,00, toda a programação é gratuita. 

Fonte: VEJA SÃO PAULO