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Armani, o anfitrião

O estilista italiano acaba de inaugurar, em Milão, o seu segundo hotel. Outros dois empreendimentos com sua marca estão em andamento

Por: Adriana Marmo, de Milão - Atualizado em

Armani, o anfitrião
Giorgio Armani posa no restaurante do Armani Hotel, seu mais novo empreendimento (Foto: Divulgação)

No fim das tardes de verão, Giorgio Armani faz questão de servir um spritz, drinque feito da mistura de Aperol com espumante, aos amigos que estão a bordo do seu barco, o Maín. O tom da bebida combina em cheio com as cores do pôr do sol. No inverno, o estilista prefere jantares íntimos no calor de sua residência em Milão. E, para as estações intermediárias, o almoço na casa de campo é a opção perfeita. Sim, Armani adora receber e é daqueles que cuidam pessoalmente dos detalhes. “Passar alguns momentos ao lado da família ou dos amigos queridos na intimidade da própria casa é realmente um dos maiores luxos que se pode ter hoje em dia”, diz ele. “Não importa a ocasião, gosto sempre de criar uma atmosfera relaxante e simples.” Por isso, não soa estranho imaginar que o estilista italiano esteja entrando com tudo no ramo da hotelaria. Ele inaugurou no fim do ano passado, em Milão, o segundo empreendimento que leva seu nome. Em parceria com o grupo hoteleiro Emaar Properties, dos Emirados Árabes, ele já possui, desde 2010, um hotel em Dubai, na Burj Khalifa, a torre mais alta do mundo. Até 2014, pretende inaugurar um resort em Marrakesh, no Marrocos, e um condomínio de casas na Baía de Sidi Abdel Rahman, ao norte do Egito.

Armani Hotel
O Armani Hotel está encravado no quadrilátero da mode de Milão: vista de 360 graus da cidade italiana (Foto: Veja São Paulo)

Em todos eles, Armani faz questão de imprimir a sua marca de receber, vestir e decorar. Assim que as portas do hotel no número 31 da Via Manzoni, encravada no quadrilátero da moda de Milão, se abrem, o hóspede é envolvido por uma nuvem suavemente perfumada com as notas de Bois díEncens, uma das fragrâncias de Armani Privé. Tudo ali é, digamos, minimalista. “Não gosto dos exageros, mas da elegância que vem de linhas simples. É uma beleza que está ligada à funcionalidade”, explica ele, que mora a menos de dois quarteirões do seu novo empreendimento.

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A recepção não tem cara de recepção. No lugar de malas, balcões, telefones e concierges frenéticos correndo de um lado para o outro, há apenas um segurança discreto e uma funcionária sorridente vestindo, é claro, um terninho Armani. Ela é uma das lifestyle managers, a primeira exclusividade do hotel. Faz o papel de fada madrinha do hóspede, recebendo-o na porta até o check-out e podendo auxiliar na programação e nos desejos mais especiais de cada um. “O estilo Armani não está impresso apenas na decoração, mas também no serviço. A ideia é que o hóspede se sinta em casa e tenha à mão tudo o que sua imaginação possa sonhar”, diz ele. E é a tal moça quem conduz os clientes ao elevador que levará ao 2º andar, onde de fato começa o hotel, que foi construído em um prédio de fachada austera de 1937. No térreo se encontram o Caffè Armani, a Armani/Casa e a butique do estilista. 

Suíte signature
A suíte Signature tem dois andares e está equipada com cozinha para que o chef possa preparar o jantar ali mesmo (Foto: Divulgação)

A primeira impressão é impactante. A luz do sol refletia as torres do Duomo no mármore branco polido do chão. Além do teto da Catedral de Milão, do hotel é possível ver o teto da Galleria Vittorio Emanuele, da Basílica de São Francisco

de Paula e mais outros tantos em 360 graus. Os 95 quartos, que têm diárias que variam de 500 a 11 000 euros, foram projetados pelo estilista e decorados com peças Armani/Casa. A monotonia da paleta de cores apagadas e masculinas em tons de cinza, verde e bege é quebrada pela textura da madeira, do papel de parede feito com fibra de bambu e das colchas que cobrem as camas. Elas parecem grama cortada bem rente. Todos os quartos reservam surpresas e mimos aos hóspedes, como a máquina de café expresso com sachês que guardam mistura de grãos assinada pelo anfitrião, o cardápio de travesseiros e o irresistível kit de higiene com a mesma fragrância de Armani Privé que está no ar. Até o cotonete é diferente. A haste é mais longa e preta. Lá dentro, tudo pode ser feito por controle remoto: da iluminação ao pedido de não disturbe, passando pelo comando para que a tevê de plasma surja, como mágica, do pé da cama. 

Spa hotel Armani
Spa na cobertura: academia e piscina, cujo teto pode ser aberto nos dias de sol (Foto: Divulgação)

Alguns apartamentos estão equipados com cozinha e sala de jantar para que o hóspede possa receber seus convidados e ter o chef preparando delícias dentro do quarto. Entre as sete opções de suíte, a mais impressionante não é a presidencial, como de costume. A estrela ali é a Signature, com sua escada arredondada de ônix, que lembra muito a mesma que Armani construiu dentro de seu iate milionário. Em todo o hotel há duas suítes como essa. No último andar está o spa, que oferece dezenas de tratamentos e, de novo, uma visão irresistível da cidade. São 13 000 metros com paredes de vidro, que abrigam ainda uma piscina e uma academia de ginástica. O que mais Armani deseja? “Que os hóspedes se lembrem sempre de que estão em um lugar projetado por um italiano.”

Fonte: VEJA SÃO PAULO