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Aurelio Martinez Flores e sua estética econômica em exposição

Influenciado pelo conceito de “menos é mais”, o artista exibe trinta assemblages

Por: Jonas Lopes - Atualizado em

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Obra presente na Galeria Raquel Arnaud: caixas brancas recebem colagens de fotos, cartões-postais e objetos (Foto: Divulgação)

Quando o arquiteto e designer nascido no México Aurelio Martinez Flores aportou no Brasil, em 1960, pretendia passar apenas alguns meses por aqui, para ajudar na implantação de uma loja de móveis. Devido a problemas logísticos do negócio, acabou ficando e adotou o país como lar definitivo. Hoje aos 82 anos, considera-se brasileiro, apesar de manter um forte sotaque. Estabeleceu uma longa e bem-sucedida carreira e em 2007 passou a se dedicar também a uma nova atividade, as artes plásticas.

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Trinta de suas obras estão exibidas no subsolo da Galeria Raquel Arnaud. Os trabalhos são um tipo específico de colagem, classificado de assemblage. Há neles uma indiscutível (e assumida) influência do vanguardista americano Joseph Cornell (1903-1972). “Comecei em busca de uma espécie de terapia ocupacional, para ajudar a superar um momento difícil. Virou um hobby muito querido e necessário”, diz ele.

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Obra presente na Galeria Raquel Arnaud: caixas brancas recebem colagens de fotos, cartões-postais e objetos (Foto: Divulgação)

Em sua produção arquitetônica, o artista nunca escondeu qual era a inspiração suprema: Mies van der Rohe (1886-1969), o principal nome do modernismo no gênero durante o século XX, ao lado de Frank Lloyd Wright. A economia formal do alemão não o marcou à toa, pois o mexicano chegou a colaborar em um projeto do mestre, um edifício de escritório da Bacardi na Cidade do México. “O conceito de ‘less is more’ (menos é mais) pregado por Van der Rohe tornou-se minha religião”, afirma o discípulo.

De fato, as peças reunidas na mostra não perdem tempo com retórica gratuita. Dentro de caixas brancas simples, aparecem colados objetos recolhidos no lixo ou comprados em lojas de cartões-postais e presentes. As obras exalam ainda um aspecto mórbido, algo decadentista, reforçado pela presença de folhas secas, de uma foto do poeta francês Charles Baudelaire e de baratas e escaravelhos de brinquedo, importados de uma loja de Paris.

AVALIAÇÃO: ✪✪✪

Fonte: VEJA SÃO PAULO