Crime

Artista participante da Cow Parade continua em coma

Atacado por homem armado com um taco de beisebol na Livraria Cultura do Conjunto Nacional em dezembro de 2009, o designer assina a vaquinha Vaca de Sampa

Por: Sara Duarte - Atualizado em

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Trajetória interrompida: Rique Pereira, de 21 anos, atacado na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (Foto: Arquivo pessoal)

Neste domingo (21), quando se encerra a mostra Cow Parade, os mais de setenta artistas participantes poderão dar a última olhada em suas obras antes de elas serem recolhidas a um galpão. O criador da Vaca de Sampa, em exibição na Avenida Brigadeiro Luís Antônio, no centro, não poderá ir. Desenhista, pintor e artista gráfico, Henrique Carvalho Pereira, o Rique, foi escolhido por concurso para participar da exposição. Morador de Santo André, o jovem de 21 anos preparou sua escultura no saguão de uma agência de publicidade na Avenida Paulista, onde trabalha desde 2005. Inspirouse nas cores do Masp e decorou sua vaquinha com um televisor que traz a frase “Eu amo SP”, uma claquete e um crânio rachado. Em 21 de dezembro do ano passado, porém, aconteceu uma tragédia. Rique foi agredido com um taco de beisebol dentro da Livraria Cultura do Conjunto Nacional. Desferido pelo personal trainer Alessandro Fernando Aleixo, o golpe atingiu violentamente a cabeça do designer, que estava sentado no chão, folheando um livro de artes. Rique teve uma fratura logo acima da nuca — em forma de Y, como em sua escultura — e desde aquele dia permanece internado na UTI do Hospital das Clínicas.

A família do artista mantém-se em vigília, sem perder a esperança. Sua mãe, a professora Silvania, de 42 anos, pediu afastamento da escola em que leciona. Seu pai, Elifas, 47, que ocupa um cargo de gerência em uma empresa de engenharia, mudou seu horário de expediente para poder visitar o filho no hospital. “Só temos permissão para ficar com ele uma hora por dia, das 16 às 17 horas”, conta. O momento mais crítico foi o fim do ano, quando o jovem passou por duas cirurgias para diminuir o inchaço do cérebro. “Hoje, apenas pedimos a Deus para que ele acorde, pois a saudade é muito grande”, diz Silvania. O filho caçula do casal, Murilo, de 16 anos, só teve coragem de visitar o irmão duas vezes. Ficou arrasado ao vê-lo em coma, de cabeça raspada e respirando com a ajuda de aparelhos. 

Divulgação
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A obra de Rique, Vaca de Sampa, atração da Cow Parade (Foto: Divulgação)
Sua obra Vaca de Sampa, atração da Cow Parade

 Religiosos, Elifas e Silvania colocaram no quarto de Rique uma imagem de Santa Bárbara, invocada por seus devotos para proteção contra raios, pois “ela vai ajudá-lo a passar por essa tempestade”. A todos que encontram, re - petem que não têm dúvida de que o filho vai se recuperar e voltar a trabalhar.

“Antes do acidente, sua carreira estava em ascensão”, lembra Elifas. “Ele havia acabado de se formar em design de produto e ganho a medalha de prata em um prêmio nacional do setor.” Sergio Herz, diretor da Livraria Cultura, acompanha o drama da família de perto. “Sinto como se tivessem esfaqueado alguém na sala de minha casa”, afirma. “O agressor já tinha quebrado as vitrines da livraria com um taco de beisebol, mas assinou um termo e foi liberado pela polícia. Espero que desta vez a Justiça funcione e ele permaneça na cadeia.”

+ Veja o endereço da Vaca de Sampa

Fonte: VEJA SÃO PAULO